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BNDES prepara carteira de R$ 433 bi de projetos de metrô e BRT

Em entrevista ao podcast EXAME Infra, Nelson Barbosa, diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, detalhou investimentos em infraestrutura. O destaque é mobilidade

Nelson Barbosa: O plano está sendo apresentado a estados e municípios (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Nelson Barbosa: O plano está sendo apresentado a estados e municípios (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Publicado em 9 de abril de 2026 às 06h30.

Última atualização em 9 de abril de 2026 às 09h19.

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Os investimentos estruturados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na área de mobilidade urbana no Brasil podem alcançar R$ 433 bilhões ao longo de 20 anos.

O número foi revelado por Nelson Barbosa, diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, em entrevista ao EXAME Infra, podcast de infraestrutura da EXAME em parceria com a empresa Suporte.

Segundo ele, esse conjunto de projetos podem dobrar de extensão da quilômetros dos principais modais combinados, saindo de 2.018 quilometrôs para 4.4428 quilômetros.

“Alguns projetos já estão em preparação e outros ainda estão em fase de planejamento. Mas com isso esperamos ter um banco de projetos bem grande”, disse Barbosa.

O valor faz parte de um amplo mapeamento realizado em parceria com o Ministério das Cidades para identificar e organizar projetos nas 21 maiores regiões metropolitanas do país.

Segundo o diretor, as principais modalidades beneficiadas pelo investimento seriam metrô e BRT.

O plano está sendo apresentado a estados e municípios, e para cada caso deverá ser avaliada a melhor execução: concessões, parcerias público-privadas (PPPs) ou investimentos com maior participação direta do poder público.

O entendimento do BNDES é que, independentemente do modelo, haverá necessidade de apoio governamental, seja por meio de aportes no investimento (CAPEX), seja por subsídios tarifários.

“O BNDES não substitui, mas se soma ao setor privado. E principalmente em projetos de infraestrutura, quando o BNDES entra, atrai o setor privado”, afirmou Barbosa.

Mais de R$ 40 bilhões saneamento

Antes de avançar na mobilidade, o BNDES já ampliou sua atuação em saneamento básico. De acordo com Barbosa, dois projetos recentes se destacam pelo porte.

O primeiro abrange praticamente todo o estado do Pará, com investimento próximo de R$ 20 bilhões. O segundo contempla o estado de Pernambuco, também com previsão superior a R$ 20 bilhões.

Além desses, há projetos em andamento na Paraíba, Rondônia, Rio Grande do Norte e Goiás.

Segundo o diretor, a estratégia tem sido expandir o modelo de concessões para regiões com menor cobertura de serviços e um risco maior, especialmente Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

“Queremos que cada vez mais projetos sejam feitos com financiamento privado. Cada vez mais com taxas de mercado”, disse.

Infraestrutura social

Defensor de investimentos na chamada infraestrutura social, que abrange educação, saúde e segurança, Nelson Barbosa detalhou alguns projetos na área.

Segundo o diretor, o BNDES separa as fases de preparação dos projetos, na qual ele trabalha, da fase de financiamento e execução. Incentivar investimentos em infraestrutura social se tornou seu novo desafio.

Na educação, a ênfase tem sido na ampliação de vagas em creches por meio de PPPs. O modelo mantém a atividade pedagógica sob responsabilidade do poder público, enquanto o parceiro privado cuida da construção, manutenção, zeladoria e alimentação, conforme diretrizes governamentais.

De acordo com Barbosa, há projetos que mobilizam mais de R$ 1 bilhão por rodada, como iniciativas já em andamento em São Paulo e Minas Gerais. A expectativa é expandir entre 300 mil e 450 mil vagas de creche em diferentes municípios.

Já em segurança pública, o BNDES tem trabalhado na criação de um pacote de projetos voltado a monitoramento, iluminação pública, equipamentos de inteligência e combate ao crime cibernético. Diferentemente de outras áreas, esses projetos tendem a ser 100% públicos.

Há ainda a intenção de replicar o modelo já adotado em iniciativas de cidades resilientes, no qual o BNDES prepara o projeto e pode posteriormente financiar sua execução.

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