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O problema nunca foi apenas o placar. Foi a gestão

O desempenho de empresas depende da qualidade da gestão, da cultura consistente e da força da liderança. No futebol acontece exatamente o mesmo

Endrick lamenta eliminação do Brasil na Copa de 2026 para a Noruega (Will Oliver/EFE)

Endrick lamenta eliminação do Brasil na Copa de 2026 para a Noruega (Will Oliver/EFE)

Adriano Lima
Adriano Lima

Autor do livro "Você em Ação"

Publicado em 6 de julho de 2026 às 18h42.

Eu estava no estádio em Nova Jersey quando olhei para o telão e vi um número que explicava muito mais do que o 2 a 1 da Noruega sobre o Brasil. No primeiro tempo, a seleção norueguesa terminou com 68% de posse de bola. Não era apenas uma estatística. Era um retrato de como duas organizações chegaram àquele jogo em momentos muito diferentes de gestão, cultura e liderança.

No mundo corporativo, aprendemos que resultados são consequência. O desempenho de uma empresa nasce da qualidade da sua gestão, da consistência da sua cultura e da força da sua liderança. No futebol acontece exatamente o mesmo. O placar de ontem começou a ser construído muito antes do apito inicial.

Gestão

Desde a derrota por 7 a 1 para a Alemanha, em 2014, o futebol brasileiro conviveu com sucessivas promessas de transformação. Nesse período, a CBF passou por crises de governança, mudanças de comando, dirigentes afastados por decisões judiciais e investigações, além de um ciclo recente marcado por demora na definição da comissão técnica.

Nas empresas, organizações submetidas a esse nível de instabilidade dificilmente sustentam alta performance. No futebol, não é diferente.

Cultura

Historicamente, o Brasil foi reconhecido por um futebol criativo, ofensivo e protagonista. Aprender com outras escolas é saudável. O risco está em copiar modelos a ponto de perder a própria identidade.

Soma-se a isso o fato de que muitos dos nossos talentos deixam o país ainda muito jovens e são formados competitivamente no futebol europeu. A pergunta é inevitável: estamos apenas internacionalizando jogadores ou também abrindo mão daquilo que fez do futebol brasileiro uma referência mundial? Cultura não é nostalgia. É vantagem competitiva.

Liderança

Ao longo da história, a Seleção Brasileira contou com capitães que organizavam emocionalmente o time nos momentos decisivos. Ontem, essa liderança pareceu faltar. O episódio envolvendo a cobrança do pênalti expôs uma equipe sem uma voz claramente reconhecida para conduzir o grupo sob pressão. Liderança não impede erros; ela evita que os erros se transformem em desorganização.

Como resume Felipe Azevedo, CEO da LG Lugar de Gente:

“Quando faltam gestão, liderança e cultura de pertencimento, o talento individual deixa de sustentar o resultado. No futebol, assim como nas empresas, não basta reunir grandes nomes ou ocupar grandes cargos. É preciso ter direção clara, confiança, disciplina coletiva e responsabilidade compartilhada. Quando cada um parece jogar por si, o time perde força, perde identidade e, nos momentos de maior pressão, a execução falha. A derrota do Brasil deixa uma lição importante para o mundo corporativo: cultura não é discurso de vestiário nem frase na parede do escritório. Cultura aparece quando o jogo aperta.”

Ontem, eu estava no estádio e vi a Noruega vencer por 2 a 1. Mas o resultado mais importante não apareceu no placar. Ele apareceu na forma como duas culturas, duas gestões e duas lideranças entraram em campo.

No fim, futebol e empresas obedecem à mesma lógica. O placar é apenas a fotografia final. O verdadeiro jogo começa muito antes dele. Toda empresa tem o desempenho que sua gestão constrói, a cultura que cultiva e a liderança que desenvolve. E, muitas vezes, toda seleção também tem o resultado que sua gestão merece