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Gestores de fundos

Pátria compra negócio de fundos imobiliários de R$ 12 bi do Credit Suisse

Com a transação, fechada por R$ 650 milhões, gestora quase dobra posição em real estate

Pátria: Ativos de gestão saíram de US$ 14 bilhões em 2021, no IPO, para mais de US$ 40 bi (Pátria/Divulgação)
Pátria: Ativos de gestão saíram de US$ 14 bilhões em 2021, no IPO, para mais de US$ 40 bi (Pátria/Divulgação)

6 de dezembro de 2023 às 23:57

O Pátria anunciou há pouco a compra da gestora de fundos imobiliários do Credit Suisse, adicionando num tacada só R$ 12 bilhões (ou cerca de US$ 2,4 bi) em ativos à sua plataforma de real estate, que vai praticamente dobrar de tamanho após a conclusão da transação.

“Não é comum um player desse tamanho estar disponível. Tivemos a sorte do UBS ter comprado o Credit Suisse e entender que esse era um business que não fazia sentido para eles”, afirma o sócio responsável pela divisão de real estate da gestora do Pátria, Marcelo Fedak.

A gestora vai pagar ao todo R$ 650 milhões pelo negócio. Desse valor, R$ 300 milhões serão pagos após a aprovação da transação no Cade e os R$ 350 milhões adicionais depois que os cotistas dos fundos envolvidos aprovarem a troca de controle. A equipe da CSGH Real Estate, que envolve 25 pessoas, será mantida.

O portfólio do CSHG está dividido em seis segmentos, que incluem logística, varejo, escritórios e recebíveis e entrega um dividend yield anualizado de mais de 9%. A margem de fee-related earnings do negócio é de 50%, em linha com o número geral do Pátria.

A investida do Pátria em fundos imobiliários começou de maneira mais forte no ano passado, com a compra de 50% da VBI, na época com R$ 5,8 bilhões sob gestão -- incluindo uma opção de compra para todo o negócio. Desde então, levou também os ativos da Blue Macaw e mais recentemente fez uma joint venture com a Bancolombia para entrar no país vizinho.

“Estamos fazendo crescimento orgânico e inorgânico para trazer essa área [de real estate] para um tamanho mais representativo. Nos últimos anos, as outras áreas cresceram e essa ficou meio para trás. Com essa transação, ficamos mais bem posicionados”, diz Fedak.

O movimento segue a tese de abertura de capital do Pátria, que levantou US$ 600 milhões em 2021 com uma tese de aumentar a diversificação de ativos e de geografias.

Movido principalmente por uma máquina de aquisições, desde a estreia na Bolsa, os ativos sob gestão passaram de US$ 14 bilhões para mais US$ 40 bilhões com esta última transação.

Com um portfólio historicamente concentrado nas verticais de private equity e infraestrutura, hoje o negócio é bem mais diversificado: as duas verticais juntas respondem por cerca de um terço dos ativos sob gestão (considerando aqueles sob os quais incidem fees).

A compra do CSHG leva o portfólio de real estate para cerca de 17% da carteira da gestora.

O guidance da gestora é chegar a US$ 50 bi em ativos até 2025, com um fee-related earnings de US$ 200 milhões a US$ 225 milhões.

No mês passado, a gestora comprou o braço de private equity da europeia abrdn (antiga Aberdeen), com US$ 7,8 bilhões em ativos sob administração. A compra lançou as bases para uma vertical voltada para soluções globais, mirando investidores da América Latina que querem ter acesso a transações em moeda forte, nos Estados Unidos e na Europa.

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Natalia Viri

Natalia Viri

Editora do EXAME IN

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Valor, Veja e Brazil Journal e foi cofundadora do Reset, um portal dedicado a ESG e à nova economia.

Karina Souza

Karina Souza

Repórter Exame IN

Formada pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada pela Saint Paul, é repórter do Exame IN desde abril de 2022 e está na Exame desde 2020. Antes disso, passou por grandes agências de comunicação.

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