Brasil

Dilma ganha apoio do PMDB, mas divisão pode trazer prejuízos

Divisão dos peemedebistas evidenciou as dificuldades que a petista terá para consolidar esse apoio na base partidária

Presidente Dilma participa da convenção do PMDB com o vice-presidente, Michel Temer (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Presidente Dilma participa da convenção do PMDB com o vice-presidente, Michel Temer (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

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Da Redação

Publicado em 10 de junho de 2014 às 20h32.

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Brasília - A presidente Dilma Rousseff recebeu nesta terça-feira o apoio formal do PMDB para a reeleição, renovando a chapa com Michel Temer para vice, mas a divisão dos peemedebistas na votação --mais de 40 por cento votaram contra o acordo-- evidenciou as dificuldades que a petista terá para consolidar esse apoio na base partidária.

Ciente desse cenário, Dilma fez um apelo à militância peemedebista para que esteja ao seu lado "na luta que se avizinha."

“Eu preciso do PMDB e quero finalizar dizendo: sejamos nós cada vez mais parceiros, parceiros e irmãos nessa luta que se avizinha. Na nossa união está a nossa força”, pediu Dilma.

O deputado Danilo Forte (CE), um dos expoentes da ala contrária à aliança, disse à Reuters que o resultado da convenção pode se transformar numa vitória de pirro para Dilma, já que na base os peemedebistas que votaram contra a aliança não vão pedir votos para ela.

"Esses 40 por cento vão para a rua. Enquanto podemos ir para a rua para defender o novo, eles vão ter que fazer uma campanha de estúdio, de gabinete", afirmou o parlamentar. Dos 673 votos da convenção, 398 foram favoráveis à aliança e 275 contrários.

Por Apoio, PMDB Quer Mais

Ciente também que parte da insatisfação dos mais de 40 por cento de convencionais que votaram contra a manutenção da aliança está ligada ao seu tratamento pouco amistoso com o maior partido da coalizão, Dilma prometeu governar junto com o PMDB num eventual segundo mandato.

“Eu preciso do PMDB para juntos fazermos a melhor campanha. Mas sobretudo para juntos governar mais, com mais intensidade para o país e melhor”, acenou a petista.

Esse era um aceno esperado pela cúpula do partido, que nas últimas semanas se esforçou para evitar uma surpreendente derrota, depois que o movimento contrário à aliança ganhou corpo desde o início do ano.

Todas as negociações feitas para manter o PMDB ao lado de Dilma levam em conta uma repactuação da atual aliança, com mais espaço para o partido no governo e nas decisões do Executivo. Temer tentou evitar o caráter fisiológico da reivindicação após a convenção.

"A participação maior do PMDB é no tocante às políticas públicas do país. O PMDB reclama muito disso e tenho dito aos companheiros e ao governo que nós teremos uma participação muito maior nas políticas públicas. Quando digo políticas públicas... é um pouco a participação do PMDB na área social como teve no passado", explicou o vice-presidente.

"É na ação relativa à saúde, à educação, à integração nacional. Não é exatamante ministério", acrescentou.

Segundo ele, o partido quer participar ativamente da formulação do programa de governo e descartou apoiar qualquer mudança na regulação da mídia que mude a Constituição na parte que trata da liberdade de imprensa e de expressão.

Temer não descartou nem mesmo mudanças na área econômica. "É possível que tenha que haver revisões e ajustamentos como sempre ocorre na economia de um país", afirmou a jornalistas após a convenção.

Traições

Durante a votação na convenção, a cúpula do PMDB fez previsões bem otimistas, calculando que a manutenção da aliança venceria por ampla margem de votos. O presidente da legenda, senador Valdir Raupp (RO), chegou a desdenhar da ala rebelde.

"Não sei se eles conseguem chegar a 15 por cento dos votos", disse ele aos jornalistas. Mas quando as urnas foram abertas, o resultado surpreendeu aqueles que faziam prognósticos tão otimistas.

Um peemedebista ligado ao comando partidário disse à Reuters que a maior parte das traições vieram dos diretórios da Bahia, que apesar apoiar a pré-candidatura à Presidência do tucano Aécio Neves, prometeu a Temer que o apoiaria como vice na chapa de Dilma, e do Rio de Janeiro.

Entre os fluminenses, a aposta da cúpula do partido era que haveria uma divisão dos votos, mas eles cogitam que a maioria dos convencionais do Rio de Janeiro votaram contra a aliança.

A cúpula também achou estranha a ausência de convencionais da Paraíba e de Santa Catarina, que em tese votariam a favor da aliança. Essas dúvidas, porém, dificilmente serão esclarecidas, já que a votação foi secreta.

"Ganhamos com o pior cenário que prevíamos", disse esse peemedebista à Reuters, sob condição de anonimato, já que a ordem de Temer é não fazer caça às bruxas no partido.

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