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Indigo troca cancela por IA para transformar um mercado de R$ 2 bilhões

Grupo francês aposta em inteligência artificial, precificação dinâmica e novas aquisições para transformar o setor de estacionamentos

Thiago Piovesan, CEO da Indigo  (Indigo /Divulgação)
Thiago Piovesan, CEO da Indigo (Indigo /Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 30 de julho de 2026 às 17:22.

Última atualização em 31 de julho de 2026 às 14:02.

O grupo francês Indigo, que atua com gestão de estacionamentos e infraestrutura de mobilidade, aposta em tecnologia, análise de dados e inteligência artificial para transformar um setor que funciona da mesma forma há pelo menos 100 anos.

A companhia, que fatura € 1 bilhão globalmente — só no Brasil, são mais de 350 operações, 5 mil funcionários e R$ 2 bilhões em receitas —, acredita que estacionamento não é apenas um lugar para estacionar o carro.

"É um mercado de acolhimento e aconchego altamente personalizável, que pode servir até como ponto de encontro para negócios", diz Thiago Piovesan, CEO da Indigo Brasil. "É um mercado tão dinâmico quanto qualquer outra atividade", garante.

Que negócio é esse?

A Indigo quer se posicionar como uma empresa de tecnologia, não mais como uma espécie de tiqueteira. Globalmente, a companhia já investiu mais de € 250 milhões em tecnologia.

Uma dessas investidas é a Indigo Analitycs, plataforma proprietária da companhia, que já processou mais de 4 bilhões de dados no Brasil. Ela permite que a empresa tenha previsibilidade de fluxo, níveis de recorrência e acesso a outros itens de comportamento em conjunto. Com esses dados, pode oferecer precificação dinâmica com base em inteligência artificial. Aeroportos já utilizam desse expediente, mas o conceito pode ser adaptado para qualquer negócio, como shoppings e parques.

"Tudo influencia para onde se vai e como se vai. Sem gestão dinâmica, o negócio fica para trás", diz Piovesan.

Sem planos de estacionar

A Indigo possui cerca de 15% do mercado de estacionamentos no Brasil e concorre com Estapar, Multipark e toda sorte de empresas regionais. São cerca de 37 mil companhias classificadas no país como estacionamentos.

O mercado é pulverizado e ainda pouco penetrado. O Brasil tem cerca de 0,4 automóvel por habitante, enquanto nos Estados Unidos a relação se aproxima de um veículo por pessoa. Ou seja: há espaço para mais vagas.

"Precisamos nos preparar para atender veículos elétricos de forma massificada, mas também veículos autônomos e até carros voadores", diz Piovesan.

Com o mercado pouco penetrado, a Indigo vê oportunidades de aquisições no horizonte. Há conversas ativas com outras gestoras de estacionamento. A companhia olha para o prazo médio de contratos e taxa de crescimento para definir as investidas.

A entrada da Indigo no Brasil também ocorreu via aquisição. Em 2011, a companhia francesa comprou a operação local da Vinci Park e, desde então, ampliou sua presença por meio de novos investimentos e consolidação.

O principal movimento veio em 2022, com a incorporação da PareBem, então controlada pelo Pátria, seguida, em 2025, pela compra da participação remanescente do fundo na operação brasileira.

"Comprar outras empresas pode fazer parte da estratégia no Brasil, como já fez no passado, mas não será o principal", diz o executivo. A aposta agora é em inteligência artificial para olhar a concorrência pelo retrovisor.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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