Como práticas de governança remodelam o setor imobiliário

O ESG aplicado por quem pratica no dia a dia dos negócios
ESG: ainda pode existir muita dúvida a respeito do significado da sigla que representa a responsabilidade socioambiental (ESG), especialmente sobre sua aplicabilidade, importância e real impacto nos negócios (Marcelo Theobald/Agência O Globo)
ESG: ainda pode existir muita dúvida a respeito do significado da sigla que representa a responsabilidade socioambiental (ESG), especialmente sobre sua aplicabilidade, importância e real impacto nos negócios (Marcelo Theobald/Agência O Globo)
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Genoma ImobiliárioPublicado em 04/10/2022 às 08:41.

*Elisa Rosenthal

Ainda pode existir muita dúvida a respeito do significado da sigla que representa a responsabilidade socioambiental (ESG), especialmente sobre sua aplicabilidade, importância e real impacto nos negócios e nos consumidores. Perceber ferramentas, atitudes e processos que por vezes já estão sendo aplicados por parte das empresas e profissionais é sair à frente neste quesito.

Júlia Berticelli Basso lidera a Sustentabilidade Corporativa do Grupo RAC  e conversou com exclusividade para a coluna o Mercado por Elas sobre o que tem aplicado na prática no setor.              

Elisa Rosenthal: Júlia, a preocupação da RAC Engenharia é perceptível e tangível. Como funciona a dinâmica de um departamento de sustentabilidade corporativa e quais são suas principais conquistas frente ao departamento?              

Júlia Basso: O setor de Sustentabilidade Corporativa surgiu com a percepção da importância das nossas iniciativas de sustentabilidade, de inovação e de impacto social permearem todas as áreas do Grupo RAC. Assim sendo, o setor atua de forma estratégica, alinhado à Governança, identificando oportunidades, não só de minimizar nossos impactos negativos, como de potencializar os benefícios das nossas atividades como um todo.

Sem dúvida, a publicação do primeiro Relatório de Sustentabilidade do Grupo RAC representou um grande marco para nós. O material foi elaborado de acordo com as diretrizes internacionais da Global Reporting Initiative (GRI) e relata, de forma integrada e ética, a sustentabilidade no seu mais amplo nível (econômica, ambiental e social).            

ER: As pesquisas do Instituto Mulheres do Imobiliario e behup dão conta que as mulheres priorizam empresas com setor e certificações na hora da tomada de decisão pela compra do imóvel. Sabendo que nós, mulheres, também somos as principais influenciadoras nesta jornada, como a RAC sente estes indicadores em sua performance de vendas?                                                       

JB: Essa priorização tende a se tornar cada vez mais evidente. O Grupo RAC incorpora muitas dessas práticas, que além de servir para tornar nossos empreendimentos mais sustentáveis e inovadores, é o nosso objetivo principal, a iniciativa tem trazido retorno positivo e perceptível.           

Um bom exemplo são as vendas do Árten, o novo lançamento da HIEX Empreendimentos, no qual constatamos que em torno de 20% dos clientes chegaram ao empreendimento devido à identificação com a questão da sustentabilidade, consolidando e tornando cada vez mais evidente o que acreditamos: que o consumidor valoriza e deseja ocupar ambientes sustentáveis, que proporcionem maior bem-estar e que contribuam para um mundo mais harmônico.

ER: Recentemente a empresa entrou para o seleto grupo de companhias com certificação B Corp em nosso setor. O que isso significa para vocês? E para o mercado e consumidores?

JB: Para nós, sermos reconhecidos como a primeira Empresa B do setor de construção civil do Sul do país é motivo de muito orgulho, pois atesta o equilíbrio entre propósito e lucro das organizações certificadas.                

A conquista dessa chancela não é apenas um reconhecimento de resultados, mas também uma identificação de melhorias, já que o processo é bastante complexo e repleto de análises e avaliações. Por isso, além de ficarmos felizes com o que realmente está caminhando bem, também temos a oportunidade de olhar para o que, eventualmente, precisa evoluir.            

Para o consumidor, reafirmamos o nosso compromisso de causar impactos positivos, considerando nossos públicos de interesse na tomada de decisão através de ações mais transparentes, oportunizando que ele faça escolhas mais conscientes e com maior segurança.                             

ER: Quais os próximos passos da agenda ESG da RAC?

JB: Sabemos que a evolução nessa agenda deve ser constante e, por mais que tenhamos orgulho da nossa trajetória até o momento, é apenas o início.                      

Conduzimos cada vez mais para nossas atividades de forma integrada, buscando levar esse olhar atento para nossos canteiros, através da mitigação da pegada de carbono das atividades; para nossos colaboradores e clientes, aumentando o bem-estar durante e após as obras; e para nossos fornecedores, através do mapeamento socioambiental de toda a cadeia.                  

A visão estratégica da empresa contempla metas e planos de ação para evoluirmos cada vez mais no nosso propósito de criar lugares que mudam o mundo.

*Elisa Rosenthal é Diretora presidente do Instituto Mulheres do Imobiliário. LinkedIn Top Voices, TEDx Speaker. Colunista na Revista HSM Management, no Conecta Imobi Mundo Zumm e na Exame Invest. Autora de “Proprietárias: A ascensão da liderança feminina no setor imobiliário”