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ESG

Pachama capta mais R$ 45 milhões para a IA dos créditos de carbono

Com cheque da brasileira Positive Ventures, startup usa tecnologia para garantir integridade dos offsets florestais

Desmatamento na floresta amazônica, em Mato Grosso: Brasil é principal mercado da Pachama (Paulo Whitaker/Reuters)
Desmatamento na floresta amazônica, em Mato Grosso: Brasil é principal mercado da Pachama (Paulo Whitaker/Reuters)
Natalia Viri

Natalia Viri

10 de janeiro de 2024 às 12:19

A Pachama, uma startup que usa tecnologia aplicada para geração e monitoramento de créditos de carbono florestais, acaba de captar US$ 9 milhões (ou cerca de R$ 45 milhões) com uma tese que cruza duas das maiores macrotendências mundiais: sustentabilidade e inteligência artificial.

Uma extensão de uma série B de US$ 55 milhões anunciada no ano passado, o novo aporte conta com um cheque da gestora brasileira Positive Ventures, voltada para investimentos de impacto – com foco em clima, educação e saúde.

“Já tínhamos investido na Pachama em 2021 e agora a startup é a maior posição de nosso primeiro fundo”, afirma Fabio Kestenbaum, sócio-fundador da Positive Ventures.

A captação foi liderada pela T. Capital, braço de corporate venture capital da Deutsche Telecom – maior empresa de telefonia da Europa – e foi acompanhada também pela Lowercarbon, gestora americana que já era investidora da companhia.

No captable da Pachama estão outros fundos renomados na tese climática, como a Breakthrough Energy Ventures, de Bill Gates, e o Amazon Climate Pledge Fund, da Amazon. Ao todo, a startup já captou US$ 88 milhões.

Fundada em 2018 pelo argentino Diego Saez, a Pachama é uma plataforma de tecnologia que usa dados de satélite, drones e inteligência artificial – usando dados de amostras do solo, por exemplo – para identificar os melhores hotspots para geração de créditos de carbono, seja de restauração ou conservação florestal.

Além disso, o sistema permite o acompanhamento do projeto, garantindo que ele realmente está removendo carbono da atmosfera ou evitando emissões. É uma demanda cada vez maior dos compradores de crédito, preocupados com diversos projetos nos últimos anos que acabaram não entregando os benefícios esperados – e se tornaram um pesadelo de relações públicas.

“Ao longo do último ano, o mundo reconheceu a importância de garantir integridade, transparência e impactar os mercados de carbono, e é nisso que a Pachama vem trabalhando desde sua concepção. Esse capital adicional vai nos permitir continuar avançando nessa missão crítica”, diz Saez.

A Pachama começou fornecendo sua tecnologia para os principais desenvolvedores de créditos de carbono, para garantir o acompanhamento do processo de forma mais acurada e menos manual. Mas vem avançando na cadeia.

Lançou um marketplace de créditos de carbono, permitindo a negociação entre os vendedores de projetos que usam sua tecnologia e os compradores que buscam compensar suas emissões. Hoje, centenas de clientes, do porte de Salesforce e Nespresso, usam a plataforma.

No mercado em geral, 2023 foi marcado pelo ceticismo dos compradores, com a queda no volume de créditos de carbono de origem florestal em meio a diversos escândalos de credibilidade de projetos florestais.

Na contramão, o volume de créditos aposentados (ou seja, comercializados e efetivamente usados para compensação) na plataforma da Pachama subiu 57% no terceiro trimestre frente ao mesmo período do ano passado.

A Pachama também vem atuando num modelo em parceria com empresas, nos quais faz a identificação e o monitoramento de programas próprios de créditos de carbono. É o caso do Mercado Livre, que tem um projeto de restauração de florestas chamado Regenera América, com US$ 23,7 milhões em investimentos previstos e dos quais a Pachama é parceira estratégica.

Agora, a companhia está partindo para a captação de fundos específicos para fazer a originação dos créditos de carbono do zero. “O maior gap que se tem é de créditos de carbono de qualidade. A demanda é grande, mas a oferta é pequena e é nesse mercado que eles querem entrar”, diz Kestenbaum, da Positive.

A Pachama tem projetos em 17 países, mas o Brasil é um de seus principais mercados, por conta do potencial de geração de créditos florestais no país.

O investimento foi feito via o primeiro fundo captado pela Positive Ventures, que fez aportes também em empresas como Eureciclo, de créditos de reciclagem, além de teses voltadas para a saúde, com a OyaCare, rede de clínicas voltada para o público, e Labi Exames.

Neste ano, a gestora lançou um novo fundo, de R$ 125 milhões, três vezes maior que o anterior. Segundo Kestenbaum, 80% do capital veio de investidores do primeiro veículo – principalmente family offices e investidores nacionais – e outros 20% vieram de novos investidores dos Estados Unidos, Europa e América Latina.

“Tecnologia para restauração da biodiversidade e combate às mudanças climáticas estão no centro da tese de investimentos do novo fundo”, afirma o gestor.

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Natalia Viri

Natalia Viri

Editora do EXAME IN

Jornalista com mais de 15 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Valor, Veja e Brazil Journal e foi cofundadora do Reset, um portal dedicado a ESG e à nova economia.

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