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Amorim defende decisão de não receber presos de Guantánamo

Ministro confirma que Estados Unidos sondaram o país para receber os presos, mas disse que a situação não é um problema brasileiro

A negativa brasileira de receber presos de Guantánamo foi revelada pelo WikiLeaks

A negativa brasileira de receber presos de Guantánamo foi revelada pelo WikiLeaks

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Da Redação

Publicado em 3 de dezembro de 2010 às 11h12.

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Brasília - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse hoje (3) que não houve razões para o Brasil receber presos libertados da Base de Guantánamo, mantida pelos Estados Unidos em território cubano. Documentos diplomáticos confidenciais divulgados pelo site WikiLeaks mostram que, em 2005, o Brasil se recusou a receber, como refugiados, os suspeitos de terrorismo detidos pelos militares norte-americanos.

“Houve sondagens efetivas [do governo americano], mas o Brasil não achou adequado que devesse recebê-los por várias razões. Algumas eram pessoas suspeitas de terrorismo. O mais normal seria, se eram inocentes, que encontrassem de volta seu caminho na vida. Não havia razão para a gente importar um problema que não tem nada a ver conosco”, disse Amorim, no Rio de Janeiro.

Amorim minimizou um possível mal-estar provocado pela divulgação de documentos confidenciais, dizendo que, entre as informações vazadas, não havia nada muito “secreto”. “Não tem nada ali que seja top secret. Tem coisas que, ou a gente já sabia ou são interpretações subjetivas de agentes diplomáticos”, disse.

Segundo ele, no entanto, há documentos com teor interessante, como um despacho do embaixador norte-americano em Honduras, na época do golpe contra o então presidente Manuel Zelaya. “Há declaração do embaixador norte-americano em Honduras dizendo que foi um golpe totalmente contra a Constituição, que contrariava totalmente a democracia nas Américas. Isso é muito interessante, porque nós [do governo brasileiro] fomos muito criticados, por muitos, inclusive por alguns de vocês [da imprensa]”, disse.

Amorim também comentou as declarações dos Estados Unidos de que a diplomacia brasileira teria uma posição antiamericana. “Faz muito tempo que é assim. A não ser em momentos em que o Itamaraty foi especialmente compreensivo em relação a pressões estrangeiras, o Itamaraty é a primeira linha de defesa da soberania e tem a visão de conjunto. Muitas vezes, uma coisa que pode parecer atraente a um ministério, no seu conjunto pode trazer um preço que não vale a pena pagar”, afirmou.

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