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BYD mira liderança global e quer superar Toyota em cinco anos

Exportações cresceram 80% em maio; meta para 2026 é vender 1,5 milhão de unidades fora da China

BYD: montadora chinesa quer ultrapassar Toyota em volume de vendas até 2031. (BYD/Divulgação)

BYD: montadora chinesa quer ultrapassar Toyota em volume de vendas até 2031. (BYD/Divulgação)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 10 de junho de 2026 às 09h34.

O Pentágono adicionou a BYD à sua lista de empresas consideradas risco à segurança nacional dos Estados Unidos, e a montadora chinesa "respondeu" anunciando que pretende ser a maior fabricante de carros do mundo em cinco anos.

A declaração veio do fundador e presidente do conselho, Wang Chuanfu, na assembleia anual de acionistas na cidade de Shenzhen. "A BYD se tornará verdadeiramente a montadora número um do mundo em termos de escala em cinco anos", disse. As informações são do The Guardian.

O alvo é a Toyota, que vendeu 11,3 milhões de veículos em 2025, enquanto a BYD vendeu 4,8 milhões.

A distância para a líder é grande, mas o ritmo de expansão chama atenção. Em maio, a BYD vendeu mais de 160 mil veículos fora da China, uma alta de 80% sobre o mesmo mês do ano anterior.

A meta para 2026 é exportar 1,5 milhão de unidades, crescimento de mais de 40% sobre as 1,05 milhão vendidas no exterior em 2025.

Nesta quarta-feira, 10, as ações da montadora chinesa fecharam em queda de 2,04% em Hong Kong.

Europa é prioridade para BYD

Para sustentar esse crescimento, a BYD anunciou um investimento de 1,8 bilhão de euros na Europa para construir infraestrutura de carregamento rápido, os chamados "flash chargers", que prometem recarregar um veículo em cinco minutos.

A executiva responsável pelas operações internacionais, Stella Li, disse à Reuters em Londres que a fábrica na Hungria é "a prioridade número um agora" e deve iniciar a montagem de veículos no quarto trimestre deste ano.

"A segunda prioridade será encontrar uma segunda unidade de produção na Europa", acrescentou. A empresa pausou as obras de uma fábrica na Turquia para concentrar esforços na produção europeia.

Produzir localmente é uma resposta direta às tarifas que a União Europeia (UE) impôs sobre elétricos fabricados na China há dois anos. Carros montados na Hungria escapam dessa sobretaxa, o que muda o custo competitivo da BYD no continente.

Riscos e sanções no radar

A fábrica húngara, em Szeged, carrega passivos que investidores precisam monitorar na avaliação de fontes consultadas pelo The Guardian. Há alegações de descumprimento de leis trabalhistas da UE no uso de trabalhadores migrantes chineses, além de denúncias de contaminação de terras agrícolas vizinhas ao canteiro de obras.

Autoridades do condado de Csongrád-Csanád confirmaram ao veículo que sanções foram aplicadas a três empresas envolvidas na construção e que ao menos uma foi multada. Os resultados da investigação ainda não foram tornados públicos.

Há também um risco geopolítico novo. O Departamento de Defesa dos Estados Unidos incluiu a BYD em sua lista de "empresas militares chinesas" consideradas risco à segurança nacional.

A designação não impõe sanções automáticas, mas aumenta o análise sobre a companhia e pode dificultar parcerias com empresas estadunidenses.

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