G4, de Tallis Gomes, negocia aporte de US$ 100 milhões com fundos estrangeiros
De empresa de educação a companhia de tecnologia: G4 busca investidor internacional para acelerar a estratégia baseada em inteligência artificial


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 29 de julho de 2026 às 07:26.
Última atualização em 29 de julho de 2026 às 12:00.
O empresário Tallis Gomes, sócio do G4, mantém conversas com fundos estrangeiros sobre um eventual aporte estratégico na companhia.
As negociações são recorrentes, mas a matemática do negócio não é trivial. Com mais de R$ 500 milhões em receita e geração de caixa de cerca de R$ 104 milhões em 2025, Gomes não pretende abrir mão de participação por um valuation que considere abaixo do potencial da empresa.
"Se eu vender 10% do G4 por R$ 500 milhões em ações secundárias, a um valuation de R$ 5 bilhões, isso equivale a cerca de três anos de distribuição de dividendos do grupo. Ou seja: péssimo negócio", diz ao EXAME Insight.
No ano passado, o G4 distribuiu R$ 80 milhões em dividendos aos acionistas. Para 2026, a companhia projeta faturamento de R$ 750 milhões e gerar R$ 150 milhões em caixa. Para Gomes, porém, crescimento de receita não é o principal indicador de sucesso.
"Receita é vaidade. É só colocar dinheiro e escalar. O segredo é o que sobra no caixa. Não é fácil achar essa modelagem", afirma.
Preço de tela
O empresário tem clareza sobre o tamanho do cheque que busca e o perfil do investidor para o G4 — desde que as peças se encaixem. Ele negocia com fundos de crossover — que investem tanto em empresas listadas quanto em companhias privadas em estágio pré-IPO — e procura um aporte de pelo menos US$ 100 milhões.
"Não existem fundos no Brasil para fazer sozinhos o investimentos que precisamos", afirma.
A escassez de investidores capazes de liderar cheques dessa magnitude reflete um mercado de venture capital mais seletivo desde a alta global dos juros. Depois da reprecificação das empresas de tecnologia, fundos passaram a priorizar rentabilidade e geração de caixa, tornando mais raras as rodadas em valores bilionários.
Para Gomes, a entrada de um fundo de peso teria um papel que vai além do capital. A ideia é usar o investimento como uma validação externa do valor da companhia. "Trazer o mercado para dentro do grupo para atestar nosso valor de tela", diz.
Mais do que uma edtech
Fundado em 2019 como uma empresa de educação executiva, o G4 hoje se enxerga como uma companhia de tecnologia. Na visão de Gomes, a inteligência artificial deixou de ser uma ferramenta de produtividade e passou a ser o núcleo da operação.
Em três anos, com o uso de IA, a companhia saltou de R$ 130 milhões para R$ 508 milhões em receita, enquanto a folha de pagamento cresceu apenas 10%. Segundo Gomes, o salto de produtividade reproduz, em escala digital, o impacto que a linha de montagem de Henry Ford teve sobre a indústria automobilística no início do século XX.
Agora, a empresa pretende disponibilizar ao mercado a mesma base tecnológica que sustentou esse crescimento.
A principal aposta dessa estratégia é o G4 OS, sistema proprietário de inteligência artificial desenvolvido pelo grupo. A plataforma reúne diferentes modelos de linguagem e promete centralizar tarefas de gestão, automatizando processos e executando demandas a partir de uma única interface.
A proposta é substituir o uso de múltiplas ferramentas por uma plataforma que acessa dados, organiza informações e entrega tarefas prontas. A solução deve estar aberta ao público ainda este semestre. "Queremos ser a Perplexity brasileira: um distribuidor de grandes modelos de linguagem (LLMs), com capacidade de agência", afirma.
Só neste ano, a expectativa é que a nova ferramenta gere R$ 100 milhões em receita.
Topo de funil
Para Gomes, a educação continua sendo peça central da estratégia, mas mudou de função. Em vez de representar o principal negócio, passou a funcionar como porta de entrada para os demais produtos da companhia. "Antes de vender a ferramenta, preciso vender ensino de gestão, para que o cliente saiba o que fazer com ela", afirma.
Hoje, cerca de um terço da receita vem da venda de cursos. O restante é gerado por software, serviços e soluções de inteligência artificial. A ambição é consolidar o G4 como um ecossistema para pequenas e médias empresas — estratégia que, segundo Gomes, também foi reforçada nas conversas com potenciais investidores.
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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