Argentina Pomelo, a fintech para fintechs, capta R$ 190 milhões

Com a ambição de construir uma infraestrutura de pagamentos para atender a América Latina, empresa conquistou fundos como Tiger, Sequoia e Monashees
 (Pomelo/Divulgação)
(Pomelo/Divulgação)
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Carolina IngizzaPublicado em 21/10/2021 às 06:00.

Com menos de um ano de operação e ainda sem ter lançado publicamente nenhum produto com seus clientes, a startup argentina Pomelo levantou uma rodada série A de R$ 190 milhões (US$ 35 milhões). O investimento foi liderado pela Tiger Global e teve a participação de fundos como Monashees, Index Ventures, Insight, QED, SciFi, Greyhound e Box Group, além de investidores-anjo renomados, como os fundadores dos unicórnios Affirm, Checkout, N26, Plaid e Ramp.

A captação expressiva para um negócio tão jovem é justificada por uma combinação apetitosa para os investidores de risco: um trio de fundadores experiente e um mercado endereçável bilionário. Sem contar a diluição do risco, algo incomum no venture capital. A companhia representa uma forma de estar exposto ao setore suas perspectivas sem concentração de aposta. 

O negócio, fundado em março de 2021 por Hernan Corral, Gaston Irigoyen e Juan Fantoni, começou suas atividades oferecendo o serviço de emissão e processamento de cartões, mas rapidamente adicionou dois novos produtos para atender as instituições clientes de ponta a ponta: o cadastro de usuários e a criação de contas digitais. Os alvos são fintechs, neobanks, varejistas, aplicativos de delivery ou qualquer empresa que deseja se aventurar no universo financeiro.

Nesse mercado de infraestrutura, há empresas brasileiras bastante capitalizadas, como as fintechs Hash, Swap e Zoop. A diferença, segundo os fundadores argentinos, é que a Pomelo nasceu com uma ambição grande: ser a infraestrutura financeira e tecnológica da América Latina que vai permitir a expansão das fintechs pela região.

“Nosso objetivo é fazer com que a América Latina se pareça com a Europa, o que significa que vamos ajudar nossos parceiros a desbloquear vários mercados em um curto período de tempo”, diz Gaston Irigoyen, fundador e presidente da Pomelo .

"Estamos entusiasmados com a parceria com a Pomelo devido a sua perspectiva única sobre a América Latina, sua visão para uma nova infraestrutura regional de fintech e uma equipe forte capaz de executar com os mais altos padrões", diz John Curtius, sócio da Tiger Global Management, em nota.

A ideia da startup partiu da experiência do trio de fundadores no mercado de pagamentos latino-americano. Irigoyen foi um dos primeiros funcionários do Google na Argentina. Depois de cinco anos na gigante, saiu para fundar a startup Guidecentral, comprada em 2016 pela americana WikiHow. Após a venda da companhia, o empreendedor passou pelas empresas argentinas Restorando, onde foi diretor de marketing, e no neobank Naranja X, em que foi presidente até dezembro do ano passado. 

Foi durante sua experiência na fintech que Irigoyen percebeu que havia espaço para uma companhia que ajudasse outras empresas da região com infraestrutura de pagamentos. Ao lado dos amigos Hernan Corral (ex-diretor da Naranja X e do Mercado Pago) e Juan Fantoni (ex-diretor da Mastercard na Argentina), o empreendedor fundou a Pomelo.

"Começamos a sentir a dor do mercado quando demoramos 15 meses para lançar um cartão na Naranja X. Juan, na Mastercard, via o mesmo problema: levava cerca de um ano entre a venda e o lançamento do produto", diz o presidente ao EXAME IN.

O trio de fundadores amadureceu a ideia durante o verão e logo foi procurar investidores para tirá-la do papel. A proposta ousada fez barulho: com menos de dois meses de negócio, 30 fundos ofereceram US$ 25 milhões para a Pomelo. Na época, a empresa decidiu pegar US$ 10 milhões em uma rodada seed em que participaram os fundos Sequoia Capital, Monashees, Index Ventures, QED, SciFi VC, 20VC, Latitud, Future Positive, Addition e FJ Labs, além de vários fundadores de unicórnios.

A nova captação, cinco meses depois da última, é para que a empresa possa aumentar sua presença internacional no Brasil e no México. Com 100 pessoas hoje, a Pomelo quer terminar 2022 com 250 funcionários. “Estamos investindo pesado nos dois mercados, aproveitamos que o setor de tecnologia e a América Latina estão no topo para nos mover rapidamente e investir em expansão internacional. Até o final do ano, queremos que 50% do nosso time esteja trabalhando para o mercado brasileiro", diz o presidente.

John Paz e Bruno Martucci, que comandam a operação brasileira da Pomelo (Pomelo/Divulgação)

Conforme a América Latina atrai mais investimentos e players internacionais, como o banco digital alemão N26 e a varejista asiática Shopee, os sócios da Pomelo acreditam que será importante aprender a lançar operações na região de forma mais rápida. Fintechs como a brasileira Nubank e a argentina Ualá já mostraram que há interesse em expansão regional.

"Lançar operações financeiras em um país é muito difícil, mas quando as empresas vão para um outro mercado precisam passar pelo processo outra vez, o que toma tempo e alguns milhões de dólares. Estamos propondo um novo jeito de fazer isso", diz Irigoyen.

Segundo os sócios, toda a tecnologia foi totalmente desenvolvida pela companhia ao longo dos últimos oito meses de operação. "Não tomamos atalhos. Sabemos que é difícil garantir que os clientes não tenham problemas quando forem migrar para outros mercados, então criamos a estrutura do zero. O desafio agora é replicar isso para os outros países da América Latina", diz John Paz, diretor da Pomelo no Brasil.

Na Argentina, quatro fintechs contrataram os serviços da Pomelo e devem colocar os produtos na rua entre novembro e dezembro deste ano. No Brasil e no México, ainda não há clientes contratados. “Estamos seguros que o reconhecimento dos clientes consolidará a Pomelo entre os players mais relevantes no Brasil em um espaço curto de tempo”, diz Caio Bolognesi, sócio da Monashees.

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