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O plano de IPO da Amil e a expectativa de R$ 40 bilhões por trás do 'não' a Advent e Bain

Fundos queriam até 100% da operadora e tratavam a proposta como difícil de recusar; Junior queria manter o controle e aposta em uma abertura de capital mais à frente

 (Amil/Divulgação)
(Amil/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 11 de setembro de 2026 às 07:00.

Última atualização em 11 de setembro de 2026 às 08:14.

As conversas entre a Amil e as gestoras Advent International e Bain Capital esbarraram numa diferença que ia além do preço. De um lado, José Seripieri Filho, o Junior, queria vender uma participação minoritária e manter o controle da operadora. Do outro, os fundos buscavam uma aquisição de controle. A preferência sempre foi por 100% da companhia, mas aceitavam fazer negócio por uma fatia de 80%, apurou o EXAME Insight. Serem minoritários nunca foi opção.

Também pesou para o negócio não avançar a forma como a negociação foi conduzida. Segundo interlocutores, ao longo das conversas prevaleceu do outro lado da mesa a percepção de que Junior teria, de certa forma, a obrigação de vender a Amil. Isso gerou incômodo. Essa nunca foi a premissa do empresário, apesar de a proposta ser considerada, pelo lado comprador, difícil de recusar. Os fundos discutiram uma transação que avaliava a Amil em cerca de R$ 17 bilhões.

Se a operação fosse fechada nesses termos, Junior cristalizaria uma valorização relevante em menos de três anos. Quando recomprou a Amil, no fim de 2023, a transação com a UnitedHealth avaliou o negócio em cerca de R$ 11 bilhões. Desse total, aproximadamente R$ 2 bilhões foram desembolsados e outros R$ 9 bilhões correspondiam a contingências judiciais.

Impasse além do preço

Junior não queria vender o controle. Nunca quis, como revelou o EXAME Insight. Mas aceitava se desfazer de uma fatia, desde que minoritária e pelo preço certo. O empresário pensa, sim, em uma saída para o investimento, mas em outro momento e por outro caminho. A ideia é levar a Amil à bolsa quando o mercado voltar a oferecer condições para isso.

As projeções apresentadas a Junior pelo mercado financeiro partem da avaliação de que o ativo poderia chegar a um eventual IPO com uma oferta de pelo menos R$ 40 bilhões. É uma conta que pressupõe não apenas a continuidade da recuperação operacional, mas também uma janela de mercado bastante diferente da atual. A cifra equivale a cerca de 1,2 vez o faturamento de R$ 32,3 bilhões registrado pela companhia em 2025.

Para os fundos, por outro lado, uma participação minoritária não resolvia. A avaliação era que entrar na Amil sem o controle significaria dividir as decisões com Junior e apostar numa saída futura desenhada pelo próprio empresário. Não era a tese que levou Advent e Bain à mesa.

Vale esperar

O empresário conhece bem o ativo. Fundador da Qualicorp, em 1997, José Seripieri Júnior construiu sua trajetória no mesmo mercado em que Edson Bueno havia criado a Amil, em 1978. A relação com a operadora atravessou décadas, primeiro como parceiro comercial. Em 2023, onze anos depois de Bueno vender o controle da Amil para a UnitedHealth, Júnior fechou a compra da operação brasileira do grupo americano.

À época, encontrou uma companhia deficitária: em 2023, a Amil faturou R$ 25,9 bilhões e teve prejuízo consolidado de R$ 4 bilhões, com perda operacional de R$ 1,6 bilhão.

A virada veio nos dois anos seguintes. A companhia voltou ao azul em 2024 e, em 2025, faturou R$ 32,3 bilhões e registrou resultado recorrente de R$ 1,9 bilhão. A operação de planos também melhorou, com queda de 4,4 pontos percentuais na sinistralidade e crescimento de 9,7% das receitas.

A carteira chegou a 6,1 milhões de beneficiários no fim de 2025. A recuperação também mudou a conta para Junior: ele desembolsou cerca de R$ 2 bilhões na aquisição e, desde então, as distribuições da Amil já superaram o valor colocado pelo empresário em equity para recomprar a companhia.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pela redação de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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