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Ecommerce: a startup que traz a China para seu app nasce com R$ 17 mi

Rodada de capital semente liderada pela Canary dá pontapé inicial na Cross Commerce, que integra o lojista chinês com os marketplaces nacionais

Dois dos três fundadores, Eduardo Macedo e João Vieira: Mandarim na ponta da língua da equipe e escritório em Hong Kong (Tiago Queiroz/Divulgação)
Dois dos três fundadores, Eduardo Macedo e João Vieira: Mandarim na ponta da língua da equipe e escritório em Hong Kong (Tiago Queiroz/Divulgação)
GV

Graziella Valenti

16 de dezembro de 2021 às 09:02

No começo de dezembro, uma apresentação da companhia de logística Sequoia fez as ações da Magazine Luiza despencar, levando junto as concorrentes Via e Americanas. Na soma de todas as empresas, foram mais de R$ 10 bilhões em valor de mercado que derreteram naquele pregão — e até agora não foram recuperados. O motivo? O espaço que os concorrentes asiáticos, como Shopee, Shein e AliExpress, estão conquistando no comércio eletrônico brasileiro. A Sequoia contou que entre julho e setembro de 2021, a receita feita com entregas para esses concorrentes se multiplicou por 19 e o total de encomendas mensais subiu de 17,5 mil para 377 mil nesse curtíssimo intervalo. Pânico instalado no mercado.

Mas, como o mundo vive uma constante reinvenção diária, a companhia que pode resolver a dor de cabeça dos e-commerces brasileiros acaba de começar a operar. A Cross Commerce Store, que tem por objetivo trazer sellers de outros países para o Brasil e região, começou a vender em outubro. A novíssima companhia, fundada em setembro por ex-executivos da Americanas e da Stone, estreia logo após receber um aporte de R$ 16,8 milhões em capital semente, em rodada liderada pela Canary, e que contou com participação do GFC, Maya Capital, OneVC e Norte Ventures.

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Mas como a Cross Commerce pode resolver a dor de cabeça das gigantes brasileiras — que podem ser formigas comparadas aos titãs internacionais como AliExpress e ainda a Amazon? A resposta é bem simples: trazendo o mesmo vendedor chinês que está nas plataformas internacionais para os players brasileiros — e ainda com curadoria de qualidade e entrega controlada, desde o centro de distribuição lá da China.

A companhia foi fundada neste ano por um trio de jovens executivos que têm experiência profunda no mercado de comércio eletrônico. Eduardo Macedo, João Ricardo Vieira e Renato Marcelino se encontraram trabalhando juntos na B2W, braço de e-commerce da Lojas Americanas antes da fusão que uniu os ativos em um só negócio. Macedo foi líder da expansão do marketplace da Americanas e diretor de pagamentos digitais na Stone. Marcelino, por sua vez, esteve à frente da tecnologia do marketplace na então B2W e Vieira liderou justamente o segmento internacional do supermercado eletrônico da empresa.

Nem precisa dizer quanto que o trio viu de perto as dores de ambos os lados. Foi assim que se deram conta sobre a necessidade de melhorar a integração dos vendedores internacionais nas plataformas locais e começaram a jornada — com estreia a jato —  de criar a Cross Commerce.

Embora a companhia tenha como objetivo, no futuro, ajudar de sellers de diferentes países a vender por aqui, o foco do momento está na China, contaram Macedo e Vieira em entrevista ao EXAME IN. “Todo nosso time comercial fala mandarim”, enfatiza Vieira. Hoje, a companhia tem 20 colaboradores e com a capitalização esse total vai ser ampliado para 60 e haverá abertura de um escritório em Hong Kong, justamente para melhorar ainda mais as facilidades para os sellers chineses e, por outro lado, a curadoria para as varejistas brasileiras.

No longo prazo, a companhia buscará vendedores em outros países também. “Tem oportunidade no mundo todo. Nosso objetivo é permitir que o consumidor brasileiro possa ter acesso ao varejo no mundo”, enfatiza Vieira. Mas, nesse momento, a China tem desafios e oportunidades suficientes — e urgentes — para serem atacadas primeiro. A pandemia fez as compras online dispararem e entrarem de vez na rotina dos brasileiros. Quase 80 milhões de pessoas no país fizeram ao menos uma compra eletrônica em 2020, segundo pesquisa Ebit/Nielsen, movimentando o recorde de R$ 87,4 bilhões. E, agora, tudo indica que as promoções chinesas podem dar um novo "boost" no comércio digital.

Como funciona

Na prática, o que o seller chinês precisa fazer é 'entregar' seu produto para a Cross Commerce cuidar. O que o consumidor brasileiro vai enxergar daqui, quando faz sua encomenda, é a empresa criada pelo trio, e não o lojista da China. A companhia de Macedo, Marcelino e Vieira cuida de tudo para os chineses: define a estratégia, cuida da apresentação do produto, otimiza as ofertas para ficarem mais atrativas, gerencia o pedido, auxilia no atendimento ao cliente, além de cuidar de toda a integração com as plataformas de varejo nacional. O alinhamento com os representados, e com os consumidores, é perfeito, pois é sua própria reputação que a Cross Commerce gerencia. É sobre sua percepção de valor que a companhia planeja crescer.

Os executivos contam que a experiência com os vendedores na China mostrou que existe um enorme interesse em vender para marketplaces na América Latina, inclusive porque há um desejo de diminuir a dependência de Amazon nos Estados Unidos e dos próprios monstros locais como a AliExpress. Entretanto, as dificuldades de integração, sem contar o desafio da língua, acabam se transformando em barreira. É essa ponte que a Cross Commerce constrói, para superar esses empecilhos.

Essa construção tem sido para lá de veloz, dado o histórico dos fundadores e as relações que possuem. O início das operações aconteceu com a Americanas em outubro e até o fim de janeiro Mercado Livre e Amazon estarão integrados também à rede da empresa. No primeiro mês, a empresa representou 30 lojistas chineses, com um sortimento de 300 produtos. Essa lista de ofertas pulou para 2.300 variedades no começo desse mês e vai terminar o ano com mais de 10.000. “Lá existem milhões de lojistas interessados em vender para um número cada vez maior de clientes”, afirma Macedo, a respeito do potencial existente na China, devido ao tamanho e vocação para o comércio internacional.

Até que tenha o escritório regional para poder desbravar o mercado chinês de perto, a Cross Commerce só aceita lojistas que já tenham experiência com marketplaces para que possa avaliar as notas dos produtos, de forma a proteger a varejista e o consumidor nacionais. Depois, a presença local vai poder permitir que a empresa seja até mesmo uma “educadora” do lojista da região sobre como vender para o Brasil e América Latina.

Enquanto o investidor teme que os titãs da China e dos Estados Unidos engulam os competidores brasileiros do e-commerce, o trio da Cross Commerce vê bem diferente. Apesar da força desses competidores, acreditam que o varejo online continuará substancialmente fragmentado. A fé nessa tendência é tão grande que eles criaram o negócio justamente para resolver as dores de cabeça dos sellers de lidar com essa pulverização.

 

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