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B3: Brasil tem pelo menos 100 empresas na fila para IPO, diz CEO

“Já existe um consenso de que IPO fora do Brasil é menos vantajoso. O discurso se inverteu", diz Finkelsztain

Finkelsztain: Novas emissões serão de empresas com "menos PPT e mais breakeven"  Foto: Leandro Fonseca/Exame (Leandro Fonseca/Exame)
Finkelsztain: Novas emissões serão de empresas com "menos PPT e mais breakeven" Foto: Leandro Fonseca/Exame (Leandro Fonseca/Exame)
Karina Souza

Karina Souza

18 de janeiro de 2024 às 14:43

O Brasil tem pelo menos 100 empresas na fila para IPO, afirmou Gilson Finkelsztain, CEO da B3, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira. As emissões devem vir de empresas de setores mais tradicionais e mais maduras, disse o executivo. "É menos PPT e mais breakeven", resume.

A primeira empresa a se candidatar oficialmente para inaugurar o mercado tem um perfl diferente: ontem, a Oceânica, de serviços para a indústria de petróleo, anunciou a contratação de bancos para uma oferta primária que pode chegar a R$ 1 bilhão, conforme apurou o INSIGHT.

“A agenda de emissões deve começar com follow-ons, principalmente de empresas que se listaram há mais de cinco anos”, disse Finkelsztain. A Energisa, de distribuição de energia, deve abrir a fila de ofertas subsequentes do ano, com uma operação prevista para os próximos dias.

Finkelsztein bateu na tecla de que o volume de emissões não significa, sozinho, a retomada do mercado de capitais. Mas este apetite passou, ao longo dos últimos anos, por uma transformação completa em termos de liquidez e de percepção sobre o mercado externo. “Já existe um consenso de que IPO fora do Brasil é menos vantajoso. As companhias têm menos liquidez, não fazem parte dos índices. O discurso se inverteu. Hoje, bancos precisam provar para os clientes que é mais vantajoso se listar lá fora”, disse.

Há uma combinação de fluxo de estrangeiros olhando para mercados emergentes com a queda das taxas de juros, que beneficia o mercado local. “O juro terminal de 9% não é punitivo para o mercado de ações. O de 14% é mais complexo. Entre 9% e 10% reflete melhor a situação, para a longevidade do mercado é melhor isso do que ir para 3% e depois 14%”, afirmou.

Sob uma perspectiva macro, o CEO defendeu que o governo continue com a agenda de reformas, “sem criar ruído desnecessário”, algo que julga possível. Focar no fiscal, na visão do executivo, é mais importante do que o tamanho do (pequeno) déficit.

Da porta para dentro, o aumento do volume negociado de ações, hoje em cerca de R$ 25 bilhões diários, deve trazer benefícios para a margem da B3 enquanto companhia. Nos últimos dois anos, a empresa conseguiu manter o volume de receita graças ao pool de negócios não ligado a equities (60% da receita da empresa), mas o Ebitda se deteriorou por causa do aumento de despesas (salários, por exemplo). Com o volume de negociação aumentando — e a infraestrutura já construída — a B3 consegue operar mais, sem aumentar custo. “Se o volume negociado dobrar, meu custo não sobe nem 5%”, afirmou o CEO.

Revisão dos segmentos de listagem

O CEO afirmou, ainda, que será colocada uma audiência pública no fim do primeiro semestre para discutir regras dos segmentos de listagem — incluindo o Novo Mercado. A intenção é melhorar práticas corporativas a partir da discussão com diferentes agentes, cumprindo o cronograma de fazer esse tipo de atualização a cada cinco anos.

Questionado a respeito do papel da Americanas nessa revisão, o CEO não cravou. “Pode ter a ver com esse caso, sim, mas como havíamos feito a última atualização em 2017, já estava na hora de começar esse processo”, disse.

A discussão com os agentes deve levar mais ou menos um ano, com o processo final sendo o aval da CVM para as novas regras. A partir desse momento, é divulgado um documento com os prazos para empresas se adequarem.

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Karina Souza

Karina Souza

Repórter Exame IN

Formada pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada pela Saint Paul, é repórter do Exame IN desde abril de 2022 e está na Exame desde 2020. Antes disso, passou por grandes agências de comunicação.

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