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Vídeo mostra índios isolados no Acre fazendo contato

Grupo isolado fez primeiro contato no Brasil com indígenas de outra aldeia. Eles sofrem pressões em território peruano

ìndios isolados fazem contato no Acre com aldeia Ashaninka (Reprodução YouTube)

ìndios isolados fazem contato no Acre com aldeia Ashaninka (Reprodução YouTube)

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Da Redação

Publicado em 30 de julho de 2014 às 11h21.

São Paulo – Há cerca de um mês, um grupo de índios isolados fez contato com brasileiros pela primeira vez.. O grupo de quatro homens jovens se comunicou com outros indígenas, da etnia Ashaninka, no Acre; em uma aldeia supervisionada pela Fundação Nacional do índio (Funai). Um dos servidores da fundação filmou o encontro (que pode ser visto ao final).

Os contatos foram feitos nos dias 29 e 30 de junho na Aldeia Simpatia, na Terra Indígena Kampa e Isolados do Alto Rio Envira, no estado do Acre.

Três dias antes, o grupo já havia sido avistado.

O índio Fernando Kampa, dos Ashaninka, foi responsável por estabelecer comunicação com o grupo.

O vídeo mostra Fernando entregando cachos de banana aos índios, que antes tinham sinalizado estar com fome.

Os isolados pediram ainda as calças de servidores da Funai. Por isso, um deles é mostrado apenas de cueca no vídeo.

Segundo a Fundação, a Frente de Proteção Etnoambiental Envira monitora quatro grupos de povos indígenas isolados confirmados na região.

A política brasileira hoje é do não contato. Somente a partir do momento em que os isolados decidem se comunicar é que são organizadas ações de intervenção e um plano de contingência, principalmente na área de saúde.

A razão do contato do grupo ainda não está clara.

Não sabemos exatamente qual o motivo de eles terem estabelecido este contato específico. Acreditamos que com uma comunicação maior a gente possa compreender melhor as razões", ressaltou ao G1 o coordenador-geral de Índios Isolados e Recém Contatados da Funai, Carlos Lisboa Travassos.

Segundo a própria Funai, porém, em diálogos intermediados por um intérprete, os índios relataram sofrer atos de violência praticados por não índios em território peruano.

Podem vir daí as armas carregadas pelo grupo. 

São dois focos de pressão na região que ameaçam a sobrevivência destes grupos: conflitos entre os próprios indígenas e os contatos com narcotraficantes e madeireiros do Peru.

Neste primeiro contato, depois de muito diálogo, eles foram convencidos a passar por tratamento médico, já que apresentavam sinais de gripe. Depois, voltaram para suas terras.

Saques
Depois do contato destes primeiros quatro índios, uma mulher com uma criança também apareceu, segundo relatório dos servidores da Funai obtido pelo Blog da Amazônia, no Terra Magazine.

O texto relata também o que pode ser visto no vídeo: do grupo, três indígenas decidem entrar na aldeia Ashaninka, onde saqueiam objetos como machados e camisetas.

O mesmo documento mostra as dificuldades dos grupos indígenas em se relacionarem de forma pacífica.

Um dos indígenas da aldeia Simpatia, Gilberto Kampa, havia subido o rio pouco tempo antes para arrancar macaxeira e após ver os isolados ficou ilhado no roçado. Sua esposa veio até a aldeia chorando e pediu para que fôssemos buscá-lo. Além de Gilberto, estavam com ele dois de seus filhos com idade entre 3 e 5 anos, diz trecho do relatório

Ao G1, um indígena que atuou como intérprete afirmou que o grupo procura se armar, após sofrer grandes perdas em confrontos com não índios há dois anos, possivelmente do lado peruano.

Um dos índios considerados isolados portava uma espingarda, como mostram as imagens.

De acordo com o Blog da Amazônia, oito dos isolados retornaram à Aldeia Simpatia no último domingo, 27, e se estabeleceram por lá.

Confira o vídeo do contato no dia 30 de junho:

//www.youtube.com/embed/Sb7alahD-BE

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