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IPOs

Shein pede registro de IPO e quer estrear na bolsa em 2024

Empresa submeteu documentos à SEC sob confidencialidade, segundo o Wall Street Journal

 (	SOPA Images /Getty Images)
( SOPA Images /Getty Images)
Karina Souza

Karina Souza

11 de dezembro de 2023 às 17:13

A Shein protocolou seu pedido de IPO junto à Securities and Exchange Comission (SEC) de forma confidencial, disse hoje o The Wall Street Journal. Os bancos coordenadores são o Goldman Sachs, JP Morgan e Morgan Stanley.

Nos Estados Unidos há a possibilidade de os documentos da oferta serem apresentados em sigilo para aprovação dos reguladores -- as informações se tornam públicas algumas semanas antes de a operação ir de fato a mercado.

A expectativa é de que os papéis sejam listados em 2024, na esteira de perspectivas mais otimistas para a retomada do mercado de capitais. Depois de dois anos de escassez, em que os poucos IPOs que foram realizados tiveram em sua maioria um mau desempenho — uma exceção é a fabricante de chips britânica Arm Holdings, em um segmento totalmente diferente — a expectativa sobre a varejista de fast-fashion deve dominar os holofotes.

A companhia foi avaliada a US$ 66 bilhões numa rodada de investimentos realizada em maio. Se o IPO for em frente, será o maior de uma empresa chinesa desde a listagem da Didi (dona da 99), que chegou à Nyse em 2021 avaliada a US$ 68,4 bilhões. A varejista quer ultrapassar essa marca: segundo a Bloomberg, a Shein procura um valuation de até US$ 90 bilhões.

A companhia de mobilidade saiu da bolsa 11 meses depois, como resultado do cerco fechado para empresas de tecnologia na China. Ainda é cedo para adivinhar se a Shein terá um destino similar -- ou não -- mas, de toda forma, a varejista de moda transferiu sua sede para fora do país. Desde 2021, o escritório central fica em Cingapura.

Mesmo diante da tensão geopolítica, um cenário incerto, fato é que a Shein conseguiu comprovar que é uma empresa de alto crescimento. De acordo com os dados de 2022, a companhia teve um GMV de US$ 23 bilhões (um recorde) e chegou a um lucro líquido de US$ 800 milhões.

Segundo a consultoria de gestão Heartman House, a empresa deve chegar a um GMV de US$ 100 bilhões até 2027 -- num cenário mais pessimista, chegaria a US$ 48 bilhões, mais do que o dobro da cifra atual.

No Brasil, dados de 2022 compilados pelo BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da Exame) apontaram que a empresa chegou a uma receita de R$ 8 bilhões, um salto de 300% em relação a 2021.

É um aumento impulsionado por uma série de fatores. A deterioração do poder de compra de consumidores, junto com uma cadeia de produção massiva, capaz de transformar uma 'nova trend' em peça disponível no site em um intervalo de semanas, somada ao investimento em tecnologia -- que tornou o aplicativo um passatempo, em vez de somente um site de compras -- coroaram o trunfo da Shein até aqui. Hoje, a empresa lança 10 mil produtos por mês.

Contudo, a varejista enfrenta escrutínio cada vez maior em âmbito global a respeito de questões relacionadas ao pagamento de impostos (vide o vaivém de regulações no Brasil relacionadas ao tema) e à sustentabilidade de suas cadeias de produção.

A varejista está tentando contornar esses problemas. De olho na diversificação, abriu o próprio site para se tornar um marketplace, permitindo a entrada de outros vendedores em alguns países nos quais atua, além de comprar uma parte da Forever 21 e de estruturar uma cadeia de produção local no Brasil, em parceria com a Coteminas.

Também existem questionamentos a respeito da sustentabilidade (dessa vez, financeira) dos preços baixos praticados em direção ao futuro. Os analistas do BTG, ainda no relatório do início do ano, apontam que a jornada de pé no acelerador da Shein vai cobrar um preço alto em queima de caixa.

Na última rodada de captação, a empresa já sofreu um desconto, saindo de um valuation de US$ 100 bilhões um ano antes para um valor 30% menor no começo deste ano.

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Karina Souza

Karina Souza

Repórter Exame IN

Formada pela Universidade Anhembi Morumbi e pós-graduada pela Saint Paul, é repórter do Exame IN desde abril de 2022 e está na Exame desde 2020. Antes disso, passou por grandes agências de comunicação.

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