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Carrefour limpa a casa – e tenta mostrar que o pior já passou

Margem das lojas convertidas do BIG e a redução de despesas gerais e administrativas foi bem-recebida, mas números ainda ficaram poluídos por ajustes 

 (Germano Lüders/Exame)
(Germano Lüders/Exame)
Raquel Brandão

Raquel Brandão

20 de fevereiro de 2024 às 14:52

No quarto trimestre, o Carrefour Brasil continuou a limpeza no portfólio e o ajuste no balanço para dar fim às pontas soltas após a aquisição do BIG – num momento em que o cenário não é dos mais bonitos para o varejo alimentar, em especial no canal atacarejo, que é o mais relevante do negócio do grupo francês no país.

A margem de lojas convertidas do BIG convertidas em Atacadão acima da expectativa do mercado e uma redução de despesas gerais e administrativas deu ânimo ao mercado e o papel abriu o pregão com forte alta, beirando os 10%. Perto das 14h50, o papel subia 10,42%, para R$ 11,97, nas maiores altas do Ibovespa.

A reação positiva do papel também veio como uma correção da véspera, já que os papéis se destacaram nas quedas da segunda-feira, 19 – refletindo em parte as expectativas para a companhia com a morte de Abílio Diniz, vice-presidente do conselho e com voz ativa na companhia.

Para os analistas do Goldman Sachs e do Jefferies, a indicação é de que o pior pode já ter ficado para trás. Já a equipe do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) diz que os resultados poluídos ainda vieram num cenário desafiador e reforçou que ajustes ainda devem ser feitos no curto prazo.

No período, a empresa reportou um prejuízo líquido de R$ 565 milhões, com a última linha fortemente afetada pela decisão da companhia de fazer mais 123 fechamento de lojas.

Embora só 11 tenham sido fechadas em dezembro e a grande maioria tenha ficado para o primeiro trimestre deste ano, o efeito já se fez sentir nos números do quarto trimestre. Foi preciso fazer uma baixa contábil de R$ 851 milhões relacionados a essa “otimização de portfólio de lojas”, nas palavras da própria companhia. Considerando ajustes, o lucro líquido foi de R$ 520 milhões.

“O benefício do fechamento de lojas deficitárias deve começar a transparecer no primeiro trimestre. Nunca é fácil fechar lojas para um varejista, mas vai ser positivo”, afirmou o CEO, Sthephane Maquaire, diante das perguntas dos analistas sell side na teleconferência de resultados.

De acordo com o CEO e o CFO, Eric Alencar, as lojas fechadas, majoritariamente da rede TodoDia (que pertencia ao BIG), representavam pouco mais que 1% das vendas, mas tinham impacto negativo no Ebitda de mais de R$ 200 milhões.

Considerando questões trabalhistas, a incorporação do BIG ainda deve trazer um impacto de R$ 700 milhões a R$ 900 milhões no ano e se reduzir substancialmente em 2025, mas o fechamento das lojas também trazer algum efeito positivo para o caixa, diz Alencar dado que “há um grande valor que vai de real estate” com a venda de 40 pontos.

Ainda sobre a incorporação do BIG, a empresa acredita que, assim que concluído o processo de simplificação societária, poderá utilizar crédito tributário. “Esperamos impactos positivos neste ano em relação a isso”, respondeu Alencar a um dos analistas.

A entrada de recursos extras é importante para a empresa dada a queima de caixa recente. No fim do quarto trimestre, o fluxo de caixa livre do Carrefour caiu 20%, para R$ 2,57 bilhões. A geração de caixa ainda demonstrou fraqueza, com o lado operacional ainda penalizado.

A receita total caiu 1,2% no trimestre, para R$ 31,1 bilhão, com o varejo em queda de 13% e o atacarejo ainda titubeante com avanço de apenas 2,4%. Os melhores desempenhos ficaram para o Sam’s Club, que avançou 18%, e para o banco Carrefour, que viu o faturamento aumentar 15%.

Agora, diz Alencar, a perspectiva da inflação alimentar voltando a crescer deve ajudar o grupo na recuperação. “Para o ano, estamos vendo a inflação alimentar e de custos andando uma ao lado da outra. Começa a ter um cenário positivo”, argumenta.

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Raquel Brandão

Raquel Brandão

Repórter Exame IN

Jornalista há mais de uma década, foi do Estadão, passando pela coluna do comentarista Celso Ming. Também foi repórter de empresas e bens de consumo no Valor Econômico. Na Exame desde 2022, cobre companhias abertas e bastidores do mercado

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