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Swiss Steel vende operação brasileira para Sacchelli em meio a excesso global de aço

Companhia atravessa um período de ajustes em meio à fraqueza da indústria europeia e à pressão sobre a demanda por aço

Swiss Steel  (Swiss Steel/Divulgação)
Swiss Steel (Swiss Steel/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 19 de agosto de 2026 às 13:00.

A Aços Sacchelli fechou a compra de 100% da Swiss Steel do Brasil, subsidiária brasileira do grupo suíço Swiss Steel. O valor da transação não foi divulgado.

Com o negócio, a Sacchelli amplia sua atuação no mercado de aços especiais. A companhia, que tem forte presença no fornecimento de aços voltados à construção mecânica, passa a incorporar a operação da Swiss Steel no país, especializada principalmente em aços para ferramentas.

A transação ainda depende do cumprimento de condições precedentes previstas no contrato. Somente depois dessa etapa a Sacchelli assumirá efetivamente as operações da companhia adquirida. “Esta aquisição não é somente um marco para a Sacchelli, mas um divisor de águas para a indústria nacional”, afirmou Wagner Sacchelli, diretor-superintendente da companhia. Segundo o executivo, a combinação permitirá oferecer uma solução mais completa aos clientes, reunindo a atuação da Sacchelli em aços para construção mecânica à especialização da Swiss Steel Brasil em aços para ferramentas.

A Naia Capital atuou como assessora financeira da Sacchelli, enquanto o ASBZ Advogados ficou responsável pela assessoria jurídica da compradora. Do lado da Swiss Steel, o Commerzbank atuou como assessor financeiro e o Pinheiro Neto Advogados, como assessor jurídico.

Segundo Guilherme Monteiro, sócio da Naia Capital, o trabalho envolveu a análise das informações econômico-financeiras da operação brasileira da Swiss Steel, incluindo desempenho, riscos e os potenciais impactos da combinação dos negócios. “Nosso trabalho contribuiu para embasar a Sacchelli em relação a valuation e desenho da operação”, afirmou Monteiro.

Saída estratégica

A Swiss Steel estava presente no Brasil desde 1998, quando criou uma operação própria no país para atuar na distribuição de aços especiais, com presença em São Paulo, Joinville e Caxias do Sul. Em 2024, o grupo registrou receita de 2,51 bilhões de euros, ante 3,24 bilhões de euros no ano anterior, uma queda de 22,6%. Ao fim daquele ano, a Swiss Steel empregava cerca de 7 450 pessoas globalmente.

A companhia atravessa um período de ajustes em meio à fraqueza da indústria europeia e à pressão sobre a demanda por aço. Há excesso de oferta. Em 2025, a capacidade mundial de produção de aço chegou ao recorde de 2,45 bilhões de toneladas, enquanto a capacidade ociosa alcançou 640 milhões de toneladas, segundo a OCDE. A organização estima que o excesso de capacidade pode chegar a 745 milhões de toneladas em 2028. Até lá, estão previstos até 139 milhões de toneladas adicionais de capacidade produtiva no mundo.

Por outro lado, a World Steel Association estima um crescimento de apenas 0,3% no consumo mundial de aço em 2026, para 1,72 bilhão de toneladas. Para 2027, a expectativa é de uma recuperação mais forte, de 2,2%.

A China está no centro desse desequilíbrio. Com a desaceleração do mercado doméstico, principalmente depois da crise do setor imobiliário, as siderúrgicas chinesas aumentaram as vendas para outros países. Em 2025, as exportações chinesas chegaram ao recorde de 131 milhões de toneladas, alta de 153% em relação a 2020.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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