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Ryo chegou a R$ 3,3 bi sob gestão enquanto fundos de ações 'tomavam' resgate

Gestora aproveitou descontos na bolsa para lançar novo fundo concentrado em empresas com alto potencial de crescimento

Luiz Constantino, da Ryo: perfil de longo prazo do investidor jogou a favor da gestora
Luiz Constantino, da Ryo: perfil de longo prazo do investidor jogou a favor da gestora
Mitchel Diniz

Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 27 de abril de 2026 às 05:00.

A gestora de ações Ryo Asset vai completar cinco anos no próximo mês de maio e tem motivos para comemorar. Alcançou a marca de R$ 3,3 bilhões sob gestão em um período difícil para fundos que investem nessa classe de ativo e registraram resgates líquidos de R$ 54,5 bilhões no ano passado, de acordo com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). No primeiro trimestre de 2026, foram mais de R$ 6,4 bilhões resgatados.

Com a Selic em dois dígitos há mais de quatro anos, a indústria foi encolhendo. Luiz Constantino, sócio-fundador e gestor da casa, atribui o crescimento em tempos difíceis ao perfil de cotistas da casa. A base de investidores da Ryo é formada por institucionais, tanto no Brasil quanto no exterior.

"Esse perfil nos ajudou muito a conseguir trabalhar com um horizonte de mais longo prazo", explicou à EXAME. "Quando a base de investidores é mais frágil, você tem uma onda de resgates e acaba tendo que tomar decisões sob pressão e toma decisões erradas."

Ter investidores que já acompanham o trabalho do time há anos, segundo ele, foi o que permitiu à gestora manter a consistência do processo e evitar o que chama de "armadilha do curto prazo".

Constantino trabalhou 16 anos no Opportunity antes de fundar a Ryo em 2021, e trouxe consigo boa parte dos analistas com quem já trabalhava. "O time é basicamente o mesmo até hoje", afirma. Todos os integrantes são sócios e as participações crescem de acordo com o que cada um traz de retorno para a gestora.

A aposta feita no pior momento

Em maio de 2025, com a indústria ainda sangrando resgates, a Ryo lançou um terceiro fundo. O Ryo Compounders tem carteira concentrada em um grupo seleto de empresas, entre 10 a 15 nomes, e com liberdade para investir também fora do Brasil, embora hoje as únicas posições de empresas estrangeiras sejam Visa e Mastercard.

Lançar um produto novo naquele momento causou estranhamento. Mas, para Constantino, era o momento exato.

"Pela indústria estar tendo só resgate, a gente viu uma oportunidade ainda melhor para começar esse fundo. As teses de compounders no Brasil costumavam negociar com  múltiplos mais altos. No ano passado, os prêmios não estavam tão elevados para investir nesses grandes negócios." Entre os nomes que compõem o fundo atualmente estão Equatorial, Energisa, Eneva, Nubank, Smartfit e Prio.

No ano passado, o Ryo Compounders teve retorno de 29,62% no período entre maio, quando suas cotas começaram a ser negociadas, até o final de dezembro. Nesse mesmo intervalo, o Ibovespa avançou 17,6%.

Cautela no meio da guerra

Em 2025 todos os fundos da casa superaram o CDI e o Ibovespa. Já no primeiro trimestre de 2026, o desempenho ficou abaixo dos benchmarks. A guerra no Oriente Médio trouxe volatilidade e embaralhou as previsões. Ainda assim, Constantino afirma que a Ryo atravessou o período melhor posicionada do que a média da indústria, sem fazer grandes apostas em nenhuma direção.

A cautela tem raiz numa lição aprendida na crise de 2008, durante a crise do subprime, época em que Constantino era analista no Opportunity. O time havia reduzido o risco no começo daquele ano, escapou das primeiras quedas mas foi com muita sede ao pote ao voltar a comprar risco.

"Depois 'tomei' uma queda muito maior. Ficou a lição do cuidado para não exagerar achando que o pior já passou"

Hoje, com guerra, juros ainda altos e eleição presidencial no horizonte, o gestor prefere manter espaço para reagir. "A correção ainda foi pequena e o nível de incerteza ainda é muito alto. Não é hora de posicionar os fundos de forma muito agressiva."

Para o segundo semestre, Constantino enxerga dois fatores que podem mudar esse equilíbrio: a velocidade do corte de juros e o resultado das eleições. A Ryo acredita que a Selic será reduzida entre 150 e 200 pontos-base. E se vier uma mudança no campo político, a avaliação é que as condições para a bolsa melhoram de forma mais estrutural.

"Se a gente tiver uma inflexão política, que faça o mercado acreditar que teremos gastos públicos mais controlados, é possível pensar em juros ainda mais baixos no futuro".

Para Constantino, a retomada de captações na indústria de fundos de ações deve se intensificar apenas no final de 2026 ou em 2027, num cenário de eleição bem resolvida. O problema, segundo ele, é que o investidor brasileiro tem o hábito de tomar a decisão tarde. Espera o fundo render, espera o CDI cair, espera o cenário ficar mais claro — e quando age, os preços já subiram.

"Talvez o investidor não esteja pronto para antecipar muito esse ciclo — o que é uma pena, se tiver um ciclo bom mesmo. Vai acabar não capturando o retorno inteiro. Mas é o que é."

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Mitchel Diniz

Mitchel Diniz

Editor de Invest

Jornalista há 20 anos, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pela FIA Business School. Passou pelas redações de Valor, Folha de S. Paulo, GloboNews e InfoMoney.

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