Quem faz isto na aula de inglês tem vantagens ao aprender o idioma

Você tira fotos do quadro na sala de aula? Professora de inglês fala sobre as vantagens de aprendizado de escrever o conteúdo à mão

Você usa o teclado do notebook, tablet ou celular para anotar o conteúdo das aulas? Ou prefere tirar fotos pelo celular das anotações do professor no quadro?

Em um mundo no qual o teclado é quase unânime, a prática de escrever à mão vai se perdendo dia após dia. Não há como negar a facilidade que a tecnologia nos traz, mas, quando optamos pela comodidade, ou até pela preguiça, negligenciamos os grandes benefícios que a escrita nos traz, em especial ao nosso cérebro.

Ao tirar uma foto do conteúdo no quadro, gravar o que o professor está falando ou anotar com o teclado, conseguimos registrar tudo, mas não estamos absorvendo as informações. Quando anotamos à mão, não conseguimos pegar todas as palavras do professor. Consequentemente, temos de fazer um resumo do conteúdo em nossa mente ou pincelar as palavras-chave.  Isso nos obriga a prestar mais atenção.

Há inúmeras pesquisas sobre a importância da escrita na retenção de conteúdo no processo de aprendizagem, alguns estudos relevantes foram realizados pela Universidade de Stavanger (Noruega); Universidade do Mediterrâneo de Marselha (França); Universidades de Princeton, da Califórnia, de Bloomington e Academy of Management Journal (EUA).

Todos analisaram a reação do cérebro em dois contextos: escrever, utilizando o teclado com as duas mãos e escrever usando apenas a mão sobre o papel. Estas são algumas das conclusões obtidas:

- Ao escrever à mão, são ativados, simultaneamente, três processos cerebrais: a área visual, a habilidade motora (nosso cérebro recebe um feedback de nossas ações motoras, juntamente com a sensação de tocar em um lápis, caneta e papel) e a capacidade cognitiva (já que lembrar da forma de cada letra requer um tipo diferente de resposta do cérebro). Enfim, escrever à mão envolve a mente.

- Quem faz anotações em papel se sai significativamente melhor em avaliações do que os alunos que anotam por teclado. Estes conseguem registrar mais informações da aula. No entanto, os que anotam em papel devem compreender o que o professor diz para escrever com suas próprias palavras.

- Colocar os pensamentos no papel nos ajuda a organizar melhor a mente e pode até proporcionar uma reflexão que não tínhamos imaginado ou uma solução para algum problema. Escrever coloca as coisas em perspectiva e auxilia na tomada de decisões. Além disso, também ajuda a incrementar nossa inteligência emocional.

Escrever à mão ao aprender um idioma estrangeiro:

  1. Ajuda na memorização e automação do conteúdo das aulas e, consequentemente, na aquisição de fluência.
  2. Ajuda na criatividade, pois gera novas ideias e elas são importantes na construção de frases, vocabulário e estruturas gramaticais, em outra língua.
  3. Ajuda na ortografia, já que é mais fácil cometer erros e, com eles, aprender. O corretor trabalha por nós e deixamos de pensar no idioma.
  4. Melhora o aprendizado, já que o corpo e a mente elaboram conceitos mentais que facilitam a compreensão.
  5. Estimula a capacidade cognitiva do cérebro. Quando escrevemos, obrigamos o cérebro a reduzir a velocidade de suas funções, de modo que a mão possa escrever fisicamente o conceito em um papel. O cérebro ativa as funções relacionadas com a revisão e reorganização dos pensamentos. Em outras palavras, dá tempo para o cérebro digerir as informações.
  6. Ajuda a viver as emoções de forma leve. Muitas vezes, serve de alívio quando temos sentimentos paradoxais e desencontrados. A escrita à mão também pode nos ajudar a administrar as chateações quando, por exemplo, não conseguimos manter um diálogo no idioma estrangeiro.

Por fim, escrever à mão é um exercício cognitivo que pode prevenir doenças degenerativas como o mal de Alzheimer. Aprender novas línguas é uma ótima ginástica para o cérebro, pois evita o envelhecimento dos neurônios.

Lígia Velozo Crispino, fundadora e sócia-diretora da Companhia de Idiomas. Graduada em Letras e Tradução pela Unibero. Curso de Business English em Boston pela ELC. Coautora do Guia Corporativo Política de Treinamento para RHs e autora do livro de poemas Fora da Linha. Colunista do portal Vagas Profissões. Organizadora do Sarau Conversar na Livraria Martins Fontes.

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