Plataforma une NFT e DeFi e cria mercado de produtos de luxo tokenizados

Empresa cria sistema para oferecer negociação de NFTs lastreados em ativos reais e quer tokenizar tênis raros, relógios caros e outros itens de mercados de luxo
 (iStockphoto/iStockphoto)
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Por Gabriel RubinsteinnPublicado em 21/07/2021 18:04 | Última atualização em 21/07/2021 18:45Tempo de Leitura: 3 min de leitura

A plataforma em blockchain 4K anunciou nesta semana a captação de 3 milhões de dólares (15,5 milhões de reais) em rodada de investimento liderada por Electric Capital, Crosscut Ventures, Collab+Currency, ConsenSys e IDEO CoLab. A empresa pretende usar a tecnologia blockchain e os NFTs para criar um mercado de itens de luxo e de colecionador.

A ideia é tokenizar ativos reais, transformando produtos físicos em NFTs — e, consequentemente, em ativos digitais que podem ser facilmente negociados. A empresa cuida da custódia do produto e o NFT circula livremente pela rede, inicialmente leiloado na plataforma e depois negociado ou trocado no mercado secundário. O dono do NFT pode trocar o ativo digital pelo produto físico no momento em que desejar.

“A 4K adiciona dimensões completamente novas ao mercado de itens colecionáveis e de luxo”, disse Richard Li, CEO da empresa. “Ela também adiciona uma dimensão completamente nova aos NFTs. Os NFTs sobre os quais a maioria das pessoas já ouviu falar são para ativos digitais. Estamos habilitando NFTs para ativos físicos. À medida que passamos uma parte maior de nossa vida online, unir os mundos físico e digital torna-se cada vez mais importante”.

O conceito é simples: o dono de um produto raro, por exemplo, um relógio Rolex ou um tênis de edição limitada, envia o item para a 4K, que faz a avaliação, a autenticação e o armazenamento do produto. Uma vez guardado o produto, seu proprietário recebe um NFT, que serve como representação do item físico. Esse NFT pode ser vendido, trocado, dado de presente, e seu proprietário poderá devolvê-lo à 4K e receber o produto equivalente quando assim desejar — no momento, apenas para consumidores dos Estados Unidos, mas em breve também de outras regiões.

No futuro, a ideia de Li é que esses NFTs possam ser alocados como colaterais em aplicações de finanças descentralizadas (DeFi), de plataformas como NFTX, NFTfi ou Taker, e, assim, gerar o pagamento de juros para seus proprietários. Enquanto isso não acontece, manter o NFT ao invés do produto real parece interessante apenas para quem quer especular com o produto, ganhando dinheiro com sua negociação, sem ter de se preocupar em transportar o produto de um lado para o outro.

A plataforma pretende atingir públicos como os "sneakerheads", como são chamados os colecionadores de tênis raros, colecionadores de relógios, entusiastas de vinhos, de carros antigos, ou quaisquer pessoas que tenham interesse por itens exclusivos e difíceis de comprar — seja pela escassez dos produtos, seja pela falta de segurança e confiabilidade nas negociações.

"Se você traz aspectos físicos para o universo cripto, que é totalmente digital atualmente, isso introduz uma classe de ativos e uma dinâmica totalmente novas para esse ecossistema", completou Li. "Podemos transformar qualquer coisa em um NFT e trazê-la para o mundo digital".

Li afirma que os itens recebidos pela empresa, e que servirão de lastro para seus respectivos NFTs, ficarão armazenados em instalação de alta segurança, e que a empresa terá auditorias externas e independentes para certificar sua existência. Além disso, todos os itens tokenizados terão seguro.

O lançamento da plataforma aconteceu na terça-feira, 20, e diversos itens já estão à venda, como relógios Rolex, tênis Yeezy e Air Jordan 1 e placas de vídeo GeForce.