Desmistificando conceitos: diferenças entre investimentos ESG e de impacto

Por se tratar de uma ideia recente, parece ainda existir certa confusão de conceitos, principalmente com os investimentos ESG

Investimentos de impacto conciliando benefícios sociais e econômicos têm chamado cada vez mais atenção. Porém, por se tratar de ideia recente, parece ainda existir certa confusão de conceitos, principalmente com os investimentos ESG (sigla em inglês equivalente a ASG, em português, para ambiental, social e governança, vertentes que compõe o chamado tripé da sustentabilidade).

Os investimentos ESG, também chamados investimentos socialmente responsáveis (ou SRI, na sigla em inglês), são aqueles que obtêm lucro em torno do tripé da sustentabilidade. Logo, não partem da intenção de gerar impacto positivo em relação a um problema socioambiental, mas tratam de minimizar riscos e aproveitar oportunidades. Uma empresa de geração de energia a partir de fontes renováveis, como parques eólicos, seria um bom exemplo de investimento ESG.

Já os investimentos de impacto são aqueles feitos especificamente com a intenção de gerar solução para uma questão socioambiental, ao mesmo tempo que buscam gerar retorno financeiro. E, afora a clara intencionalidade que está na sua origem, estes investimentos demandam que se consiga efetivamente medir o impacto gerado (para mais informações, consulte o Guia do Metricis. Um exemplo de investimento de impacto seriam aqueles associados aos contratos de impacto social (social impact bonds), nos quais os investidores assumem riscos e são remunerados com base no atingimento de metas sociais previamente definidas, como melhoria na educação pública ou diminuição da reincidência entre presos de baixa periculosidade, por exemplo. Já existem no Brasil e no mundo fundos de venture capital especializados em investimentos de impacto, conhecidos por fundos de impacto.

Outra confusão comum ocorre entre os conceitos de investimentos de impacto e microcrédito. O microcrédito busca a inclusão social e produtiva de parcelas vulneráveis da população, na chamada base da pirâmide, por meio do empreendedorismo social. Usualmente, as organizações de microcrédito não buscam o lucro, apenas a sua sustentabilidade financeira. A confusão de conceitos ocorre porque, muitas vezes, essas organizações contam com doações de investidores que também alocam recursos em investimentos de impacto.

Os investimentos que não buscam o resultado econômico representam os chamados negócios sociais que, a partir do investimento inicial por filantropos e/ou empresas tradicionais, procuram lidar com alguma dor específica da sociedade ao mesmo tempo que garantem sua sustentabilidade financeira. O grande exemplo nesta categoria é a Grameen Danone Foods, em Banglasesh, fundada por Mohammad Yunus, Nobel da Paz, em parceria com a multinacional francesa Danone.

Como se pode perceber, no tocante aos investimentos em geral, existe uma gradação que tem em um de seus extremos os investimentos tradicionais, que buscam somente o lucro, passando pelos investimentos ESG, seguidos pelos investimentos de impacto e, na categoria subsequente, chegamos aos chamados negócios sociais. Vale notar que, na continuação desse movimento, chegaríamos à filantropia tradicional, que também tem papel relevante em um mundo que ainda apresenta muitas dores a serem superadas.

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