Instituto Millenium
Publicado em 18 de janeiro de 2011 às 11h35.
Última atualização em 24 de fevereiro de 2017 às 10h35.
As responsabilidades devem ser cobradas nas três esferas do poder público, como enfatiza o articulista do Instituto Millenium, Carlos Alberto Sardenberg, um dos que abordou o tema no texto publicado no site do Instituto: “Depois da crise econômica global de 2008/09, o tema “falhas de mercado” tornou-se dominante, especialmente nos países mais desenvolvidos, sobretudo nos EUA, onde funcionava de fato um mercado financeiro aberto. No Brasil, líderes políticos, a começar por Lula, e economistas alinhados à esquerda embarcaram alegremente na onda. Mas os fatos mostram todo dia que nosso problema real está no lado contrário, nas ‘falhas do Estado”.
“Pela lei, ninguém pode construir uma casa e se instalar nela sem obter diversas licenças municipais e estaduais. Paga-se caro por isso e leva tempo. Ninguém pode construir em áreas de risco ou de preservação. Autoridades das prefeituras e do governo estadual são responsáveis pela fiscalização e pela prevenção, de modo a avisar as famílias dos perigos que elas correm e de retirá-las em momentos críticos. Os três níveis de governo têm a obrigação de manter prontos os sistemas de defesa civil, para atender as populações em caso de catástrofes.E o que se vê nestes dias?A destruição e a morte atingem famílias que moravam em casas construídas sem licenças, em regiões proibidas”, analisou Sardenberg.
Paulo Brossard, especialista em Direito, questiona o papel de cada indivíduo na cobrança das responsabilidades do Estado: “Para terminar, volto à pergunta que me tenho feito, quem e como se formula entre nós a opinião pública, sem a qual a vida nacional não passa de uma fantasmagoria monumental?”
O jornalista e bacharel em Direito, Marco Antonio Rocha, critica a hipocrisia: “Agora, nesta hora trágica, como no final de 2009, de 2008, de 2007… etc, vemos autoridades nas TVs proclamando que é um absurdo que se permitam construções nas encostas dos morros, nas áreas de risco, na calha inundável dos rios. Indiretamente estão acusando o povo ignorante de se entregar às ocupações irregulares. Mas o que realmente estavam fazendo esses ilustres senhores quando não havia, ou antes que houvesse, ocupações irregulares ou regulares nessas áreas? Estavam demarcando-as? Estavam fiscalizando-as? Estavam pondo nas cadeias os grileiros de terrenos públicos que se transformam em loteamentos da noite para o dia? Ou estavam, ao contrário, “legalizando” a patifaria para ganhar os votos de quem foi morar lá, atendendo aos pleitos dos cabos eleitorais da periferia?