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Magalu: Black Friday teve “melhor rentabilidade da história”

Com foco em ganho de margens, executivos dizem que varejista fez “bom volume” de vendas sem “loucura” de preços 

Mulheres vendo linha da eletrolux na Loja da Magazine Luiza em Pinheiros.
Foto: Leandro Fonseca
17/06/15
Mulheres vendo linha da eletrolux na Loja da Magazine Luiza em Pinheiros. Foto: Leandro Fonseca 17/06/15
Raquel Brandão

11 de dezembro de 2023 às 17:14

Em um ano que está longe de ser o mais fácil para o varejo, o Magazine Luiza colocou como meta para a Black Friday que ela trouxesse margens melhores. O objetivo era ter “bom volume” de vendas, mas com “mais rentabilidade”, nas palavras de Fabrício Garcia, vice-presidente de Operações. “Foi a Black com maior rentabilidade da nossa história”, acrescenta Eduardo Galanternick, vice-presidente de negócios.  

A percepção dos executivos foi de um mercado mais racional. A empresa conseguiu boas margens nas negociações com fornecedores e veio com preços agressivos, diz Garcia, mas “não houve nenhuma loucura [de preços].” Esse era um recado que o grupo já havia passado na teleconferência de resultados do terceiro trimestre. Bastante volátil nos últimos dias, a ação do Magalu caiu 8,29% nesta sexta-feira de Black Friday.  

Na preparação para a data, a gestão dos estoques foi ponto crucial para as varejistas em meio a um custo de capital ainda bastante elevado. No trimestre que antecede a Black Friday, o Magazine Luiza aumentou em R$ 300 milhões os estoques ante o segundo trimestre, mas em valor ainda R$ 500 milhões mais baixo que um ano antes.  

Os executivos não abrem o avanço de margem bruta em novembro, mas afirmam que ela seguiu a trajetória de crescimento observada no terceiro trimestre. “A gente vem conseguindo executar o plano de aumento de margens conforme a trajetória que a gente espera”, diz Galanternick. Conseguiram margens melhores nos produtos enquanto as despesas ficaram menores. O que o investidor pode ter no horizonte é que, no terceiro trimestre, a margem bruta da empresa chegou ao seu maior patamar em seis anos: 30,4%.  

Nesta Black Friday, sem impacto de Copa do Mundo ou isolamento social, as lojas físicas foram o destaque do Magazine Luiza, com crescimento de dois dígitos até o começo da noite de sexta-feira, 24. A expectativa é de que sábado e domingo sejam de fluxo alto de clientes. “Ganhamos tração nas novas regionais que abrimos nos últimos dois anos, especialmente Rio e Brasília”, diz Garcia, destacando aumento de venda de itens de ventilação -- reflexo da onda de calor --, linha branca (geladeira, fogão e lavadora) e televisores – num crescimento relevante para um ano seguinte à Copa do Mundo, observa o VP.  

A operação online também cresceu, segundo eles, mas em ritmo menos reluzente do que o das lojas físicas. Ainda assim, o aplicativo do Magalu foi o mais baixado entre as varejistas e a empresa liderou as buscas no Google, afirma Galanternick.  

Em relatório do Itaú BBA, a equipe de analistas de varejo observou que os grandes vencedores do mês de ofertas que se tornou a Black Friday eram Mercado Livre, Amazon e Shopee, considerando dados de acesso nos sites segundo a plataforma SimilarWeb. Até 20 de novembro, Americanas perdeu 5 pontos percentuais de sua fatia do acesso total de sites de varejo online, seguida de Casas Bahia e Magalu, quer perderam 1 ponto percentual.  

Para o varejo online, no geral, as notícias da Black Friday não são animadoras. Dados do Neotrust, plataforma de dados e de inteligência sobre o e-commerce brasileiro, apontam que, de quinta-feira até as 20h de sexta-feira, o número de pedidos para o varejo online nacional era 12,9% menor e o faturamento recuava em igual patamar (-13,1%), para R$ 2,9 bilhões. A comparação é com a quinta-feira e sexta-feira de Black Friday de 2022.

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Raquel Brandão

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Jornalista há mais de uma década, foi do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas e bastidores do mercado