O que atrai a Afya na Yduqs — e as contas de uma possível fusão
Negócios premium já respondem por quase metade do Ebitda do grupo e estão no centro do interesse do negócio


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 24 de agosto de 2026 às 13:09.
Última atualização em 24 de agosto de 2026 às 13:17.
O grupo alemão Bertelsmann, dono da Afya, está especialmente interessado em dois ativos da Yduqs: o Instituto de Educação Médica (Idomed) e o Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec). Juntos, os dois negócios premium já respondem por quase metade do Ebitda ajustado do grupo.
O interesse pelo Idomed é fácil de entender. O negócio de medicina da Yduqs é muito parecido com a operação que fez a Afya crescer no Brasil. É um mercado de mensalidades altas, demanda resiliente e, principalmente, com uma oferta de vagas limitada pela regulação.
Menos óbvio é o interesse pelo Ibmec. A instituição, conhecida principalmente pelos cursos de negócios, economia e direito, colocaria a Afya em um mercado fora da medicina, onde a companhia concentrou sua expansão nos últimos anos. Ainda assim, é um ativo valioso, inclusive para vendê-lo em uma segunda etapa.
O Ibmec é hoje um dos negócios que mais crescem dentro da Yduqs. No segundo trimestre, a receita subiu 13%, para R$ 107 milhões, com aumento de 7% na base de alunos. Na graduação, o crescimento foi de 13%. O Ebitda ajustado avançou 12%, para R$ 34 milhões, com margem de 31,6%.
É bem diferente do que acontece em Estácio e Wyden, que reúnem as operações mais generalistas da Yduqs. A receita das duas caiu 2% no mesmo período, para R$ 945 milhões, e o Ebitda recuou 3%, para R$ 215 milhões.
Juntos, Idomed e Ibmec responderam por cerca de 47% do Ebitda ajustado do grupo no segundo trimestre, ante 45% um ano antes.
Potencial de crescimento
Uma combinação com a Yduqs também daria acesso a Afya a um grupo que atravessa uma transição operacional e negocia em bolsa com uma geração de caixa alta em relação ao seu valor de mercado.
A Yduqs ainda não conseguiu capturar plenamente as mudanças provocadas pela nova regulação do ensino a distância. A companhia vem usando os cursos híbridos e presenciais para compensar a fraqueza do EAD, mas essa migração ainda está em curso. No segundo trimestre, a receita do digital caiu 15%, enquanto a do híbrido avançou 38%.
Para a Afya, essa diferença importa porque abre espaço para capturar valor além de Idomed e Ibmec. Uma eventual combinação permitiria ficar com os ativos mais próximos de sua estratégia e, ao mesmo tempo, reorganizar ou vender negócios menos aderentes ao seu portfólio.
A geração de caixa ajuda nessa conta. A Yduqs gerou cerca de R$ 200 milhões de fluxo de caixa livre no primeiro semestre. Anualizado, esse valor representa um free cash flow yield de aproximadamente 19% sobre o valor de mercado da companhia.
E a expectativa da própria Yduqs é de uma segunda metade do ano mais forte. O guidance para 2026 prevê entre R$ 520 milhões e R$ 620 milhões de fluxo de caixa livre, o equivalente a um free cash flow yield superior a 25% nos preços atuais.
O que está em jogo
O interesse da Afya na Yduqs foi revelado neste domingo, 23, pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo. Segundo o jornal, dois executivos do grupo alemão Bertelsmann, controlador da Afya, desembarcaram em São Paulo na semana passada para tratar do negócio. As conversas são intermediadas pelo Bank of America.
Nesta segunda-feira, 24, a Afya confirmou à SEC, o regulador do mercado de capitais americano, que mantém conversas em estágio inicial com a Yduqs sobre uma potencial combinação de negócios. A companhia ressaltou, porém, que ainda não há acordo ou compromisso vinculante entre as partes.
A Yduqs também confirmou as conversas, mas disse que as tratativas ainda estão em estágio inicial e que não há acordo ou compromisso vinculante. No comunicado, a companhia afirmou que vê “méritos estruturais na consolidação do setor” como uma forma de gerar valor aos acionistas.
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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