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Lucro, caixa e dividendos: OceanPact vê 'oceano azul' após tormenta

Em entrevista à EXAME, o CFO Eduardo de Toledo fala da expectativa de crescimento de resultados e distribuição de proventos

Eduardo de Toledo, CFO da Oceanpact: 'dividendo faz parte de ciclo natural'
Eduardo de Toledo, CFO da Oceanpact: 'dividendo faz parte de ciclo natural'

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 06:00.

Última atualização em 16 de janeiro de 2026 às 15:26.

OceanPact pode até ter liquidez reduzida na bolsa, mas, na visão de analistas, é uma empresa que navega em um vasto oceano azul. Não que os especialistas estejam sendo literais — afinal, é no mar que a companhia, listada na B3 desde 2021, atua. Os agentes enxergam características únicas na fornecedora de embarcações e prestadora de serviços da indústria offshore de petróleo, cuja principal cliente é a Petrobras. Uma relação agridoce, dividida entre uma disputa judicial e parcerias bilionárias.

Essa mesma combinação paradoxal abre caminhos para incremento de lucro, caixa e distribuição de dividendos. "É um desenvolvimento natural da empresa", afirma Eduardo de Toledo, diretor financeiro e de relações com investidores da OceanPact, em entrevista à EXAME. "Novos contratos dão um salto nos resultados. E, obviamente, com um nível de endividamento baixo, que a empresa passe a distribuir dividendos ou recomprar ações."

O último grande contrato fechado pela empresa foi no último mês de dezembro, de R$ 500 milhões, com a Petrobras.

"O principal ponto desses contratos é que eles reforçam a tese de que a oferta de embarcações está apertada. O valor das diárias nas renovações com a Petrobras está crescendo de maneira relevante, de 20% a 80%. Isso vira uma geração de caixa muito relevante", afirma Natan Franco, analista de ações da HIX Capital, que acompanha a tese.

Guinada no mar

No terceiro trimestre do ano passado, a OceanPact reverteu prejuízo registrado em igual período no ano de 2024, com lucro líquido de R$ 58 milhões. O resultado operacional (Ebitda) mais que dobrou, para R$ 213 milhões. A alavancagem, por sua vez, diminuiu, para 1,78 vez (a dívida líquida em relação ao Ebitda).

A disputa judicial com a Petrobras foi herdada pela OceanPact ao adquiri, em 2021, a UP Offshore, que cobrava da petrolífera taxas e valores que alega ter deixado de receber, referente a duas embarcações: Coral e Turquoise. O processo tramita do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e é visto como causa ganha para a prestadora de serviços. Por Turquoise, a OceanPact já embolsou R$ 114,8 milhões, R$ 80 milhões a menos do que foi sentenciada a pagar. No caso de Coral, a Petrobras entrou com recursos, mas até agora todos foram rejeitados pelo STJ.

Pelos cálculos do Itaú BBA, a OceanPact receberia um total R$ 527 milhões líquidos nos litígios, quase um terço do market cap da companhia hoje (R$ 1,76 bilhão). Acompanhando a empresa pelo buy side, Franco acredita que a parcela incontroversa (paga em comum acordo) de Coral deve ser desembolsada em meados deste ano, com injeção líquida em torno de R$ 300 milhões na companhia.

"Esse valor, acreditamos, tem potencial para virar dividendo", diz o analista. Valores futuros também poderiam ser distribuídos aos acionistas, já que a OceanPact fechou contratos com diárias mais elevadas, o que impulsiona o Ebitda e reduz a alavancagem, abrindo espaço para proventos.

Detrator de dividendos?

As diferenças com a Petrobras, pelo visto, começam e terminam no tribunal. "Estamos, neste momento, fazendo um projeto na Colômbia e quem nos convidou foi a Petrobras, que atua lá e nos chamou justamente pela relação que temos no Brasil", afirma Toledo. A OceanPact também tem um escritório na Guiana e outro no continente africano.

Por outro lado, a companhia tem desacelerado investimentos, o que aumenta a chance de distribuição de lucros em dividendos.

"A empresa fez um ciclo grande de investimento no momento que entendeu que havia uma situação de mercado muito favorável. O preço dos ativos estava muito baixo e foi uma boa oportunidade de alocação de capital. Neste momento a empresa pode vir a fazer capex? Sim, pode. Mas acho que de maneira mais pontual, de oportunidades que possam surgir", diz Toledo.

Na entrevista à EXAME, o CFO da Oceanpact também fala sobre perspectivas de negócios com a exploração da margem equatorial e como a companhia acompanha as fortes oscilações no preço de petróleo.

EXAME: A OceanPact está ligada a uma indústria que vem passando por forte volatilidade: a do petróleo. Como crescer e ter ganhos no meio de tanta incerteza?

EDUARDO DE TOLEDO: Depois da crise do petróleo em 2014 e 2015, houve uma queda muito grande da atividade no Brasil e no mundo. Como havia muita embarcação sobrando no mercado global, os valores caíram bastante. A empresa olhou para esse cenário e entendeu que poderia ser um bom momento para iniciar um ciclo de investimentos, aproveitando esse período de baixa que já durava alguns anos, com a expectativa de que, em algum momento, o ciclo se reverteria. Foi com esse objetivo que a empresa fez suas primeiras emissões e realizou o IPO [Oferta Pública Inicial] no começo de 2021, exatamente para comprar embarcações no momento adequado de mercado. A empresa comprou embarcações em um momento de baixa, mas também fechou contratos nesse mesmo momento de mercado ainda fraco. Por isso, os primeiros resultados depois dessas aquisições foram mais modestos, compatíveis com esse ambiente de baixa. No Brasil, os contratos normalmente têm duração de três a cinco anos. O mercado melhorou, mas a empresa só passa a capturar esse movimento quando os contratos vencem e são renegociados. Esse é exatamente o momento que a empresa está vivendo hoje.

EXAME: Há chances de novas receitas com o crescimento das 'junior oils'?

EDUARDO DE TOLEDO: O ponto central é que a Petrobras é, e continuará sendo, o grande player do país. Ela responde por algo em torno de 80% da produção doméstica e não vejo isso mudando de forma significativa. A 'junior companies' estão entrando, sim, mas a Petrobras continua sendo quem mais investe em exploração, quem detém as grandes reservas do pré-sal e quem realizou as grandes descobertas recentes. Esse quadro não deve se modificar. A Petrobras pode sair de 75% para 70% das nossas receitas em algum momento, mas dificilmente isso fugirá muito desse patamar, pelo tamanho da companhia no mercado e pelo nosso tamanho atual.

EXAME: O mercado espera por distribuição de dividendos em 2026. Vai acontecer?

ET: A partir do fechamento de novos contratos, teremos um novo salto de Ebitda, e é isso que sustenta as projeções que o mercado está fazendo. Com um novo patamar de resultado, a empresa passa a ter um desempenho bastante positivo. E, considerando que o nível de endividamento já está baixo, é natural passar a distribuir dividendos ou recomprar ações de alguma forma. Haverá um fluxo de caixa livre que faz sentido retornar aos investidores.

EXAME: Que tipo de perspectiva a exploração de petróleo na margem equatorial traz para a OceanPact?

ET: Por ser uma região de grande sensibilidade, há uma demanda muito grande por serviços para que a exploração seja feita com máxima segurança. Nesse sentido, já temos demanda e estamos atuando lá, contratados pela Petrobras, apoiando a companhia nesse cuidado que a região existe. Certamente há perspectiva de outros serviços que podemos prestar nessa parte da exploração. E, obviamente, quando se descobre petróleo, tem toda uma outra gama de serviços que poderíamos oferecer. Mas estamos falando de um horizonte mais distante, de seis, sete, oito anos, o tempo necessário, depois de uma descoberta, para se efetivamente produzir petróleo.

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Mitchel Diniz

Mitchel Diniz

Editor de Invest

Jornalista há 20 anos, com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pela FIA Business School. Passou pelas redações de Valor, Folha de S. Paulo, GloboNews e InfoMoney.

Ana Luiza Serrão

Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Jornalista

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