Logo Exame.com
Saúde

Rivais, agora amigos: Rede D’or se une com Bradesco em JV para hospitais

Inesperada, parceria sela a paz em uma relação estressada e muda o jogo no xadrez da consolidação do setor de saúde

Batizada de Atlântica D'or, parceira prevê R$ 1,16 bi em investimentos para três hospitais (PeopleImages/Getty Images)
Batizada de Atlântica D'or, parceira prevê R$ 1,16 bi em investimentos para três hospitais (PeopleImages/Getty Images)
Natalia Viri

Natalia Viri

9 de maio de 2024 às 00:54

Num movimento que pegou o mercado completamente de surpresa, a Rede D’or anunciou uma joint venture com a Atlântica, o braço de investimentos do Bradesco em hospitais – marcando a aproximação dos dois players mais relevantes do mercado de saúde do país e que vinham numa relação cada vez mais estressada.

A princípio, a parceria é para três hospitais que já estão em construção e devem ficar prontos ainda este ano: o Macaé D’or, no Rio, e o São Luiz Alphaville e o São Luiz Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. Juntos, eles vão consumir R$ 1,16 bilhão em investimentos; dos quais mais da metade já foram investidos pela Rede D’or.

Com uma participação de 49,9% na JV, o Bradesco vai assumir metade dos aportes, dando um alívio de capex para a Rede D’or num momento de endividamento elevado.

Além disso, está garantindo o credenciamento do Bradesco – sua maior fonte pagadora, representando 25% da receita – para seus projetos greenfield.

Tradicionalmente estressada, a relação entre fontes pagadoras e os hospitais está ainda mais complicada nos últimos anos, em meio à disparada na sinistralidade e a pressão para controle de custos por parte das operadoras.

No caso da Rede D’or, essa equação ganhou um fator adicional, com a compra da Sulamérica, em 2022, que compete diretamente com o Bradesco. Nos últimos meses, a rede da família Moll vinha encontrando dificuldade para credenciar hospitais junto ao Bradesco, apontam fontes de mercado.

O que parecia ser uma concorrência se aprofundando agora virou uma amizade profícua: o Bradesco ganha participação na receita dos hospitais, que vira um hedge em momentos de sinistralidade mais alta, e a Rede D’or garante uma via de crescimento junto com seu principal pagador.

“[A transação] indica que as partes terão um entendimento mútuo melhor, o que pode se traduzir em preços e pacotes melhores (ou mais justos) para ambas”, escreveu o analista Vinícius Figueiredo, do Itaú BBA, em relatório.

A nova JV batizada de Atlântica D’or não terá um acordo de exclusividade para novos projetos, mas já prevê avançar em outras praças. Uma das possibilidades, levantada em fato relevante, são projetos greenfield nas cidades de Taubaté e Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

A transação vem em meio a uma forte consolidação do setor, e aumenta as vantagens competitivas dos líderes em seus respectivos segmentos.

Num momento em que diversos hospitais estão à venda, o rol dos (poucos) compradores também está cada vez mais restrito.

Com a sinistralidade elevada, na casa dos 90%, o Bradesco Saúde já vinha num movimento parcerias com operadores de hospitais, sempre na condição de minoritário.

Em 2023, anunciou operações com o Mater Dei e o Einstein para construção de hospitais em São Paulo e com o Grupo Santa, líder no Centro-Oeste.

Agora, a parceria com a maior rede de hospitais do Brasil é a que tem mais potencial para virar o jogo.

Para quem decide. Por quem decide.

Saiba antes. Receba o Insight no seu email

Li e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade

Natalia Viri

Natalia Viri

Editora do EXAME IN

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Valor, Veja e Brazil Journal e foi cofundadora do Reset, um portal dedicado a ESG e à nova economia.

Continua após a publicidade
Negociação de Amil e Dasa retoma jogadas de xadrez no mercado de saúde

Negociação de Amil e Dasa retoma jogadas de xadrez no mercado de saúde

Futebol, IA e a maldição do combustível fóssil: a visão do gestor do fundo saudita de US$ 1 trilhão

Futebol, IA e a maldição do combustível fóssil: a visão do gestor do fundo saudita de US$ 1 trilhão