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BYD lança carro elétrico "popular" no Brasil e planeja fábrica de automóveis no país

Montadora deve chegar à marca de 100 concessionárias até o fim deste ano, o dobro de 2022

BYD Dolphin: lançamento é econômico sem perder tecnologia  (BYD/Divulgação)
BYD Dolphin: lançamento é econômico sem perder tecnologia (BYD/Divulgação)
Karina Souza

Karina Souza

13 de dezembro de 2023 às 19:26

"Divertido, pop e 100% elétrico". Foi com essa mensagem que a BYD definiu o novo carro da marca, chamado Dolphin, lançado oficialmente no Brasil nesta quarta-feira, 28. O conjunto de palavras não vem à toa: inaugura uma nova fase da montadora no Brasil, de olho em um consumidor com poder aquisitivo menor, que procura um veículo elétrico de entrada. Depois de trazer quatro modelos de carros mais caros para o Brasil no ano passado, o mote da empresa para 2023 é proporcionar acesso ao primeiro elétrico de condutores interessados. Apesar da intenção, o preço do veículo ainda passa longe de ser módico, custando R$ 149,8 mil. Mas, em comparação aos demais veículos da marca vendidos por aqui, a diferença é expressiva: o modelo mais barato vendido por aqui, até então, custava a partir de R$ 269 mil.

"Temos alguns desafios no país, como a infraestrutura de carregamento e a falta de incentivos do governo para carros elétricos. Isso sem falar nos juros altos, que também inibem o consumo", diz Stella Li, vice-presidente global da BYD, ao EXAME In.

São pontos bastante similares ao discurso da executiva no fim do ano passado, quando falou com o EXAME In para o lançamento dos modelos Yuan Plus e Song Plus DM-i. Na época, em outubro, a companhia havia acabado de anunciar que fazia parte da Aliança pela Mobilidade Sustentável, iniciativa coordenada pela 99 para fomentar a infraestrutura de carros elétricos no país, uma associação da qual ainda faz parte. Em relação aos juros, Li faz coro às expectativas de uma redução à vista da Selic. “Será um passo muito importante e com certeza vai trazer novo fôlego à demanda de carros elétricos no país”, afirma.

Mas não quer dizer que a demanda no segmento está fraca. Mesmo com juros altos, ela vai de vento em popa. No mês de maio, houve um novo recorde de vendas desse tipo de veículo, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), com 6.435 emplacamentos. Desde que a série histórica começou, em 2012, já são mais de 150 mil unidades circulando no país. Ainda assim, olhando para o mercado de automóveis como um todo, os desafios permanecem. A Volkswagen anunciou nesta terça-feira, 27, por exemplo, a suspensão temporária de produção em suas três fábricas do Brasil, uma medida tomada por “estagnação do mercado”. 

Mesmo com os desafios atuais, o apetite da montadora chinesa pelo Brasil segue a todo vapor. A BYD está há cerca de dez anos no país e, hoje, já tem três fábricas por aqui: duas em Campinas, para a produção de chassis de ônibus elétricos e de módulos fotovoltaicos, e uma em Manaus, para a produção de baterias para carros. Em 2021, a empresa começou a vender os veículos de passeio elétricos por aqui, todos importados, e, agora, estuda uma nova fábrica no país, de olho em fabricá-los localmente.

"Estamos no estágio final desse processo e devemos fazer o anúncio oficial em breve. Acreditamos no Brasil. Vamos investir no país e em outras regiões da América Latina", diz Li. Os valores, entretanto, ainda estão sob sigilo.

Por enquanto, a chegada do BYD Dolphin é o passo mais sólido que a empresa tem, hoje, para conseguir aumentar sua presença local. Além deste modelo, outro da mesma 'família' (com nome inspirado no mar) também deve chegar ao país ainda em 2023, na mesma proposta de preço mais acessível. 

Se o preço do lançamento, à primeira vista, parece salgado, os executivos da empresa enfatizam a eficiência que o modelo consegue trazer em comparação a outros combustíveis. No evento, a mensagem deixada foi a de que um carro movido a etanol tem um custo de 44 centavos por quilômetro rodado, enquanto o Dolphin tem um custo de 11 centavos sob a mesma comparação. O que levou a companhia a dizer que se trata do carro mais eficiente do Brasil. 

A autonomia do veículo é de 291 quilômetros, segundo a montadora, e, assim como seus 'irmãos' mais caros, o Dolphin mantém a mesma capacidade de carregamento rápido. Em estações (disponíveis em shoppings e edifícios comerciais, por exemplo) o carro leva cerca de 25 minutos para atingir carga completa. Já em uma tomada comum, como as de uma residência, leva cerca de 7 horas para ser carregado. Também a exemplo dos demais veículos já lançados, este conta com opcionais como uma tela de 12,8 polegadas, karaokê, videogame e recursos como a abertura do carro via NFC – a mesma tecnologia para pagamentos por aproximação – oferecendo a possibilidade de usar um cartão ou um anel para abrir o carro.

Esse conjunto de novidades é creditado pela BYD à trajetória de investimento em inovação. Hoje, a empresa acumula mais de 40 mil patentes solicitadas, o que equivale, resumidamente, a 11 requerimentos por dia. Globalmente, a empresa já vendeu mais de 4 milhões de veículos desde que foi fundada, há 27 anos. 

De olho na proposta de um futuro mais sustentável, a montadora chinesa quer mostrar que pode contribuir para a meta de reduzir a temperatura da Terra ao mesmo tempo que fomenta a economia. "Ao dirigir um carro elétrico, você precisa, obviamente, de energia. Toda a infraestrutura para produzir essa eletricidade terá de ser feita de forma local. Acreditamos muito na formação de um ecossistema em torno da mobilidade elétrica, que vai beneficiar a toda a sociedade", diz Li.

Leia também: BYD anuncia mais detalhes de nova fábrica na Bahia

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Karina Souza

Karina Souza

Repórter Exame IN

Formada pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada pela Saint Paul, é repórter do Exame IN desde abril de 2022 e está na Exame desde 2020. Antes disso, passou por grandes agências de comunicação.

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