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EXCLUSIVO: Oceânica quer cerca de R$ 1 bi em IPO; timing da oferta é incerto

Com o balanço do terceiro trimestre, companhia precisaria fazer a oferta até meados de fevereiro – o que parece improvável, segundo fontes de mercado

Oceânica: empresa quer IPO bilionário, mas não tem urgência para levantar os recursos e pode esperar janela de abril  (Oceânica/Reprodução)
Oceânica: empresa quer IPO bilionário, mas não tem urgência para levantar os recursos e pode esperar janela de abril (Oceânica/Reprodução)

17 de janeiro de 2024 às 16:06

Primeira empresa a se candidatar à volta dos IPOs em 2024, a Oceânica, que presta serviços de manutenção para a indústria de petróleo, pretende captar cerca de R$ 1 bilhão na fatia primária, em que os recursos vão para o caixa da empresa.

A oferta pode ser maior a depender do tamanho da tranche secundária, que marcaria a venda da participação do fundador Alfredo Califfa, que é hoje o único acionista da empresa, segundo fontes próximas à companhia ouvidas pelo INSIGHT.

Num mercado ainda raso, com pouco dinheiro entrando em fundos locais, e o estrangeiro operando ao sabor das expectativas do timing da queda de juros nos Estados Unidos, a avaliação é que há pouco espaço para a empresa captar a um valuation razoável.

Com o balanço do terceiro trimestre, a Oceânica precisaria fazer a oferta até meados de fevereiro – o que parece improvável, dizem fontes de mercado. Com os números do quarto trimestre, poderia aproveitar a janela até abril.

“Eles têm um modelo de negócio pouco conhecido e querem começar a falar oficialmente com o mercado para estarem prontos para aproveitar uma boa janela”, aponta um interlocutor próximo à empresa. Com um endividamento de 2,7 vezes o EBITDA e R$ 200 milhões em caixa, a Oceânica não tem urgência para levantar os recursos.

No segmento de serviços para petróleo, a Companhia Brasileira de Offshore (CBO), que tem Pátria e Vinci Partners como acionistas, também é uma candidata a IPO, apurou o INSIGHT.

Até agora, a Oceânica não tinha feito uma aproximação mais estruturada com o mercado, com reuniões com investidores feitas principalmente em conferências de empresas não-listadas que são feitas pelos bancos.

Fundada em 1978, a companhia oferece serviços de manutenção e inspeção para o setor de petróleo em águas profundas e tem como principal cliente a Petrobras, ainda que opere também para as junior oils.

A história da Oceânica é a história do fundador Alfredo Califfa, mergulhador profissional que trabalhou em manutenção de hidrelétricas e em obras emblemáticas como a construção da ponte Rio-Niterói. Com a migração da produção de petróleo da Petrobras cada vez para águas mais profundas, ele vislumbrou uma oportunidade. A estatal é sua cliente há mais de 30 anos.

Inicialmente, os serviços eram feitos principalmente por mergulhadores, mas ao longo do tempo a empresa foi se sofisticando e hoje opera com os chamados ROVs, submarinos não tripulados que conseguem fazer as inspeções periódicas e manutenções das plataformas de petróleo e estruturas adjacentes.

Crescendo principalmente por meio da geração de caixa e linhas bancárias por décadas, a Oceânica deu um salto de crescimento nos últimos anos, por meio de captação de dívida, que financiou a compra de submarinos e embarcações.

Desde 2020, foram três emissões de debêntures, a última delas, em 2023, de R$ 445 milhões. Nos últimos três anos, a receita praticamente quintuplicou, saindo de R$ 200 milhões para algo mais próximo de R$ 1 bilhão neste ano.

Com um modelo de negócio pouco conhecido, a Oceânica terá um grande trabalho de investor education. A empresa tem uma receita previsível, com contratos de take or pay usualmente de 3 anos, renováveis pelo mesmo período, em que o contratante garante preços das diárias.

Em uma outra modalidade de receita, chamada de lump sum, recebe apenas na entrega dos projetos. “É uma modalidade de mais risco, mas que eles sabem operar bem e conseguem margens maiores, especialmente quando conseguem adiantar a entrega”, aponta uma fonte que conhece bem a empresa. “Tem um componente de previsibilidade com essa ‘pimentinha’ dos contratos por entregas.”

Ao mercado, a Oceânica vai vender a tese de uma exposição ao crescimento do setor de petróleo no Brasil, mas sem estar tão dependente do vai-e-vem da commodity.  Como opera na manutenção dos poços já em operação, e não na fase de prospecção e desenvolvimento, os preços não acompanham tão de perto a oscilação do preço do óleo no mercado internacional.

“É uma empresa de serviços, não uma empresa de afretamento”, diz a fonte.

Além disso, a Oceânica está num setor com alta barreira de entrada, em que seu histórico de atuação e expertise garantem cerca proteção contra a concorrência. A empresa também vê o potencial de crescimento no mercado de eólicas offshore, e criou recentemente uma divisão de energias renováveis.

Apesar de ter inaugurado oficialmente a fila dos IPOs, ainda é incerto se a Oceânica vai conseguir emplacar a primeira oferta.

Após um jejum de mais de dois anos de IPOs e o mercado ainda cético depois de uma leva de decepções com as aberturas de capital da farra de 2020 e 2021, tanto banqueiros quanto gestores vêm afirmando que só veem uma janela maior para IPOs mais para o fim do segundo semestre.

A percepção é que seria mais seguro ter uma oferta maior e de uma empresa  mais conhecida para abrir mercado. A CTG, de hidrelétricas, a Compass, empresa de gasodutos da Cosan, e a Votorantim Cimentos pretendem captar e frequentemente são apontados como bons ‘abre-alas’. Essas companhias, no entanto, devem esperar mais clareza para ir a mercado.

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Natalia Viri

Natalia Viri

Editora do EXAME IN

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Valor, Veja e Brazil Journal e foi cofundadora do Reset, um portal dedicado a ESG e à nova economia.

Guilherme Guilherme

Guilherme Guilherme

Repórter de Invest

Formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Cobre mercado financeiro na Exame desde 2019. Também trabalhou na revista Investidor Institucional e participou do 9º Focas de Jornalismo Econômico do Estadão.

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