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Morreu nesta quarta-feira o cientista social Luiz Werneck Vianna, aos 86 anos, no Rio de Janeiro. Também graduado em Direito, o intelectual lecionou em universidades do país e publicou livros considerados fundamentais para a sociologia brasileira, como “Liberalismo e sindicato no Brasil” (1976) e “A revolução passiva: iberismo e americanismo no Brasil” (1997).

Nascido em 1938 no Rio, Vianna foi criado no bairro de Ipanema, na zona sul da cidade. A trajetória em escolas de elite contou com percalços. Ele chegou a ser expulso de uma instituição devido à denúncia de pais por receio de possível “influência comunista”.

Amante da literatura, o afinco por livros era observado desde a juventude. Monteiro Lobato, Eça de Queiroz, Fiódor Dostoiévski e Miguel de Cervantes são exemplos de autores que influenciaram a inclinação de Vianna pelos valores humanistas que perpassam sua carreira.

Ele ingressou na faculdade de Direito da Universidade do Estado da Guanabara (atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ UERJ) em 1958. Dois anos depois, Vianna passou a fazer parte do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Quando iniciou a graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), m 1964, o golpe civil-militar ocorreu no país. Na época, Vianna era envolvido em movimentos esquerdistas e teve destacada sua atuação no Centro Popular de Cultura (CPC), instituição criada em 1962 por intelectuais de esquerda em associação com a União Nacional dos Estudantes (UNE).

Posteriormente, intelectual ingressou na primeira turma de mestrado do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ). Entretanto, ele teve a trajetória acadêmica interrompida pela perseguição sofrida pelo regime. Vianna chegou a responder cinco inquéritos policiais-militares e partiu para o exílio no Chile em 1970.

Vianna retornou ao Brasil no ano seguinte e foi detido por seis meses. Ao sair da cadeia, iniciou doutorado em Sociologia pela Universidade de São Paulo (USP) e passou a trabalhar no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP).

O intelectual continuou a integrar o PCB. Ele integrava um grupo de intelectuais que se dedicavam ao estudo da obra de Karl Marx e chegou a realizar um curso teórico na “Escola de Quadros” com Anastacio Mansilla, referência teórica dentro do Partido Comunista soviético à época, em 1974.

No mesmo ano, o sociólogo redigiu com outros intelectuais o programa político do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) – único partido legalmente instituído à época de oposição ao regime ditatorial. Intitulada “Liberalismo e sindicato no Brasil”, sua tese de doutorado foi defendida em 1976 e consolidou-se como um clássico de interpretação sociológica do Brasil.

Por três décadas, ele foi professor do IUPERJ e presidiu por dois a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS). Vianna era professor do Departamento de Sociologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Repercussão

O plenário da Câmara dos Deputados realizou um minuto de silêncio em homenagem ao sociólogo na noite desta quarta. O ex-deputado federal Roberto Freire (Cidadania) escreveu na rede social X (antigo Twitter) que a inteligência brasileira "perde um dos seus mais ilustres representantes".

"Perdi um velho camarada e amigo. Meu profundo sentimento pelo falecimento do grande cidadão brasileiro, Luiz Werneck Vianna. Meus pêsames a família e seus amigos e amigas", escreveu.

O deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ) afirmou que Vianna espalhou senso de justiça e "fará falta nesses tempos de tanta indigência intelectual".

A PUC-Rio lamentou a morte do professor."Luiz Werneck Vianna foi um intelectual de grande relevância para o campo da sociologia e para a comunidade acadêmica como um todo. Seu legado se estende nas orientações de muitas gerações, estudos e reflexões sobre a sociedade brasileira, onde deixou uma marca indelével na história do pensamento social no Brasil", afirmou em nota.

A ANPOCS manifestou profundo pesar pelo falecimento de Vianna e ressaltou a gestão dele como presidente da associação durante o biênio 2003-2004.

"Seu legado intelectual para as Ciências Sociais é inestimável, e seguirá inspirando reflexões sobre o Brasil do passado e do presente. Deixamos nosso abraço solidário e fraterno à família, amigos/as e colegas do Professor Luiz Werneck Vianna", disse em nota.

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