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Álbum de figurões: uma ideia contra a impunidade

Um “álbum de figurões” permitiria acompanhar o desfecho de casos de corrupção e manter sob escrutínio público investigações, condenações e penas

 (Richard Heathcote/Getty Images/AFP)

(Richard Heathcote/Getty Images/AFP)

Publicado em 20 de julho de 2026 às 15h14.

Última atualização em 20 de julho de 2026 às 16h55.

Esta edição da Copa do Mundo, com 48 seleções e bilhões de telespectadores, consagrou-se como o maior espetáculo da Terra. Foram seis semanas de jogos eletrizantes, com recorde de gols e partidas que se decidiram apenas nos minutos finais. Isso sem falar na surpreendente performance das seleções africanas, como Cabo Verde e República do Congo. Agora, infelizmente, acabou a festa. Só em 2030.

Durante a Copa, milhões de brasileiros viveram a mesma rotina: abrir pacotinhos de figurinhas, colar no álbum, trocar as repetidas no recreio da escola ou frequentar as “arenas” de troca montadas nos shopping centers Brasil afora. Uma verdadeira febre que tomou conta de brasileiros de todas as idades. O fenômeno impressiona pela dimensão de sua adesão, especialmente por se tratar de uma atividade eminentemente analógica, física, olho no olho, coisas cada vez mais raras nos dias de hoje.

Inspirado pela Copa, penso que seria interessante se fosse lançado no Brasil um novo tipo de álbum. Porém, não me refiro a um álbum de figurinhas, mas sim de figurões. Ao invés dos craques do futebol, no álbum dos figurões estariam os craques da corrupção, as bolas de ouro dos desvios de recursos públicos, os artilheiros das fraudes, das emendas secretas, do roubo dos aposentados do INSS e de tantos outros escândalos que presenciamos diariamente. Imaginem um álbum onde a sociedade civil pudesse acompanhar, pari passu, o que realmente acontece com todos esses figurões que dilapidam o patrimônio do Brasil.

Estamos acostumados a ler sobre denúncias bombásticas, investigações, operações sofisticadas da Polícia Federal, indiciamentos e abertura de inquéritos. Até aí, normalmente acompanhamos tudo pela mídia. Depois, vêm as ações judiciais, os recursos, as discussões processuais, os conflitos de competência, as nulidades, as prescrições e as penas brandas. Os anos passam… e o assunto desaparece das manchetes — a sociedade esquece. Casos estrondosos, num primeiro momento, tendem a se perder nos escaninhos da burocracia e na memória da população. Até surgir o próximo e, novamente, gerar revolta e indignação.

O Álbum de Figurões, que poderia ser criado por alguma entidade da sociedade civil, colecionaria esses casos em uma espécie de álbum digital, acompanharia sua evolução e se tornaria objeto de consulta permanente pela imprensa e pela sociedade. Houve condenação? Qual foi a pena? A pena foi cumprida? Os recursos foram devolvidos? Em uma democracia, nenhum Poder está acima do escrutínio da sociedade. Assim, com transparência e publicidade, poderíamos acompanhar o desfecho de cada um dos escândalos e saber se os responsáveis realmente receberam a punição que mereciam.

O Álbum de Figurões se tornaria, então, um instrumento poderoso para ajudar a combater, de uma vez por todas, um dos principais males do Brasil: a impunidade.