Colunistas

Não é qualquer inovação que promove crescimento

@_openspace_ Essa semana tive a oportunidade de assistir ao vivo o maior guru da atualidade quando falamos em inovação: Clayton Christensen. Quem já teve algum contato com o tema deve ter ouvido a expressão inovação disruptiva. Pois o criador dessa teoria esteve palestrando sobre estratégia e crescimento no auditório principal da Expo Management promovido pela HSM. Christensen é professor de Harvard e já escreveu diversos livros sobre inovação. Curiosamente o […] Leia mais

christensen

christensen

In

Inovação na prática

Publicado em 11 de novembro de 2015 às 21h14.

Última atualização em 24 de fevereiro de 2017 às 07h51.

Priorizar nos meus resultados Google

p1662247268-o692736028-4@_openspace_

Essa semana tive a oportunidade de assistir ao vivo o maior guru da atualidade quando falamos em inovação: Clayton Christensen. Quem já teve algum contato com o tema deve ter ouvido a expressão inovação disruptiva. Pois o criador dessa teoria esteve palestrando sobre estratégia e crescimento no auditório principal da Expo Management promovido pela HSM.

Christensen é professor de Harvard e já escreveu diversos livros sobre inovação. Curiosamente o primeiro que li especificamente sobre o tema, no início dos anos 2000 foi justamente dele. De lá para cá acompanho de perto suas ideias e utilizo muitos conceitos criados por ele no meu trabalho como consultor e professor.

No mundo corporativo muitas vezes as teorias são vistas com certo preconceito mas é preciso ter em perspectiva que muitas vezes uma boa teoria de gestão pode explicar ou resolver os problemas que vivemos nas organizações. Vejamos o que Christensen trouxe na sua palestra.

Atualmente ele vem trabalhando na construção de uma teoria que possa explicar o crescimento dos negócios e setores. Como não poderia ser diferente, a resposta passa pela inovação mas, segundo ele, é preciso separar os tipos de inovação para explicar melhor o fenômeno.

A chave dessa questão está em três tipos distintos de inovações: de eficiência, sustentada e disruptiva. Cada tipo tem um papel e consequências distintas na economia.

Inovação de Eficiência – são as que visam a redução de custos através da eficiência operacional. Elas tem como consequência a eliminação de empregos e o aumento do caixa livre. As inovações de eficiência dão retorno rápido de 3 meses a 2 anos, não tem muito risco e o mercado já existe. As empresas fazem isso repetidamente em diferentes ciclos, especialmente porque as empresas são avaliadas por isso (indicadores financeiros).

Inovação Sustentada – são aquelas que visam aperfeiçoar os produtos para pelo menos manter as margens e competitividade. Elas mantém a economia funcionando, porém normalmente não geram crescimento ou empregos. Servem para manter o padrão de vendas.

Inovação Disruptiva – essas são as que transformam produtos caros em acessíveis. Ele citou o exemplo do Japão onde foram feitas várias inovações disruptivas como os carros Toyota, motos Honda, impressora Canon ou rádios portáteis Sony. Depois na década de 90 as empresas japonesas começaram a focar em inovação de eficiência. Para ele, a única inovação disruptiva nos anos 2000 vinda do Japão foi o Nintendo Wii.

Christensen defende que a inovação disruptiva é a que promove o crescimento do emprego, cria novos mercados, combate o não consumo, traduzindo em um efeito econômico multiplicador na cadeia.

Esse foco em inovação de eficiência acabou gerando uma abundância de capital nos países desenvolvidos. O custo do capital nesses países é muito barato porém há um problema de geração de emprego e crescimento real das economias.

Todos os três tipos são importantes porém é necessário que elas ocorram de forma complementar para realmente trazer crescimento para as empresas e países.

Para fechar, ele deixou dicas de como fazer a inovação disruptiva.

1. Levar tecnologia para tornar os serviços mais acessíveis – Ele citou o exemplo do sistema de saúde. Hospitais são caros, tem custo alto. Para diminuir precisamos levar tecnologia para clínicas. Depois colocar tecnologia para consultórios e até casas dos pacientes. A tecnologia precisa evoluir para o paciente ficar mais longe do hospital. O mesmo raciocínio vale para levar tecnologia para famílias, farmacêuticos, profissionais de enfermagem, médicos clínicos gerais, especialistas, etc…

2. Investir no não consumo – A inovação disruptiva combate o não consumo, ou seja, buscar viabilizar que pessoas que hoje não consomem os produtos ou serviços por alguma razão qualquer (preços, instrução, acesso, etc…) passem a ter alternativas viáveis. Ele trouxe o caso do Wizard de Carlos Martins que permitiu muitas pessoas acessar o ensino da língua inglesa.

3. Mudar a perspectiva de análise do problema ou oportunidade – O consumidor é a dimensão errada de análise. Você precisa entender qual o objetivo que está se fazendo aquilo. A partir da ir tentar tornar o produto mais simples, acessíveis e fácil de ser consumido.

Felipe Ost Scherer