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Nova apoteose na B3? Bemobi registra demanda de 20 vezes no IPO

Empresa preferiu não vender lote extra, de ações dos sócios, e concentrou operação em levantar R$ 1,1 bilhão para o caixa

Depois da Mosaico dobrar seu valor de mercado na estreia no pregão, a Bemobi, empresa de distribuição de aplicativos e games, também promete um primeiro dia na B3 apoteótico. Pelo menos, a julgar pelo fechamento da oferta pública inicial (IPO) ontem, dia 8. A ação saiu a R$ 22 na operação — não foi no teto da faixa indicativa de preço, de R$ 17,60 a R$ 23,10, mas foi quase. Com essa cotação, chega no mercado avaliada em R$ 2 bilhões. A empresa toca o sino amanhã, dia 10.

A história da Mosaico se repetiu em alguns pontos. A demanda chegou a 20 vezes o total disponível, descontada a posição dos investidores âncoras — concentrada na turma do Leblon. Tal e qual a dona do Buscapé. Mas aqui, para completar o cenário que tem de tudo para que a Bemobi também tenha seu momento histórico, há alguns aditivos: a empresa decidiu não vender a ação no preço mais alto e não colocar o tal do “hot issue”, aquele extra que só sai quando a demanda está super.

Tudo isso represou a demanda e abriu espaço para alta. Para os atuais acionistas, vender mais à frente, diretamente no mercado, parece um bom negócio considerando o que as techs têm vivido na bolsa brasileira. Mas vale destacar que Mosaico teve forte demanda do público de varejo, que costuma se interessar especialmente por negócios que conheçam de perto. A Bemobi não é assim tão simples para o investidor pessoa física, ainda que a busca por ativos ligados à tecnologia seja uma demanda — quase desenfreada — que une grandes estrategistas institucionais e pequenos aplicadores individuais.

No caso da Mosaico, a ação saiu a R$ 19,80 e ontem fechou acima de R$ 41 — em dois dias de negociação. O fenômeno Locaweb também precisa ser lembrado: a empresa quintuplicou de valor em um ano. E Méliuz e Enjoei também registraram valorização expressiva, desde que chegaram ao panteão do capitalismo brasileiro, no fim de 2020. A Bemobi chega como quinta empresa de tecnologia da bolsa. Mas é preciso lembrar que tal qual Mosaico, Méliuz e Enjoei, Bemobi ainda é uma companhia em fase de crescimento e, por isso mesmo, com muita volatilidade nos negócios à vista.

Na operação da Bemobi, pouco menos de R$ 1,1 bilhão vai engordar — e como! — o caixa da empresa para turbinar crescimento e apenas R$ 164 milhões foram para o bolso dos sócios, fruto de uma pequena parcela secundária.

A Bemobi tem como um dos fundadores e presidente da operação Pedro Ripper, que já foi presidente da Cisco no Brasil e diretor na Oi. O executivo, após encerrar sua carreira corporativa, tornou-se investidor e empresário do setor de tecnologia.

Do volume captado, a empresa vai usar 55% para fazer aquisições. A estratégia da companhia apresentada aos investidores é o potencial que possui como intermediadora entre desenvolvedores de aplicativos, games e outros serviços para aparelhos móveis e as operadoras de telefonia.

A Bemobi afirmou aos investidores operar em 37 países, com 70 operadoras, mas quase 60% de sua receita é capturada no Brasil. A empresa tem uma base de assinantes estável em 34,6 milhões de usuários desde o ano passado. A receita líquida cresceu pouco mais de 10%, no comparativo anual entre os nove primeiros meses de 2020 e 2019, para R$ 117,8 milhões. O Ebitda seguiu o mesmo ritmo e totalizou R$ 67 milhões nesse período, com margem estável em 38%. A melhor notícia vem da parcela do Ebitda que foi efetivamente convertida em caixa, que passou de 64,4% para 83,7%.

A Bemobi não têm dívidas financeiras. Mas tem compromissos a pagar em razão de uma reorganização societária. A unidade brasileira comprou a operação internacional e precisa quitar R$ 245 milhões. Além disso, há pouco menos de R$ 190 milhões que serão usados para distribuir dividendos prometidos aos acionistas pré-IPO, com base nos lucros acumulados até julho de 2020.

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