Logo Exame.com

No Carrefour, a nova cara (e as novas margens) pós-BIG

Com a otimização do portfólio de lojas, a empresa prevê um impacto potencial total no Ebitda entre R$180 e 220 milhões no ano que vem

Em nota, a empresa informa que os profissionais que antes circulavam pelas lojas ficarão à disposição dos clientes em pontos fixos e pré-determinados
Em nota, a empresa informa que os profissionais que antes circulavam pelas lojas ficarão à disposição dos clientes em pontos fixos e pré-determinados
Raquel Brandão

11 de dezembro de 2023 às 16:07

O Carrefour Brasil anunciou projeções atualizadas para seus negócios, para refletir a nova cara de seu parque de lojas, depois que as conversões do Grupo BIG (compradas do Advent em 2021) forem concluídas. O anúncio vem na esteira do Investor Day quando divulgou que, até 2026, 40 lojas de hipermercado vão virar Atacadão, sua bandeira de atacarejo, e Sam’s Club, o clube de compras com foco em importados.

A varejista espera que até o fim de 2024 as vendas por metro das lojas convertidas do BIG para o Atacadão atinjam aproximadamente entre R$ 28.000/m² e R$ 31.000/m², na base anualizada. Já a margem Ebitda por loja deve ficar entre 5% e 6% também até o fim do próximo ano – sinalizando um tempo de maturação até que elas atinjam o patamar das lojas já consolidadas.

Ao fim do terceiro trimestre, a margem do Atacadão foi de 7,5%, excluindo os ativos do BIG, ou 6,7%, considerando todo o parque de lojas.

A projeção do grupo para a margem das lojas convertidas do BIG é menor do que o concorrente Assaí tem conseguido reportar com as lojas dos hipermercados Extra convertidas ao longo de 2022. Ao fim do terceiro trimestre, a margem Ebitda dessas lojas ficou acima de 7%, já em ritmo similar às lojas maduras do Assaí.

A médio prazo, no entanto, as perspectivas do Carrefour melhoram. Até o fim de 2025, a companhia espera que as vendas alcancem aproximadamente R$ 35.000/m², enquanto a margem Ebitda por loja chegue a algo entre 7% e 8%.

Considerando o amadurecimento das lojas do Sam’s Club, a empresa espera chegar a uma margem entre 9% e 10% em loja e de 7% a 8% para toda a unidade de negócio ao fim de 2025. A empresa não apresentou dados de 2024 para a bandeira. No ano que vem, a estimativa é abrir 7 e 9 lojas do clube.

Com a otimização do portfólio, a empresa prevê um impacto potencial total no Ebitda entre R$180 e 220 milhões em 2024 e de R$550 a 800 milhões no ano seguinte.

Isso se soma às projeções de investimento menores. A analistas e investidores, no último dia 28, a varejista informou que pretende investir de R$ 2,3 bilhões a R$ 2,6 bilhões em 2024, pouco mais da metade dos R$ 4,1 bilhões de CAPEX deste ano.

Apesar da conversão de 40 hipermercados entre 2024 e 2026 em Atacadão e Sam’s Club, a companhia afasta a possibilidade de sair do formato – um movimento feito pelo GPA ao vender os hipermercados Extra para o Assaí. Hoje, das 1.190 lojas (número que inclui drogarias e postos de gasolina), 361 são do Atacadão e 143 são hipermercados. Ao fim de 2022, os números eram 344 e 170, respectivamente.

Negociadas a R$ 11,04, as ações do Carrefour Brasil acumulam perda de 21,38% no ano. No dia do Investor Day, os papéis chegaram a ensaiar uma recuperação, alcançando o patamar de R$ 11,59, mas voltaram a cair nos pregões seguintes.

Pra quem decide. Por quem decide.

Saiba antes. Receba o Insight no seu email

Li e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade

Raquel Brandão

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Jornalista há mais de uma década, foi do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas e bastidores do mercado