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O Brasil não é homofóbico, diz deputado gay do PSL acusado de transfobia

Para Douglas Garcia, deputado do PSL em SP, o país tem poucas pessoas homofóbicas; ele defende armas para combater discriminação

São Paulo — Passava pouco mais das 17h40 desta sexta-feira (5) quando a deputada do PSL, Janaína Paschoal subiu ao palanque da Assembleia Legislativa de São Paulo e anunciou que o deputado Douglas Garcia, também do PSL, é gay.

“Ele conseguiu conversar com os pais dele e dizer para eles que é homossexual”, relata Janaína emocionada.

Isso não era para ser surpresa se no começo da tarde de quinta-feira (4) o deputado não tivesse falado que tiraria “no tapa homem que se sente mulher” do banheiro.

A frase foi dita durante a apresentação de um projeto de lei do deputado Altair Morais (PRB-SP) para que se estabeleça "o sexo biológico como o único critério para definição do gênero de competidores em partidas esportivas oficiais no estado".

“Homens são mais fortes que as mulheres mesmo sendo trans, temos características, características que nos dão mais força”, diz Garcia defendendo o projeto.

O deputado falou com EXAME sobre os últimos acontecimentos e afirma que “não consegue nem beber um copo de água” desde que tudo começou, e afirma que o Brasil não é um país homofóbico. “Apenas algumas pessoas são homofóbicas no país”.

EXAME: O que te levou a se assumir publicamente?

Douglas Garcia: Depois da minha figura de linguagem, porque eu não quis atacar a deputada do PSOL, Erica Malunguinho, eu usei apenas uma figura de linguagem, eu recebi muitas mensagens de pessoas do meu passado, de relacionamentos antigos me chamando de hipócrita, me ameaçando, dizendo que minha máscara iria cair e que iriam falar publicamente sobre mim.

Eu decidi falar e não aceitar ameaças. Eu nunca senti vontade de dizer isso publicamente, isso é um foro intimo meu. Sigo a linha de raciocínio do Clodovil.

EXAME: O senhor ficou preocupado com a reação de seus colegas da Assembleia Legislativa?

DG: Na verdade eu fiquei preocupado com vocês da imprensa, com as notícias falsas que iriam divulgar. Ontem mesmo me chamaram de homofóbico, transfóbico, eu virei tudo terminado com “óbico”.

Meus colegas parlamentares me apoiaram, estou recebendo mensagens de muitos parlamentares me parabenizando. Estão felizes com essa posição.

EXAME: Por ser do PSL, um partido conhecido pelo conservadorismo, você acredita que isso possa trazer retaliações?

DG: De jeito nenhum. A bancada tem diversidade. Eles me aceitam do jeito que sou e vou continuar defendendo o que eu sempre defendi. Defendo a proibição da ideologia de gênero, defendo a escola sem partido, fim das cotas e apoio o porte de arma, porque eu acho que é apenas com armas que podemos combater a homofobia, o machismo e o racismo.

Não será um textão na internet que combaterá a homofobia. Legitima defesa para todos. O Brasil não é homofóbico, apenas algumas pessoas são homofóbicas dentro do país.

EXAME: Muitas pessoas foram às redes sociais para falar que sua declaração seria para minimizar os ataques contra as falas referidas a deputada do PSOL...

DG: Fale para essas pessoas perguntarem para meus amigos mais próximos. Fale para eles falarem com a minha ex-namorada.

EXAME: Namorada? Feminino?

DG: Sim.

EXAME: O senhor se considera homossexual ou bissexual?

DG: Eu terminei o meu namoro com uma mulher porque estava ficando muito sério e eu gostava de homens.

EXAME: Porque o senhor pediu para a deputada Janaína Paschoal subir ao palanque e falar sobre a sua homossexualidade ao invés do senhor?

DG: Porque ela é uma pessoa que sempre se preocupou muito comigo. Ela estava aflita porque queriam cassar o meu mandato. Ela é a parlamentar mais próxima de mim, então pedi à ela fazer esse pronunciamento.

EXAME: O senhor falou com seus pais recentemente. O que eles falaram para o senhor?

DG: Que eles me amam incondicionalmente.

Assista à fala de Janaína Paschoal na Alesp:

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