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Depois de anunciar fechamento de lojas, Dia pede recuperação judicial

Companhia tem dívida de R$ 1,1 bilhão e vai manter apenas 244 lojas no Brasil

Dia Brasil: Com dívidas de R$ 1,1 bilhão, grupo entrou com pedido de recuperação judicial há dois meses  (Gabriel Correa/Exame)
Dia Brasil: Com dívidas de R$ 1,1 bilhão, grupo entrou com pedido de recuperação judicial há dois meses (Gabriel Correa/Exame)
Raquel Brandão

Raquel Brandão

21 de março de 2024 às 07:57

Com forte queima de caixa, a rede de mercados Dia entrou com pedido de recuperação judicial no Brasil. O pedido é exclusivamente para a operação no país, não envolvendo a rede na Espanha e na Argentina, onde também opera.

A dívida total é de R$ 1,1 bilhão, da qual a maior parte é com fornecedores. Segundo reportagem do Valor, a dívida com os bancos é de R$ 268 milhões. O pedido de recuperação judicial foi feito ao Tribunal de Justiça de São Paulo.

Em 2023, o resultado negativo do Brasil fez a companhia dar uma baixa contábil de 60 milhões de euros. A receita líquida foi de aproximadamente R$ 3,9 bilhões.

Ao longo dos anos, o negócio acumulou queima de caixa. Em 2023, o prejuízo foi de 154 milhões de euros, com um fluxo de caixa livre negativo em 37 milhões de euros. A margem Ebitda foi negativa em 8,1%.

Criada em 1993, a varejista alimentar espanhola chegou ao Brasil em 2001. Os problemas começaram em 2021, quando começou a reportar resultados negativos. Em 2022, o aumento dos preços de commodities sofreram reajustes expressivos, trazendo na esteira a consolidação dos atacarejos como canal mais relevante de venda do varejo alimentar. O fluxo de clientes do Dia passou de 392 mil diários em 2021 para 309 mil clientes diários em 2023. 

No ano passado, em meio a rumores de venda da operação brasileira, o Dia anunciou a chegada de Sébastien Durchon como CFO no país. O francês foi CFO do Carrefour Brasil. Neste ano, Durchon assumiu como CEO. Em entrevista ao jornal, o executivo diz que não foi possível encontrar outra solução a não ser a proteção judicial. 

A consultoria financeira está nas mãos da Alvarez & Marsal. O escritório Galdino & Coelho, Pimenta, Takemi, Ayoub Advogados são os assessores jurídicos.

No último dia 20 de março, anunciou um amplo plano de reestruturação, ao fim do qual manterá apenas 244 lojas em São Paulo, onde está concentrada sua operação. Com os fechamentos, a expectativa da empresa é de que em 2024 some um faturamento de R$ 2,5 bilhões, com a margem Ebitda voltando ao positivo.

Fechamento de lojas

De origem espanhola, o grupo decidiu fechar 343 lojas, no interior de São Paulo e em Belo Horizonte, e três centros de distribuição. Hoje, a companhia tem 587 lojas. "O plano é sacrificar metade da empresa para deixar a metade que está saudável. A grande meta é parar de queimar caixa", explicou uma pessoa próxima à operação ao INSIGHT.

Em comunicado, o grupo afirmou que fará "a posterior análise de diferentes alternativas estratégicas para o Dia Brasil". As 244 lojas mantidas se concentram especialmente na capital, em algumas cidades da grande São Paulo e em Santos -- e cerca de metade delas é de franquias. Para manter as lojas, o centro de distribuição de Osasco vai continuar operando.

Também continuarão funcionando o programa de fidelidade Clube Dia e a venda de produtos de marca própria, uma característica muito forte da rede espanhola.

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Raquel Brandão

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Jornalista há mais de uma década, foi do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas e bastidores do mercado

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