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Sem provas, desembargadora diz que Marielle foi eleita pelo CV

Não há indício de que Marielle Franco tivesse alguma ligação com o crime, como afirmou a desembargadora Marilia Castro Neves, do TJ-RJ

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Marielle Franco, vereadora do PSOL morta no Rio de Janeiro (Câmara do Rio/Divulgação)

Marielle Franco, vereadora do PSOL morta no Rio de Janeiro (Câmara do Rio/Divulgação)

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Diogo Max

Publicado em 17 de março de 2018 às, 13h41.

Última atualização em 20 de março de 2018 às, 11h07.

São Paulo – A desembargadora Marilia Castro Neves, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), disse que a vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada nesta semana junto com o motorista Anderson Gomes, foi eleita pelo Comando Vermelho – afirmação que vem sendo desmentida por organizações que fazem verificação de fatos.

A declaração foi feita em um comentário a um post publicado pelo advogado Paulo Nader no Facebook.

"A questão é que a tal Marielle não era apenas uma 'lutadora'; ela estava engajada com bandidos! Foi eleita pelo Comando Vermelho e descumpriu 'compromissos' assumidos com seus apoiadores", diz a desembargadora, sem apresentar qualquer prova que corrobore com a afirmação.

"Ela, mais do que qualquer outra pessoa 'longe da favela' (sic) sabe como são cobradas as dívidas pelos grupos entre os quais ela transacionava. Até nós sabemos disso", acrescenta Marilia Castro Neves. "A verdade é que jamais saberemos ao certo o que determinou a morte da vereadora mas temos certeza de que seu comportamento, ditado por seu engajamento político, foi determinante para seu trágico fim".

A magistrada conclui seu pensamento, afirmando que "qualquer outra coisa diversa é mimimi da esquerda tentando agregar valor a um cadáver tão comum quanto qualquer outro".

Repercussão

A notícia da declaração da desembargadora, feita na última sexta-feira, repercutiu nas redes sociais, porque vai de encontro ao perfil conhecido da vereadora.

Nascida na favela da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, Marielle Franco se formou socióloga, militou pelos direitos humanos e se elegeu para o legislativo dois anos atrás.

EXAME entrou em contato com a assessoria de imprensa do TJ-RJ para ouvir a desembargadora. Assim que obtivermos resposta, este texto será atualizado.

À coluna da jornalista Mônica Bergamo, na Folha de S. Paulo, a desembargadora Marilia Castro Neves explicou-se dizendo que deu sua opinião "como cidadã" na página de um colega, já que não atua na área criminal, e que postou as informações retiradas do texto de uma amiga.

"A minha questão não é pessoal. Eu só estava me opondo à politização da morte dela. Outro dia uma médica morreu na Linha Amarela e  não houve essa comoção. E ela também trabalhava, lutava, salvava vidas", afirma a desembargadora, em entrevista ao jornal.

Marília também disse à coluna de Mônica Bergamo que não conhecia Marielle até saber de sua morte e que postou informações “que leu no texto de uma amiga”. Essas informações, ao que tudo indica, são falsas. Até agora não surgiu nenhum indício de que Marielle tivesse alguma ligação com o crime.

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