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Exportações de carne para o mercado europeu não serão interrompidas, diz Alckmin

Representantes dos governos brasileiro e europeu se reúnem nesta quarta para discutir a decisão do bloco de excluir o Brasil de lista para exportar carne

Geraldo Alckmin durante evento da Abramilho em Brasília. (Abramilho)

Geraldo Alckmin durante evento da Abramilho em Brasília. (Abramilho)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 13 de maio de 2026 às 12h11.

BRASÍLIA* — O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) disse nesta quarta-feira, 13, que o veto à importação de carne brasileira pela União Europeia deve 'se equacionar'. Segundo ele, o Brasil e o bloco europeu já estão em negociais para entender a medida.

"Temos convicção de que as exportações de proteína para o mercado europeu não serão interrompidas. Exportamos carnes para a Europa ontem, estamos exportando hoje e vamos seguir exportando", disse Alckmin durante o 4º Congresso da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho).

Na terça-feira, 12, a UE divulgou uma lista de países autorizados a continuar exportando carne para o bloco, de acordo com as normas europeias de controle do uso de antibióticos na pecuária. O Brasil foi excluído dessa lista, enquanto países como Argentina, Colômbia e México foram incluídos por atenderem às exigências sanitárias europeias.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,8 bilhão em carnes (bovinas e carne branca) para os 27 países da União Europeia, tornando o bloco o segundo maior destino das exportações brasileiras de carne, atrás apenas da China, que importou US$ 9,8 bilhões no mesmo período. Em termos percentuais, apenas 3,6% da carne bovina do Brasil é exportada para a UE.

Entre janeiro e abril de 2026, o Brasil exportou 1,091 milhão de toneladas de carne bovina, um aumento de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025. A UE ocupa o quinto lugar entre os compradores brasileiros deste ano, com 34,7 mil toneladas e US$ 299,7 milhões em compras, uma alta de 17,7% no volume em relação ao ano passado, de acordo com dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec).

O vice-presidente disse que ficou surpreso com a notícia e defendeu o padrão sanitário do Brasil.

"Ficaram acordados alguns pontos para mantermos as reuniões e garantir que o Brasil, dos âmbitos governamental e privado, irá tomar todas as medidas que o setor precisar para se adequar a essas exigências", afirmou.

Reação do governo

Na terça, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em comunicado conjunto, os Ministérios da Agricultura, do Comércio Exterior e das Relações Exteriores que buscarão reverter essa decisão.

"O Governo do Brasil tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos", diz o texto.

Segundo as pastas, a decisão decorre do resultado da votação realizada hoje no Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, que aprovou uma atualização dessa listagem. No entanto, os Ministérios reforçaram que, no momento, as exportações brasileiras de produtos de origem animal continuam normalmente.

* O repórter viajou a convite da Abramilho

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