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Balanços

Votorantim: CBA e Nexa ainda pesam e derrubam receita no trimestre

Queda das commodities metálicas volta a se refletir no balanço da holding – mas expectativa é de melhora no segundo trimestre

Votorantim Cimentos: Bom desempenho no mercado internacional, mas cenário competitivo mais intenso no Brasil (Germano Lüders/Exame)
Votorantim Cimentos: Bom desempenho no mercado internacional, mas cenário competitivo mais intenso no Brasil (Germano Lüders/Exame)
Natalia Viri

Natalia Viri

16 de maio de 2024 às 10:00

A queda das commodities metálicas, como alumínio e zinco, ainda pesou bastante no resultado da Votorantim no primeiro trimestre deste ano.

Um dos maiores conglomerados empresariais do Brasil viu sua receita cair 11% no primeiro trimestre frente ao mesmo período do ano passado, para R$ 10,4 bilhões, com reflexo principalmente da Nexa, de mineração, e da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

Após um ano de forte depreciação desses metais, no entanto, no segundo trimestre, os preços começam a se recuperar – sinalizando uma recuperação cíclica para os próximos balanços. A tonelada do alumínio está cotada por volta dos US$ 2.500 e a do zinco a US$ 2.900, contra os pisos de US$ 2.200 registrados no ano passado.

Apesar da queda de dois dígitos no faturamento, melhora de margens e dividendos pagos por companhias em que a Votorantim não detém o controle levaram o EBIDTA a uma alta de 4%, para R$ 1,8 bilhão.

A Votorantim Cimentos, que representa a maior parte do faturamento da companhia, teve um trimestre misto, com o bom desempenho na Europa, Ásia e África compensado em parte por um cenário competitivo no Brasil e por uma desaceleração da demanda nos Estados Unidos, em meio a um inverno mais rigoroso.

A receita da cimenteira caiu 6% na comparação anual, para R$ 5,4 bilhões, mas com um leve aumento de margens suavizando o efeito no EBITDA, que recuou 2% no mesmo período para R$ 766 milhões.

Os resultados operacionais levam em conta apenas as companhias nas quais a Votorantim tem controle: além da Nexa, da CBA e da Votorantim Cimentos, incorporam também a Acerbrag, que fabrica aços planos na Argentina.

Os números das demais empresas investidas – cada vez mais representativos no resultado em meio à forte estratégia de diversificação de atuação do grupo nos últimos anos – são consolidados por equivalência patrimonial e são considerados apenas abaixo do EBITDA, afetando apenas o lucro.

Nesse grupo está a Auren, na qual a Votorantim tem hoje 38% e acaba de anunciar uma combinação transformacional com a AES Brasil, multiplicando sua capacidade de geração por 2,4 vezes e formando a terceira maior geradora de energia do país, atrás da Eletrobras e da Engie.

Outras empresas do portfólio incluem a CCR (10%) de rodovias, a farmacêutica Hypera (6%), a Citrosuco, uma das maiores produtoras de suco de laranja do mundo, e o banco BV.

A última linha do balanço da Votorantim – que acaba dizendo muito pouco numa estrutura de holding – ficou em R$ 156 milhões no primeiro trimestre, uma queda de 86% na comparação anual.

O resultado foi afetado pelo efeito contábil da depreciação do real sobre a dívida denominada em dólar e por alguns fatores extraordinários, como uma baixa da ordem de R$ 50 milhões conta de marcação a mercado de contratos futuros de energia na Votorantim Cimentos, em meio a um aumento conjuntural nos preços.

No trimestre, a Votorantim reforçou o caixa com duas captações bem sucedidas no mercado de capitais internacional. A Nexa fez uma emissão de US$ 600 milhões em bonds com vencimento em 2034 ao custo de 6,75% ao ano.

Já a Votorantim Cimentos emitiu um bond sustentável de US$ 500 milhões, pagando 5,75% ao ano, na primeira transação brasileira com prazo de 10 anos precificada abaixo de 6% ao ano desde setembro de 2022 e no menor spread do Brasil atualmente.

Com isso, a holding encerrou o primeiro trimestre com uma dívida líquida de R$ 14,1 bilhões, equivalente a 1,45 vezes seu EBITDA.

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Natalia Viri

Natalia Viri

Editora do EXAME IN

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Valor, Veja e Brazil Journal e foi cofundadora do Reset, um portal dedicado a ESG e à nova economia.

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