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Sem bolsa: captação via dívida cresce devido ao temor sobre 2022

Até oferta de empresa sem rating consegue custo menor que esperado, com aumento de interesse por renda fixa

Dinheiro: companhias buscam reforçar liquidez para encarar cenário de ano eleitoral (Gabriel Vergani / EyeEm/Getty Images)
Dinheiro: companhias buscam reforçar liquidez para encarar cenário de ano eleitoral (Gabriel Vergani / EyeEm/Getty Images)
GV

Graziella Valenti

22 de outubro de 2021 às 10:02

Se o mercado de ações parou, o de dívida acelerou nesse fim de ano. As emissões de títulos locais estão para lá de aquecidas. Só neste mês, são mais de R$ 4,5 bilhões em ofertas públicas de títulos, ou seja, na qual o investidor de varejo também pode participar, conforme dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O mercado como está? Sedento, bem diferente dos compradores de bolsa.

A emissão de Caramuru Alimentos, empresa que combina de operação de agronegócios a marcas de consumo,  passando por ração animal, encontrou uma demanda de 8 vezes o valor de sua emissão. A companhia captou R$ 354 milhões, em papéis com prazo de cinco anos e que remuneram por IPCA mais 5,76%. O interesse foi tão grande que a empresa, que sequer possui rating (ou seja, deveria ser considerada um ativo de maior risco), conseguiu que a taxa saísse abaixo do esperado. Na prática, o custo ficou menor para o empresário e a remuneração para o investidor, também. A colocação fechou no começo deste mês. Ainda há mais cinco emissões públicas para fechar até 11 de novembro.

Os dados de captação de fundos, da Anbima, deixam isso bem claro. Outubro caminha para ser mais um mês de resgate nas carteiras de ações — repetindo o que ocorreu em janeiro e setembro. Até dia 18, os portfólios tinham perdido R$ 2,7 bilhões. Os fundos multimercados não escapavam dos temores dos investidores e acumulavam nesse período retirada de R$ 6,3 bilhões. Enquanto isso, os fundos de renda fixa mostravam captação de R$ 40 bilhões, deixando o total acumulado no ano acima de R$ 277,5 bilhões.

A perspectiva de alta da inflação e da taxa de juros tem tirado o investidor da bolsa e levado para a renda fixa. Sem contar o aumento das tensões no cenário doméstico, com antecipação do debate eleitoral e preocupações a respeito das contas públicas.

O cenário de dívida em outubro é uma fotografia da velha máxima: a união da fome com a vontade de comer. Os investidores e gestores de recursos estão em busca de alocação, procura que fica ainda mais aguda considerando que a maioria dos papéis do mercado secundário apresenta prêmio negativo. Essa é a parte da demanda. Pelo lado da oferta, assistindo ao acirramento das tensões na cena política e as dúvidas a respeito do cenário macroeconômico, o empresário não quer mais susto em 2022. As empresas estão correndo para garantir uma posição de liquidez, preocupadas com o futuro do interesse dos investidores pelos seus papéis no próximo ano.

Enquanto isso, na bolsa, os investidores pessoas físicas já sacaram de suas aplicações diretas nada menos do que R$ 3,6 bilhões em outubro, até dia 19. Os institucionais, ou seja, fundos de investimentos e de pensão reduziram sua exposição em R$ 8,2 bilhões nesse período — reflexo também dos saques das carteiras. Quem tem segurado comprado essas posições? Basicamente os estrangeiros e as companhias (programas de recompra de ações), com aquisições líquidas de R$ 10,5 bilhões e R$ 3,7, respectivamente.

Já para os papéis de dívida a liquidez é tão grande, que os bancos nem estão precisando absorver parte das operações. As emissões estão sendo adquiridas pelo mercado já na largada. Mais do que isso. Estão sendo disputadas e a operação de Caramuru é o retrato perfeito desse cenário.

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