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Mercados

Nvidia já vale mais que o mercado chinês – e o que isso significa, segundo o BofA

Comparação mostra os dois extremos que vêm pautando os mercados mundiais

Índice Hang Seng, que concentra ações mais negociadas na China e em Hong Kong, negocia próximo às mínimas desde 2009 (Crédito Foto: Mark Ralston/Getty Images) (Mark Ralston/AFP/Getty Images)
Índice Hang Seng, que concentra ações mais negociadas na China e em Hong Kong, negocia próximo às mínimas desde 2009 (Crédito Foto: Mark Ralston/Getty Images) (Mark Ralston/AFP/Getty Images)
Natalia Viri

Natalia Viri

12 de fevereiro de 2024 às 14:36

A fabricante de chips Nvidia já vale mais que todo o mercado acionário chinês, tendo por base o Hang Seng, índice que concentra os papéis mais negociados na China e em Hong Kong.

Muito mais que uma curiosidade numa segunda-feira de Carnaval, a comparação mostra os dois extremos que vêm pautando os mercados mundiais.

De um lado, o rally do mercado americano e o otimismo com inteligência artificial que fizeram os papéis na Nvidia subir 228% na Nasdaq nos últimos doze meses. O que, para alguns, pode ser uma bolha, para outros é apenas o início de uma nova revolução tecnológica com potencial para marcar os grandes vencedores de um novo ciclo de crescimento.

De outro, o pessimismo com a economia chinesa, que se traduz num recuo de 25% no Hang Seng ao longo das últimas 52 semanas, negociado próximo às mínimas desde 2009.

Apesar do tombo e das medidas anunciadas pelo governo chinês ao longo dos últimos meses para tentar conter a sangria, analistas e investidores não se arriscam a cravar qual seria o piso do mercado na China em meio à cisão cada vez maior entre Oriente e Ocidente e temores de um esgotamento do modelo de crescimento exponencial dos últimos anos.

A Nvidia ultrapassou o Hang Seng em capitalização de mercado na última sexta-feira, quando atingiu o patamar de US$ 1,7 trilhão. O feito foi notado pelo estrategista do Bank of America, Michael Hartnett, em relatório a clientes. Mais do que os feitos da Nvidia, sua análise estava focada na debacle do mercado chinês.

Ele fez uma comparação entre os problemas que afligem hoje a China, com o Japão na década de 1990, quando uma espiral deflacionária levou o Nikkei a uma queda de 40 mil a 20 mil pontos.

Naquela ocasião, ainda que a visão top-down fosse desoladora, houve ganhos a serem capturados para quem estava olhando o fundamento das companhias – uma tese pouco utilizada nos últimos anos no mercado chinês, tido mais como proxy de crescimento do que de valor.

No Japão, ao mesmo tempo em que o principal índice caiu acionário caiu pela metade nos anos 1990, uma cesta formada por 15 companhias do que ele chama de ‘melhores da raça’ – ou ‘best of breed’ –, com boa gestão, balanços fortes e crescimento de lucro por ação, avançou 400%.

Olhando para o mercado americano – que vem marcando recordes históricos atrás de recordes –, Hartnett acredita que o momento está passando de um ‘vento de cauda’ para um ‘vento contrário’.

Ainda que não seja possível cravar um momento de pico, ele afirma que há vários sinais de venda se aproximando, como os níveis de caixa reportados na pesquisa com gestores de fundos.

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Natalia Viri

Natalia Viri

Editora do EXAME IN

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Valor, Veja e Brazil Journal e foi cofundadora do Reset, um portal dedicado a ESG e à nova economia.

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