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Caminhoneiros chegam ao Planalto com 'pauta mais gorda' de reivindicações

Governo federal abriu novo canal de diálogo com categoria depois que acordo firmado na última quinta-feira foi frustrado

Greve dos caminhoneiros (Ricardo Moraes/Reuters)

Greve dos caminhoneiros (Ricardo Moraes/Reuters)

EC

Estadão Conteúdo

Publicado em 27 de maio de 2018 às 20h24.

Última atualização em 27 de maio de 2018 às 20h45.

Brasília - Pelo menos 15 caminhoneiros autônomos de vários Estados chegaram ao Palácio do Planalto na noite deste domingo, 27, para, segundo eles, se reunirem com o presidente Michel Temer a quem querem apresentar uma pauta de reivindicações.

Em linhas gerais, o grupo tenta reduzir o preço do diesel para patamares observados em meados do ano passado. Alguns representantes do grupo citam como referência o fim de julho de 2017, quando o diesel tinha preço médio em torno de R$ 3 no Brasil. O dado mais recente da Agência Nacional do Petróleo mostra o combustível usado pelos caminhões com preço médio de R$ 3,4950. Ou seja, queda de 16% ou cerca de 50 centavos por litro.

O grupo reforçará a pauta já apresentada na quinta-feira - com pedido de medida provisória para uma nova política de remuneração do frete e um decreto presidencial para zerar o PIS/Cofins - e também novos pedidos - como garantir 30% do transporte da carga dos Correios para motoristas autônomos. O encontro não está previsto na agenda do presidente da República.

"Nossa pauta é mais gorda que a apresentada antes", disse Gilson Barbosa, representante do Movimento de Transportes de Grãos, de Mato Grosso. O encontro tem representantes autônomos de Estados como Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e entorno do Distrito Federal. Ao chegar ao Planalto, os motoristas disseram que a audiência com Temer foi agendada, mas não informaram por quem.

Na reunião, caminhoneiros disseram que pedirão mais assertividade nas medidas prometidas pelo governo. Para a nova política para o frete, por exemplo, o governo se comprometeu a adotar uma nova tabela de referência em 1º de junho e atualizações trimestrais pela Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). O grupo pede que a mudança seja feita por MP e comece a vigorar imediatamente. O grupo também voltou a pedir a isenção da PIS/Cofins para o diesel por decreto presidencial.

Barbosa, do Mato Grosso, defendeu que os motoristas só voltarão a circular com medidas concretas publicadas e não simples promessas. "Queremos efetividade de ação. Nada de promessas. Só aceitamos medidas publicadas no Diário Oficial", disse Fábio Roque, transportador autônomo do Rio Grande do Sul. "Fomos convidados pelo governo. O movimento é soberano e estamos aqui para resolver. Não adianta acordo verbal. Só com as reivindicações publicadas no DO", emendou Barbosa.

Além de reforçar a pauta de quinta-feira ou pedir agilidade ao acordo já firmado, o grupo também trouxe novos pedidos ao governo. Um dos pedidos será a oferta de 30% da carga movimentada pelos Correios aos motoristas autônomos. O mesmo pedido foi feito para o transporte da Petrobras e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O acordo firmado na quinta-feira prevê que o governo oferecerá 30% do transporte da Conab, mas não garantiu o mesmo para a Petrobras e sequer menciona os Correios.

Aos jornalistas, alguns dos motoristas citaram que estavam no encontro realizado na última sexta-feira, mas não assinaram o documento firmado por outras entidades e o próprio governo. Segundo os autônomos que chegaram ao Planalto neste domingo, o grupo dialoga com as estradas e sabe com detalhe os pedidos dos caminhoneiros que estão parados nas rodovias.

Após a frustração com o acordo firmado na quinta-feira com líderes nacionais e que foi completamente ignorado pelas estradas, o Palácio do Planalto decidiu abrir diálogo com coordenadores regionais e específicos do movimento para tentar resolver o problema que já está no sétimo dia e ameaça se estender por tempo indeterminado. A ação foca especialmente os motoristas que estão à frente dos pontos de protesto com maior resistência ou considerados estratégicos pelo gabinete de monitoramento criado pelo governo federal.

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