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Novo escândalo surge em um refúgio de ricos e famosos

Junto a uma faixa costeira de praias de areia branca e resorts de alto padrão, o próximo grande escândalo de corrupção do Brasil começa a ser revelado

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Praia na Ilha de Cataguás, em Angra dos Reis: essa nova fase da investigação ameaça provocar ainda mais danos à economia, diz especialista (KarlaFPaiva/Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

Praia na Ilha de Cataguás, em Angra dos Reis: essa nova fase da investigação ameaça provocar ainda mais danos à economia, diz especialista (KarlaFPaiva/Wikimedia Commons/Wikimedia Commons)

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Vanessa Dezem

Publicado em 29 de julho de 2015 às, 16h55.

São Paulo - Logo ao sul do Rio de Janeiro, junto a uma faixa costeira conhecida por suas praias de areia branca e resorts de alto padrão, o próximo grande escândalo de corrupção do Brasil começa a ser revelado.

Esse tem semelhanças notáveis com o caso colossal de pagamento de propina que envolveu a gigante estatal Petrobras, e ajudou a colocar o Brasil no caminho de sua pior recessão em 25 anos, além de deixar a presidente Dilma Rousseff em posição de ter que lutar por sua sobrevivência política.

Não há coincidência: muitos personagens são os mesmos.

No centro dessa história está outra empresa administrada pelo Estado, a Eletrobras, e seu projeto Angra III, uma usina de energia nuclear escondida em uma baía com ilhas cobertas de vegetação, que se tornou uma espécie de playground para os ricos e famosos do Brasil.

Cinco das construtoras cujos executivos foram presos com alegações de suborno na Operação Lava Jato, que tinha a Petrobras como principal foco, também receberam contratos para participar da construção da usina nuclear de R$ 14,9 bilhões (US$ 4,4 bilhões).

“O modelo é o mesmo que o da Petrobras”, disse Adriano Pires, diretor do CBIE, uma consultoria de energia e infraestrutura com sede no Rio de Janeiro.

“O governo brasileiro criou um sistema em que grandes empresas estatais são usadas para objetivos políticos e são responsáveis por grandes consórcios de infraestrutura. É uma atmosfera que favorece a corrupção”.

Enquanto a investigação à Petrobras foi chamada de “Lava Jato” pelos investigadores em alusão a um posto de gasolina usado para a lavagem de dinheiro, essa nova fase ganhou o nome de “Radioatividade”.

Nesta terça-feira, a Polícia Federal prendeu o presidente licenciado da unidade nuclear da Eletrobras, a Eletronuclear, e o presidente da AG Engenharia, uma unidade da construtora Andrade Gutierrez, em mais uma etapa da Lava Jato.

A Eletronuclear não respondeu ao contato da Bloomberg e a Andrade Gutierrez preferiu não comentar.

Do Rio à Amazônia

Os mandados de prisão estão entre as 30 ordens judiciais emitidas com base no depoimento de Dalton Avancini, presidente da construtora Camargo Corrêa SA, que disse que sua empresa e outras empresas ganharam contratos para Angra III graças ao pagamento de propinas, afirmou o delegado da PF, Igor Romário de Paula, a repórteres em Curitiba.

A Camargo Corrêa não respondeu até o momento os pedidos de comentário.

No mesmo depoimento, Avancini também denunciou outro projeto da Eletrobras, a usina hidrelétrica de Belo Monte, de R$ 30 bilhões, no coração da Amazônia brasileira, disse uma fonte com conhecimento direto do assunto à Bloomberg News, em março.

Ao anunciar as prisões, a PF afirmou que projetos como Angra III provam que é com pagamento de propinas que os contratos para grandes obras públicas são obtidos e os negócios são feitos. Não apenas na Petrobras, mas em todo o Brasil.

Corrupção ‘endêmica’

“A corrupção é endêmica e há sinais de que ela se estende a várias instituições no Brasil”, disse o procurador Athayde Ribeiro Costa a repórteres em Curitiba, onde a investigação sobre a Petrobras e a Eletrobras está baseada. “Estamos em estado de metástase”.

A Andrade Gutierrez ganhou o contrato para a construção da usina de energia nuclear de 1.405 megawatts, que deverá começar a operar em 2018 e faz parte de um complexo nuclear.

A empresa e outras construtoras ganharam contratos para a montagem de equipamentos.

A polícia afirmou em uma entrevista coletiva, na última terça-feira, que o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, que saiu de licença em abril, teria aceitado propinas em troca da concessão de contratos para pelo menos duas construtoras.

Flávio Barra, presidente da unidade de engenharia da Andrade Gutierrez, também foi preso. Barra também é presidente do conselho do consórcio de empresas que está construindo Belo Monte. Helton Pinto, advogado de Silva, não respondeu a ligações.

A Bloomberg não conseguiu contatar representantes de Barra.

Tribunal de Contas

Embora a Polícia Federal tenha preferido não confirmar se havia sido aberta uma investigação a respeito do projeto da usina hidrelétrica, o Tribunal de Contas da União, órgão que fiscaliza as contas do governo e é conhecido como TCU, disse no mês passado que iniciou uma investigação sobre o projeto.

A Eletrobras, que não respondeu a pedidos de comentário, disse que contratou dois escritórios de advocacia para conduzir uma investigação interna, que analisará as relações da empresa com companhias ligadas às investigações da Lava Jato.

Assim como a investigação à Petrobras paralisou o setor da construção no Brasil e tirou alguns projetos de petróleo dos trilhos, essa nova fase da investigação ameaça provocar ainda mais danos à economia brasileira, disse Pires.

“Essa investigação é um outro golpe para o setor brasileiro da eletricidade, que já estava sofrendo com a intervenção do governo”, disse ele.

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