Instituto Millenium
Publicado em 5 de novembro de 2013 às 11h16.
Última atualização em 24 de fevereiro de 2017 às 08h45.
Vencedora do Prêmio Jovens Lideranças, concedido pelo jornal “Estado de S.Paulo”, em 2012, Priscilla Cruz, de 37 anos, sugere mudanças, como a criação de um currículo unificado e a ampliação da oferta de vagas em regime integral. Ela acredita que só recentemente os brasileiros despertaram para a importância da educação em suas vidas e para o desenvolvimento do país. “Os efeitos da educação não se restringem à economia e à justiça social. Também impacta na segurança, na saúde e na cidadania”, afirma.
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Instituto Millenium: O Brasil tem resultados ruins em todos os índices internacionais que medem a qualidade educacional. Entra ano, sai ano, e o país não consegue avançar. Qual é, de fato, o grande gargalo da educação?
Priscila Cruz: Não é que a gente não tenha avançado. No primeiro ano do Ensino Fundamental temos conseguido cumprir as metas do governo e do “Todos pela Educação”. Diria que o ensino médio é a etapa que está mais estagnada. Em educação, não tem bala de prata. Não dá para apontar uma solução específica. Porém, o principal fator é o professor. Quanto mais bem preparados, motivados e engajados forem os docentes, maiores serão as chances de alcançarmos uma educação de qualidade. Sobre esse aspecto é preciso considerar as seguintes dimensões: a atratividade para a carreira, a valorização social e a formação.
Além disso, é preciso ter uma base curricular comum no Brasil. É importante avançar nesse sentido para ampliar o foco no aprendizado do aluno. Também precisamos aperfeiçoar as avaliações, que não têm contribuído de fato para a melhoria da gestão educacional. Outro ponto a ser melhorado, é a gestão das unidades escolares. Deve haver mais oferta de educação em regime integral. Por fim, é preciso ter uma sociedade que valorize a educação.
Imil: A senhora citou a formação dos professores como um dos principais fatores para melhorar o ensino no Brasil. Qual o problema dos cursos de licenciatura? Como controlar melhor a formação dos profissionais?
Cruz: Historicamente, as faculdades de pedagogia preparavam as pessoas responsáveis por construir as teorias pedagógicas. Elas formavam os pensadores da Educação. Quando o ensino superior passou a ser obrigatório, as universidades permaneceram praticamente inalteradas. As faculdades de pedagogia continuam formando profissionais para pensar a teoria, e não para atuar nas escolas. O que está faltando é a ligação com a realidade em sala de aula.