Algarve e EvidJuri levam R$ 165 milhões em perícias ao mercado de capitais
Operação com direitos creditórios abre uma nova frente para a gestora de legal claims e pode avançar sobre uma carteira de R$ 1,5 bilhão em honorários


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 25 de setembro de 2026 às 12:08.
Última atualização em 25 de setembro de 2026 às 12:25.
RESUMO +
A gestora Algarve Capital e a EvidJuri, empresa especializada em perícia, auditoria judicial, inteligência probatória e mensuração econômica de litígios, estruturaram uma operação de cerca de R$ 165 milhões em direitos creditórios ligados a honorários periciais, que marca a entrada da EvidJuri em FIDCs. As empresas pretendem criar uma esteira de legal claims com a carteira atual e novos litígios.
O dinheiro que fica parado à espera de uma decisão judicial está ganhando um novo caminho até o mercado de capitais. A Algarve Capital e a EvidJuri, empresa especializada em perícia, auditoria judicial, inteligência probatória e mensuração econômica de litígios, estruturaram uma operação de aproximadamente R$ 165 milhões em direitos creditórios ligados à atuação da companhia em processos judiciais.
A transação marca a entrada da EvidJuri no universo dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) e inaugura uma frente que as duas empresas pretendem transformar em uma esteira de negócios. O ponto de partida são os honorários da própria EvidJuri. A companhia afirma ter mais de R$ 1,5 bilhão em honorários em carteira, relacionados a um portfólio de processos que supera R$ 5,5 bilhões.
A primeira operação, portanto, é apenas uma parcela desse estoque. A expectativa das empresas é estruturar novas transações sobre a carteira existente e, em uma segunda etapa, partir também para a originação e aquisição conjunta de novos litígios.
De honorários futuros a ativos financeiros
O mercado de legal claims não é exatamente uma novidade no Brasil. Gestoras já compram direitos econômicos associados a processos judiciais e arbitragens, assumindo o risco e o tempo de espera em troca de um retorno potencial maior. A diferença, neste caso, está na origem do ativo. A operação entre Algarve e EvidJuri tem como base direitos ligados a honorários periciais, e não os honorários advocatícios mais comuns nesse tipo de estrutura.
Tradicionalmente, escritórios de perícia são remunerados pela prestação de serviços técnicos dentro de processos. O modelo que as duas empresas querem escalar adiciona outra camada: transformar esses recebimentos futuros em direitos que podem ser adquiridos e financiados por fundos.
Na prática, a EvidJuri antecipa a monetização de parte de um valor que poderia levar anos para chegar ao caixa. O fundo, do outro lado, aceita esperar — e assume os riscos associados ao litígio — em busca do retorno financeiro.
A Algarve já atua nesse mercado. A gestora desembolsou mais de R$ 2 bilhões nos últimos quatro anos em sua estratégia e informa ter cerca de R$ 1,7 bilhão de patrimônio líquido sob gestão, além de um histórico de R$ 10 bilhões em investimentos relacionados a legal claims.
Uma esteira além dos R$ 165 milhões
O teste inicial será transformar a primeira operação em uma plataforma recorrente. A carteira atual de mais de R$ 1,5 bilhão em honorários oferece espaço para novas transações. Segundo as empresas, o estoque existente poderia suportar outras operações, embora o volume que efetivamente poderá ser transformado em novas estruturas dependerá da seleção e elegibilidade dos direitos.
Depois disso, a parceria pode avançar para uma etapa diferente. Em vez de trabalhar apenas sobre processos que já fazem parte do universo da EvidJuri, Algarve e EvidJuri pretendem identificar e adquirir juntas direitos relacionados a novos litígios. Nesse modelo, uma empresa ajuda a encontrar e mensurar o ativo; a outra fornece a estrutura financeira para comprá-lo.
'Perguntas frequentes'
O que envolve a operação de R$ 165 milhões da Algarve Capital e da EvidJuri? +
A operação envolve aproximadamente R$ 165 milhões em direitos creditórios ligados à atuação da EvidJuri em processos judiciais. A transação marca a entrada da empresa no mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs).
Quais direitos creditórios servem de base para a operação? +
A operação tem como base direitos ligados a honorários periciais da EvidJuri, e não honorários advocatícios. Esses recebimentos futuros podem ser adquiridos e financiados por fundos.
Qual é o valor da carteira de honorários da EvidJuri? +
A EvidJuri afirma ter mais de R$ 1,5 bilhão em honorários em carteira, relacionados a processos que superam R$ 5,5 bilhões. A primeira operação representa apenas uma parcela desse estoque.
Como funciona a transformação dos honorários periciais em ativos financeiros? +
A EvidJuri antecipa a monetização de parte dos honorários que poderia levar anos para receber. O fundo aceita o prazo de espera e assume os riscos ligados aos processos em busca de retorno financeiro.
A Algarve Capital e a EvidJuri planejam novas operações? +
Sim. Segundo as empresas, a carteira atual pode sustentar novas operações, mas o volume dependerá da seleção e da elegibilidade dos direitos creditórios.
Qual é a próxima etapa da parceria entre Algarve Capital e EvidJuri? +
Algarve Capital e EvidJuri pretendem identificar e adquirir juntas direitos relacionados a novos litígios. Nesse modelo, a EvidJuri ajudará a encontrar e mensurar os ativos, enquanto a Algarve Capital fornecerá a estrutura financeira para adquiri-los.
Saiba antes. Receba o Insight no seu email
Li e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade

Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
%3Aformat(webp)&w=1080&q=75)
%3Aformat(webp)&w=1080&q=75)