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Energia

Na Cemig, dividendos extraordinários à vista?

Venda da Aliança Energia pode se traduzir em remuneração adicional – mas não é o único fator que pode puxar o payout

Cemig: Negócio com a Vale era esperado, mas valor ficou acima do consenso (Agência Nitro) (Bruno Magalhaes/Agência Nitro/Site Exame)
Cemig: Negócio com a Vale era esperado, mas valor ficou acima do consenso (Agência Nitro) (Bruno Magalhaes/Agência Nitro/Site Exame)
Karina Souza

Karina Souza

28 de março de 2024 às 12:55

A venda da fatia de 45% na Aliança Energia para a Vale, anunciada na noite de ontem, pode aumentar a distribuição de dividendos da Cemig. Nas contas do UBS, a transação pode implicar um dividend yield adicional de 3,9%; para o BTG (do mesmo grupo de controle da EXAME), o percentual é um pouco menor, de 2%.

O mercado já esperava o negócio. A Vale já tem 55% da Aliança e é a principal consumidora da energia gerada pelos ativos e a estatal mineira já vinha sendo bastante vocal sobre a possibilidade em seu plano de desinvestimentos do ativo desde 2020.

O valor, contudo, ficou acima do consenso de mercado, que estimava algo mais próximo dos R$ 2 bilhões. Nas contas do UBS, o montante corrigido é de R$ 2,9 bilhões.

Já o BTG estima que o valor líquido da transação é de R$ 2,2 bilhões, para um ativo que está avaliado em R$ 1,17 bilhão. Haveria portanto, um ganho de capital de aproximadamente R$ 1 bilhão, que poderia levar o lucro líquido da companhia de R$ 5 bilhões para R$ 6,1 bilhões em 2024, o que impulsiona o dividend yield de 9,1% e 11%. 

Com um balanço desalavancado, vem crescendo a expectativa de dividendos extraordinários na Cemig. 

O UBS destaca que, além do ganho de capital na venda da Aliança, está em jogo uma possível baixa do passivo da Cemig Saúde. Hoje, há uma provisão de R$ 3,4 bilhões referente a um processo judicial de benefício pós-emprego relacionado ao plano de saúde e odontológico da Cemig — no qual a companhia não quer continuar a pagar para os trabalhadores aposentados. 

O banco estima um haircut de 20% a 60% sobre esse valor (tomando como base premissas de um processo semelhante da Eletrobras nesse cenário), o que traria um ganho potencial de R$ 600 milhões a R$ 2 bilhões para a companhia, e que se traduz em um dividend yield adicional de 2% a 6,8%.

“A venda da Aliança faz parte de um processo de ganho de eficiência na Cemig, ao se concentrar em ativos sobre os quais detém controle. Embora esta venda deva ser bem recebida pelo mercado, em nossa visão, destacamos que a empresa está em um cenário nebuloso em relação à possível federalização”, escreve o analista Giuliano Ajeje, fazendo alusão às conversas entre o governo federal e o mineiro, no qual a companhia entraria como moeda de troca para redução da dívida do Estado.

De fato, as ações responderam pouco no pregão de hoje e operam em estabilidade.  

A avaliação do UBS é que o cenário de federalização – e tampouco de privatização, como queria o governador Romeu Zema (Novo) – devem acontecer.

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Karina Souza

Karina Souza

Repórter Exame IN

Formada pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada pela Saint Paul, é repórter do Exame IN desde abril de 2022 e está na Exame desde 2020. Antes disso, passou por grandes agências de comunicação.

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