Tendências no mercado de trabalho: o que esperar de 2022

Saiba quais serão os temas mais discutidos nas organizações nesse ano de reconstrução

Quem me conhece sabe que sou um tanto avesso à futurologia. Mas sempre estou em busca de dados e fatos que indiquem tendências do mercado de trabalho, principalmente aquelas que têm como base as percepções de empregadores e dos profissionais que estão na ativa ou em busca de recolocação. Sempre encontro, no cruzamento dessas opiniões, boas ideias e pistas sobre como estamos evoluindo ou precisamos evoluir na forma de trabalhar, produzir e colaborar.

Por sorte, atuo em uma organização que, globalmente, valoriza muito dados de pesquisa, como os que estão no recém-lançado Guia Salarial 2022, que anualmente apresenta tendências de cargos e salários de diferentes áreas, além de importantes insights do que se passa na mente dos contratantes e de quem é contratado. E é com base nas informações desse guia que eu gostaria de compartilhar algumas informações sobre o que nos espera no próximo ano:

Um mercado sem fronteiras

Com a quebra de paradigmas relacionados ao trabalho a distância, a guerra por talentos aumentou de maneira bastante considerável. Uma pesquisa da Robert Half corrobora isso: 91% dos entrevistados afirmaram que trabalhariam remotamente em uma empresa de outra cidade, do Brasil ou de outro país, e 64% conhecem alguém que já recebeu essa oferta. Nesse mercado sem fronteiras, os empregadores devem reforçar seus planos de atração e retenção, enquanto os profissionais precisam assumir as rédeas da própria carreira, para se manterem ou se tornarem atrativos ao mercado, sempre com atenção às habilidades técnicas e comportamentais mais exigidas.

Dificuldade para encontrar profissionais qualificados

A dificuldade para encontrar profissionais qualificados é um tema que sempre aparece com destaque em diferentes pesquisas produzidas pela Robert Half. E foi algo que se repetiu no Guia Salarial 2022. Quase 70% dos executivos afirmaram que, no próximo ano, preveem que terão mais dificuldade de encontrar talentos no mercado. Além disso, 49% temem perder seus profissionais de destaque e 48% sentem que o turnover está mais alto, se comparado ao período anterior à pandemia. Entre os principais motivos para a preocupação dos gestores com relação à retenção dos profissionais, estão: a abordagem da concorrência na retomada, o aumento da pressão no trabalho, a insatisfação dos profissionais com os próprios salários e o descontentamento dessas pessoas com a cultura corporativa.

Saúde mental dos colaboradores entre as prioridades da empresa

Recentemente, fizemos um estudo, em parceria com a The School of Life, sobre inteligência emocional e saúde mental no ambiente de trabalho. Nela, constatamos que, neste período de pandemia, mais da metade dos profissionais, entre líderes e liderados, deixou de produzir ou se engajar em algum momento, por se sentirem emocionalmente abalados. O Guia Salarial, por sua vez, observou que 53% dos líderes acreditam que seus colaboradores estão mais suscetíveis a crises de estresse, ansiedade e burnout. Ou seja, considerando que o sucesso do negócio também depende da mente e da inteligência dos profissionais, definitivamente, saúde mental também é um assunto corporativo.

Trabalho remoto deixa de ser um benefício

Muitos profissionais (76%) já veem o trabalho a distância como um modelo de operação, e não mais como um benefício pontual e esporádico. Desses, 38% afirmam estar dispostos a procurar um novo emprego, caso a empresa na qual trabalham não esteja disposta a permitir, ao menos de forma parcial, o trabalho remoto. A mudança na percepção e nas necessidades dos profissionais também fez com que 82% das empresas entrevistadas promovessem algumas mudanças no pacote de benefícios. Entre os benefícios adicionados, estão apoio psicológico 24 horas, horário flexível e subsídios para o home office, para comprar equipamentos ou arcar com despesas de luz, telefone e internet.

Práticas ESG elevadas a um diferencial competitivo

Ao ingressar na era ESG, a empresa tem a oportunidade de melhorar a imagem corporativa e aumentar a confiança do investidor. Mas não é só isso. A boa prática também tem potencial para fortalecer as iniciativas de atração e retenção de talentos. O Guia Salarial mostra que 83% dos profissionais afirmam que, em um processo seletivo, tendem a valorizar mais as organizações que possuem agenda ESG. Metade dos entrevistados disse que não troca de emprego, porque a empresa na qual atua olha para essas iniciativas. 

O ano que vem será de retomada e permeado por desafios. Mas, como a pandemia nos tornou especialistas em gerenciar crises, com estratégia, planejamento e equipe certa, temos pela frente meses de oportunidades para nos tornar melhores pessoas e profissionais, auxiliando as organizações na qual atuamos a alcançar ou retomar o posto de destaque que merecem. E nós, claro, iremos junto com elas.

Aqui, neste blog, você encontra outros artigos sobre carreira, gestão e mercado de trabalho. Também é possível ter mais informações sobre os temas na Central do Conhecimento, no site da Robert Half.

*por Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half para a América do Sul e autor do livro Para quem está na chuva… e não quer se molhar.

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