Logo Exame.com
Empresas

Com Kaszek, Omnichat faz as contas por cheque de R$ 200 milhões

Startup curitibana já captou, desde 2020, cerca de R$ 76 milhões

Maurício Trezub, CEO da OmniChat

 (Omnichat/Divulgação)
Maurício Trezub, CEO da OmniChat (Omnichat/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 18 de agosto de 2026 às 11:40.

A Omnichat, plataforma de comércio conversacional com inteligência artificial, já está fazendo as contas para voltar ao mercado. Investida de Kaszek, Honey Island, Quartzo Capital e Altitude Ventures, a startup curitiba já captou, desde 2020, cerca de R$ 76 milhões. Até 2028, a empresa busca um cheque de até R$ 200 milhões no mercado para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial.

O dinheiro já está endereçado. Cerca de R$ 40 milhões serão utilizados para aquisições. Parte disso será pagamento direto, em caixa, e o restante em equity. Há startups em avaliação.

Em 2020, a companhia foi ao mercado pela primeira vez, em rodada seed de R$ 1,5 milhão. Dois anos depois, a primeira série A, de R$ 20 milhões. No ano passado, nova rodada, desdobramento da anterior, onde captou R$ 50 milhões.

Querer não é poder

Uma coisa é querer um cheque de R$ 200 milhões, outra é conseguir. A empresa ainda não tem porte para isso. Mas o crescimento está acelerado. A Omnichat deve faturar no fim deste ano cerca de R$ 100 milhões, alta de quase 54% em relação ao ano anterior.

O "pulo do gato" — ou da Omnichat — está no uso de ferramentas de inteligência artificial. A companhia não quer ser apenas um robô de autoatendimento no WhatsApp. São três novas frentes de negócio em desenvolvimento: geração de leads, venda e o pós-venda. "Resolvemos o problema completo do cliente", diz Maurício Trezub, CEO da OmniChat.

Até 2024, a startup era uma companhia de atendimento humanizado. Com IA, isso mudou. "Além de atuarmos no contraturno, a vida do vendedor melhorou", diz Trezub. "O bom vendedor pode virar um belíssimo treinador de IA, que é uma das profissões do futuro", segue. Segundo ele, o bom profissional tira muito mais proveito das ferramentas de IA.

O problema é que a inteligência artificial já começa a aparecer nas estatísticas de demissões, embora ainda seja difícil separar seu efeito de cortes tradicionais de custos e reestruturações. Nos Estados Unidos, cerca de 113 mil demissões foram atribuídas à IA em 2026, segundo dados da consultoria Challenger, Gray & Christmas.

O impacto, porém, ainda é pequeno diante do mercado de trabalho como um todo e se concentra em áreas como tecnologia e serviços financeiros.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que um em cada quatro trabalhadores no mundo está em ocupações com algum grau de exposição à IA generativa, mas avalia que a transformação das funções tende a ser mais frequente do que sua substituição completa.

O efeito pode ser mais perceptível nas vagas que deixam de ser abertas do que nas demissões anunciadas. O Fórum Econômico Mundial estima que as transformações no mercado de trabalho, incluindo a adoção de IA, podem eliminar 92 milhões de postos até 2030, mas criar outros 170 milhões, resultando em saldo positivo de 78 milhões.

Para quem decide. Por quem decide.

Saiba antes. Receba o Insight no seu email

Li e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade

Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

Continua após a publicidade
ClickBus troca CEO, traz fundador de volta e mira R$ 2,5 bilhões em vendas

ClickBus troca CEO, traz fundador de volta e mira R$ 2,5 bilhões em vendas

Com empréstimo, Vasco preserva valor da SAF antes de leilão — e gastar faz parte da estratégia

Com empréstimo, Vasco preserva valor da SAF antes de leilão — e gastar faz parte da estratégia