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Energia

Na ressaca do setor elétrico, UBS vê oportunidade de compra em Copel

Em meio a ruído político, banco reforça preferência por distribuidoras em áreas de mais alta renda e adota postura mais cautelosa com geradoras de energia renovável

Copel: Sem exposição à renovação de concessões, UBS vê empresa com boa relação entre risco e retorno (Copel/Divulgação)
Copel: Sem exposição à renovação de concessões, UBS vê empresa com boa relação entre risco e retorno (Copel/Divulgação)
Natalia Viri

Natalia Viri

29 de abril de 2024 às 15:19

Os últimos meses têm sido de intenso barulho político no setor elétrico, com pouca clareza no cenário para renovação das concessões de distribuidoras, congelamento de tarifas no Amapá e preços da energia próximos das mínimas históricas.

Isso, associado às taxas de juro que podem se manter altas por mais tempo que o esperado, formou uma tempestade perfeita para as elétricas listadas em bolsa.

Desde o começo do ano, o Índice de Energia Elétrica (IEE) cai 8%, o dobro do recuo de 4% do Ibovespa.

Em relatório divulgado hoje, o UBS fez as contas para identificar oportunidades em meio à ressaca generalizada dos papéis do setor — e reforçou seu call de compra para Copel, colocando a antiga estatal paranaense como sua preferida, com melhor relação de risco e retorno.

“Vemos o nome com boas perspectivas de crescimento dentro de seu controle, ao mesmo tempo que ele não sofre com a volatilidade do processo de renovação de concessões”, escreve a equipe liderada por Giuliano Ajeje.

Nas contas do banco, a empresa negocia a uma taxa interna de retorno de 15%, ante uma média de 11,4% do setor, e um dividend yield de 6,7% entre 2024 e 2028, acima da média de 5,5%.

Além disso, o banco estima que a companhia tenha um crescimento de 10,4% anual no Ebitda entre 2024 e 2028 e diz que ela está pouco alavancada, o que a deixa menos suscetível aos juros mais altos.

No cenário de risco político elevado, o UBS prefere as distribuidoras de energia mais voltadas para regiões abastadas, em contraposição àquelas que têm maior percentual de consumidores de baixa renda.

O banco também está mais cauteloso com as geradoras de energia renovável, já que desde o apagão de agosto de 2023, o Operador Nacional do Sistema (ONS) vem despachando mais térmicas para preservar reservatórios das hidrelétricas — o que também se traduz em menor despacho eólico e térmico.

Ajeje afirma também que, num momento de maior percepção de risco, os investidores têm premiado estratégias de dividendos em relação às de crescimento.

Nesse sentido, o analista chama a atenção para outros dois casos. O primeiro é o da Alupar, “um operador top tier com um bom carry de dividendos, eu também evitaria os ruídos mais pesados do setor”.

O segundo é da Cemig. “Apesar das notícias sobre uma possível federalização, ela deve ter uma assimetria positiva de dividendos por causa da venda da Aliança Energia e um potencial haircut em passivos referentes a planos de aposentadoria”, aponta. A expectativa do banco é de um dividend yield de 10,5% para a estatal mineira.

Nos dois casos, no entanto, apesar do bom potencial em proventos, o UBS destaca que os valuations já estão mais esticados e, por isso, têm recomendação neutra.

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Natalia Viri

Natalia Viri

Editora do EXAME IN

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Valor, Veja e Brazil Journal e foi cofundadora do Reset, um portal dedicado a ESG e à nova economia.

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