Stellantis e Ferrero se inspiram em um mercado de R$ 6 bi para ampliar experiência digital no varejo
Estudo da metaKosmos lançado no Fórum E-Commerce Brasil revela que o mercado de realidade aumentada (AR) e realidade virtual (VR) tem sido fundamental para os fundamentos no uso dos chamados agentes autônomos de IA


Luiz Gustavo Pacete
Consultor de Projetos Especiais
Publicado em 1 de agosto de 2026 às 08:00.
No mundo dos games e do entretenimento, tecnologias como realidade aumentada e realidade virtual não são novidades, mas o potencial de interação e de conversão em vendas que elas carregam começou a ser explorado recentemente pelo varejo. Dados divulgados pelo estudo inédito State of Immersive & Agentic Commerce 2026, lançado pela empresa de tecnologias imersivas metaKosmos durante o Fórum E-Commerce Brasil, mostram que o mercado nacional desses recursos movimentou R$ 6 bilhões em 2025. A projeção aponta para um crescimento anual de 10,74% até 2030, ano em que o país deverá alcançar a marca de 109 milhões de usuários dessas ferramentas.
A perspectiva de expansão ganha ainda mais tração com a chegada de uma nova onda: os agentes de inteligência artificial, cenário em que sistemas autônomos executam transações comerciais de ponta a ponta.
"Estamos diante de um oceano azul, visto que o e-commerce global movimenta US$ 6 trilhões hoje e a inteligência artificial pode intermediar metade disso em menos de cinco anos", destaca Ian Borges, cofundador e CEO da metaKosmos.
Grandes companhias já conseguem aplicar essas soluções de forma prática. Segundo Carina Oliveira, diretora de Brand Marketing Peças e Serviços da Stellantis South America, o uso de recursos tridimensionais aliados à realidade aumentada tem ajudado a aproximar o cliente da aquisição final.
"O consumidor de hoje espera experiências cada vez mais personalizadas e imersivas durante sua jornada, por isso investimos em um simulador de acessórios que oferece uma visualização muito mais próxima da realidade dos itens aplicados ao veículo", pontua.
Carina destaca dois resultados obtidos com a iniciativa. No modelo Fiat Strada, 87% das oportunidades geradas em acessórios tiveram origem na aplicação da tecnologia, contra apenas 13% na vitrine tradicional com imagens estáticas. No caso da Ram Dakota, o simulador respondeu por 79% das oportunidades comerciais, ajudando a impulsionar um crescimento superior a 40% nas vendas de acessórios originais tanto no ambiente digital quanto no suporte ativo da força de vendas nas concessionárias por meio de tablets.
A era dos agentes de IA
Ainda que possuam histórico consolidado, realidade aumentada e realidade virtual assumem um novo papel dentro do ecossistema de agentes autônomos. Projeções da McKinsey indicam que esses agentes têm o potencial de intermediar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões em transações até 2030, montante equivalente a até 80% do comércio eletrônico mundial atual.
Se no setor automotivo a tecnologia tangibiliza produtos de alto valor, nas indústrias de bens de consumo em massa ela atua na construção de hábitos e na ampliação da percepção de valor. Felipe Riera Michelotti, VP de Marketing da Ferrero, executivo responsável por marcas globais da companhia nos Estados Unidos e na sede em Luxemburgo, detalha como a inovação digital transformou a interação com o público por meio do ecossistema Kinder.
"Usamos tecnologias imersivas em aplicações simples, mas que mudam de forma significativa a dinâmica com os consumidores", explica.
Ele menciona como exemplo o aplicativo Applaydu, onde basta apontar a câmera do celular ou tablet para os brinquedos que vêm dentro do Kinder Ovo para que eles ganhem vida por meio da realidade aumentada.
A estratégia digital da fabricante estendeu-se para além do ambiente doméstico, integrando displays interativos com telas de LCD e códigos QR nos pontos de venda físicos para educar os consumidores sobre as funcionalidades tecnológicas. Em iniciativas nos Estados Unidos, a marca utilizou filtros interativos em parceria com plataformas de comércio eletrônico para gamificar datas comemorativas.
"No caso de Nutella, criamos um filtro que combina realidade aumentada com inteligência artificial para fazer a leitura dos ingredientes disponíveis na casa das pessoas, sugerindo receitas personalizadas em seguida", ilustra o executivo, definindo a ação como um exemplo clássico de como criar um novo hábito de consumo e reduzir barreiras de adoção.
Apesar dos resultados para as duas empresas acima, o levantamento da metaKosmos mostra que elas ainda são exceção. Embora os casos de sucesso comprovem saltos de até 100% nas taxas de conversão e redução nos custos de aquisição, cerca de 87% das empresas ainda não adotaram plenamente essas tecnologias, um cenário que, para especialistas do setor, espelha o ceticismo inicial enfrentado pelo próprio e-commerce na década passada.
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Luiz Gustavo Pacete
Consultor de Projetos EspeciaisPacete é jornalista, LinkedIn Top Voices, curador de marketing, tecnologia e inovação do Rio2C e SP2B, além de Consultor de Inovação, Conteúdo e Projetos Especiais da Exame.
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